Artrose, além da idade!

Como obesidade, diabetes e sedentarismo impactam as articulações e por que a doença tem afetado cada vez mais pessoas jovens

Foto: crédito-Freepik

A artrose, doença caracterizada pelo desgaste das articulações, embora frequentemente associada ao envelhecimento, está cada vez mais relacionada a fatores de saúde sistêmicos e ao estilo de vida, afetando inclusive adultos mais jovens. Estimativas globais indicam que cerca de 33 milhões de pessoas entre 30 e 44 anos já conviviam com a artrose em 2019, número que cresce de forma contínua nas últimas décadas. Entre os principais motivos estão o excesso de peso, o sedentarismo e condições metabólicas que favorecem inflamações no organismo.

De acordo com o ortopedista Mauro Meyer, de Porto Alegre/RS, “a artrose não é causada apenas pelo envelhecimento. Hoje sabemos que se trata de uma condição multifatorial, o organismo como um todo influencia a saúde das articulações. Doenças metabólicas, inflamação crônica e o estilo de vida têm um papel direto tanto no desenvolvimento quanto na progressão da doença”.

Segundo ele, são três os principais fatores da artrose: 

Obesidade: sobrecarga e inflamação caminham juntas – O excesso de peso é um dos fatores mais relevantes quando se fala em artrose, especialmente nas articulações que suportam carga, como joelhos e quadris. Um estudo do American College of Rheumatology aponta que o risco de desenvolver artrose de joelho pode ser até 4,7 vezes maior em pessoas com obesidade.

De acordo com o médico, o impacto ocorre por dois mecanismos principais: “A sobrecarga mecânica acelera o desgaste da cartilagem, já que as articulações recebem uma pressão maior a cada movimento, e o tecido adiposo, que libera substâncias inflamatórias que contribuem para a degeneração articular”.

Diabetes: impacto metabólico nas articulações – O diabetes também está associado ao maior risco de artrose, mesmo em articulações que não suportam carga direta. “Alterações metabólicas, como níveis elevados de glicose no sangue, podem afetar a estrutura da cartilagem e favorecer processos inflamatórios. Isso compromete a capacidade de regeneração dos tecidos articulares e pode acelerar o desgaste”, explica Dr. Mauro Meyer, ao enfatizar que essa relação evidencia que a artrose não é apenas uma condição mecânica, mas também sistêmica.

Sedentarismo: falta de movimento também prejudica – Se por um lado o excesso de carga é prejudicial, por outro, a falta de movimento também impacta negativamente a saúde articular. Nesse sentido, destaca, “a ausência de atividade física leva ao enfraquecimento muscular e à redução da estabilidade das articulações. Com isso, há maior sobrecarga localizada e maior risco de lesões e desgaste precoce. Além disso, o sedentarismo contribui para o aumento de peso e para o desenvolvimento de doenças metabólicas, criando um ciclo que favorece o surgimento da artrose”.

Saúde integrada – A boa notícia é que grande parte desses fatores é modificável. A adoção de hábitos saudáveis pode reduzir significativamente o risco de desenvolver artrose ou retardar sua progressão. “Manter um peso adequado, praticar atividade física regularmente e controlar doenças, como o diabetes, são medidas fundamentais. O fortalecimento muscular, especialmente ao redor das articulações, ajuda a proteger e distribuir melhor as cargas durante o movimento”, orienta o especialista.

Tratamentos evoluem com tecnologia – Nos estágios iniciais, o tratamento da artrose inclui mudanças no estilo de vida, fisioterapia e controle da dor e da inflamação. Já em casos mais avançados, quando há limitação importante das atividades diárias, a cirurgia pode ser indicada.

Com os avanços tecnológicos, os procedimentos de substituição articular se tornaram mais precisos. A cirurgia robótica, por exemplo, permite um planejamento personalizado e maior acurácia na execução. Conforme explica Meyer, “com o auxílio de sistemas robóticos, conseguimos trabalhar com dados em tempo real e adaptar o procedimento à anatomia do paciente. Isso pode contribuir para melhores resultados funcionais e maior satisfação no pós-operatório”.

Para o especialista, o principal ponto é entender que a saúde das articulações está diretamente ligada ao cuidado com o corpo como um todo.

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