Acretismo placentário: Einstein Hospital Israelita cria protocolo diferenciado para reduzir riscos e preservar a fertilidade da mulher

O aumento das cesarianas e a decisão de engravidar mais tarde têm contribuído para um maior número de casos de acretismo placentário, que ocorre quando a placenta se fixa de maneira anormal à parede do útero, invadindo camadas mais profundas do órgão.

Foto- crédito: Magnific

O aumento das cesarianas e a decisão de engravidar mais tarde têm contribuído para um maior número de casos de acretismo placentário, complicação grave que pode colocar em risco a vida da gestante e levar à retirada do útero. Referência na América Latina em medicina de alta complexidade, o Einstein Hospital Israelita estruturou um protocolo diferenciado para essa condição, que inclui parto em sala cirúrgica especial, com suporte de profissionais especializados em radiologia intervencionista, para realização de uma técnica inovadora que reduz o risco de sangramento e aumenta as chances de preservar a fertilidade da mulher.

Conforme explica o Dr. Albert Bousso, gerente médico Materno-Infantil do Einstein, “o acretismo ocorre quando a placenta se fixa de maneira anormal à parede do útero, invadindo camadas mais profundas do órgão. Isso faz com que sua retirada, após o nascimento do bebê, se torne extremamente arriscada. A consequência mais temida é a hemorragia maciça”.

O crescimento desta condição é expressivo. Dados do International Journal of Gynecology and Obstetrics indicam que a incidência passou de 1 caso a cada 30 mil partos, nos anos 1950, para até 1 a cada 500 partos atualmente. O histórico de cesarianas se destaca como um dos principais fatores de risco, pois a cicatriz uterina pode facilitar uma implantação mais profunda da placenta. Outras cirurgias uterinas, como a remoção de miomas ou curetagens, também contribuem, assim como a formação de aderências e infecções uterinas. Fatores adicionais incluem a idade materna (acima de 35 anos), fertilização in vitro (FIV), múltiplas gestações e até mesmo o tabagismo, tornando o acretismo uma preocupação crescente.

É nesse contexto que o Einstein realiza a oclusão temporária das artérias ilíacas internas, técnica realizada antes da cesárea por um radiologista intervencionista. Por meio de pequenas punções na virilha, são introduzidos cateteres com balões desinflados nas artérias responsáveis pelo fluxo sanguíneo do útero. Após o nascimento do bebê, esses balões são inflados temporariamente, diminuindo de forma significativa a circulação de sangue na região. O efeito é imediato: menos sangramento, mais controle cirúrgico e maior segurança para a mãe.

Segundo Dr. Rodrigo Gobbo, diretor de Medicina Intervencionista do EinsteinHospital/São Paulo/SP, a técnica integra uma abordagem mais ampla de cuidado. “O acretismo exige planejamento rigoroso e assistência altamente especializada. A presença de uma equipe de radiologia intervencionista no parto é um diferencial do Einstein e permite aplicar técnicas minimamente invasivas que reduzem o sangramento, ampliam o controle do procedimento e impactam diretamente a segurança da paciente.”

“Essa técnica com balões nos permite fazer um controle vascular preventivo, ou seja, diminuir o fluxo de sangue para o útero antes que um sangramento intenso possa ocorrer. Isso transforma um cenário de altíssimo risco em uma cirurgia com muito mais segurança e controle. Ganhamos tempo e, principalmente, um campo de visão mais limpo para o Obstetra realizar a cirurgia com precisão. O resultado prático é um risco muito menor de hemorragia, maiores chances de preservar o útero e, o mais importante, uma redução drástica nas complicações para a paciente.” explica o Dr. Kauê Souza, radiologista intervencionista do Einstein.

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