Ansiedade de separação em crianças e adolescentes ganha atenção com novos dados

Foto: crédito-Freepik

A ansiedade de separação é parte do desenvolvimento infantil, mas quando o medo de se afastar de figuras de apego se torna intenso e persistente, pode evoluir para o transtorno de ansiedade de separação (TAS). O quadro interfere na rotina familiar, escolar e social, provocando sofrimento significativo. Entre os sinais mais frequentes estão recusa em ir à escola, choro diante da saída dos pais, dificuldade para dormir sozinho, pesadelos, angústia intensa e sintomas físicos como dores de estômago, náuseas e dores de cabeça.

Dados internacionais estimam que o transtorno esteja presente em 4% a 5% das crianças. Em amostras clínicas, esse índice pode chegar a 7,6%, especialmente em atendimentos de saúde mental. A média de início costuma ocorrer entre 6 e 7 anos. Estudos também indicam que crianças de contextos socioeconômicos mais vulneráveis apresentam risco maior, concentrando de 50% a 75% dos casos.

Pesquisas brasileiras ajudam a ampliar o cenário. Uma revisão aponta que cerca de 10% das crianças e adolescentes no país convivem com algum transtorno de ansiedade e que o TAS atinge aproximadamente 4%. Levantamentos nacionais mostram ainda prevalência de ansiedade variando de 1,7% a 34,8%, dependendo do contexto analisado. A insuficiência de estudos específicos sobre o transtorno reforça a importância de aprofundar o tema e ampliar o acesso ao diagnóstico.

Para a psicóloga clínica Sirlene Ferreira, São Paulo/SP, o transtorno ultrapassa a ansiedade esperada na infância. Segundo ela, a persistência do medo e o impacto na rotina exigem atenção especializada. “Mudança de escola ou casa, perdas familiares e predisposição genética estão entre os principais fatores associados ao início do quadro. O apoio de adultos é decisivo para que a criança desenvolva segurança emocional e aprenda a lidar com a separação”, explica Sirlene.

O tratamento recomendado envolve psicoterapia voltada às necessidades da criança e orientação familiar. A abordagem clínica ajuda a fortalecer a autoconfiança, reconhecer sentimentos e reduzir a angústia. Em situações mais graves, a avaliação médica pode indicar o uso de medicação como parte do cuidado. Sirlene Ferreira destaca que o diagnóstico precoce e o trabalho conjunto entre família, escola e profissionais de saúde fazem diferença no desenvolvimento emocional.

A combinação de dados nacionais e internacionais demonstra que o transtorno não é raro e pode ganhar complexidade quando não tratado. Também reforça a relevância de ampliar campanhas de conscientização e acesso a recursos de saúde mental na infância e na adolescência.

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