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Radioterapia pode ser alternativa curativa para casos de câncer de pele

Especialista da Rede Mater Dei explica quando o tratamento é indicado e reforça a importância do diagnóstico precoce

Crédito-foto: Rede Mater Dei

O encerramento das sessões de radioterapia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratamento de câncer de pele trouxe nova visibilidade a uma doença que, apesar de ser a mais frequente no Brasil, ainda é subestimada por grande parte da população. Especialistas alertam que, embora as taxas de cura sejam elevadas quando o diagnóstico é feito precocemente, alguns tumores podem evoluir e exigir abordagens terapêuticas mais complexas – entre elas, a radioterapia.

Segundo o radio-oncologista e coordenador do Serviço de Radioterapia da Rede Mater Dei, Dr. Gabriel Gil, a doença costuma apresentar evolução lenta e pode passar despercebida por longos períodos, especialmente quando surge em áreas menos visíveis do corpo. Conforme ele explica, “o câncer de pele é o mais comum entre homens e mulheres no Brasil. Na maior parte das vezes, quando identificado precocemente, o tratamento é simples e as chances de cura são muito elevadas. O problema acontece quando a lesão cresce, volta a surgir ou acomete regiões mais delicadas, como nariz, pálpebras, lábios, orelhas ou couro cabeludo.”

Os tipos mais frequentes são o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, conhecidos como cânceres de pele não melanoma. Em geral, apresentam comportamento menos agressivo do que o melanoma, que exige tratamento mais intensivo e acompanhamento rigoroso.

Radioterapia: indicaçãoEmbora a cirurgia seja o tratamento principal na maioria dos casos, a radioterapia desempenha papel fundamental em situações específicas. Dados compilados pelo Observatório de Oncologia mostram que entre 50% e 60% das pessoas diagnosticadas com câncer terão indicação para radioterapia em alguma fase do tratamento – seja para aumentar as chances de cura, reduzir o risco de recidiva ou controlar sintomas.

A radioterapia não deve ser vista como uma segunda opção menos eficaz, ressalta Dr. Gabriel. “Em pacientes selecionados, ela pode ser um tratamento curativo e extremamente importante, principalmente quando a cirurgia poderia causar grande impacto estético ou funcional, ou quando o paciente não tem condições clínicas para um procedimento cirúrgico”, observa.

O tratamento costuma ser indicado para tumores localizados em áreas sensíveis da face ou em pacientes idosos e mais frágeis, nos quais uma cirurgia extensa representaria riscos adicionais. Também pode ser utilizada após a cirurgia, como tratamento complementar, em tumores com maior risco de recorrência.

Como funciona o tratamento – A radioterapia utiliza radiações direcionadas para destruir células tumorais, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor. No caso do câncer de pele, o tratamento é planejado para atingir principalmente as camadas superficiais.

Segundo o médico, “a maior parte dos tratamentos é realizada de forma ambulatorial, sem necessidade de internação. O paciente não fica radioativo e, em geral, apresenta boa tolerância. O número de sessões varia conforme o tamanho, a profundidade e a localização da lesão”

Diagnóstico precoce: o principal aliado – Apesar dos avanços terapêuticos, a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo as estratégias mais eficazes para evitar complicações. “Na maioria dos casos, quando diagnosticado precocemente, observamos grandes chances de cura.  Tumores avançados ou de maior risco precisam ser tratados e a radioterapia é uma ferramenta precisa, curativa e muitas vezes preservadora, especialmente quando indicada dentro de uma abordagem multidisciplinar”, observa Dr. Gabriel Gil.

A recomendação do especialista é clara: “observe alterações na pele e procure avaliação médica ao identificar qualquer lesão suspeita”.

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