Dor lombar persistente pode limitar a rotina e merece avaliação especializada
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Nenhuma outra queixa de saúde tira tantos brasileiros do trabalho quanto a dor nas costas. Em 2025, o INSS concedeu 237.113 benefícios por incapacidade temporária relacionados à dorsalgia, o terceiro ano consecutivo em que o problema lidera o ranking, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Logo atrás aparecem os transtornos de discos intervertebrais, como a hérnia de disco, responsáveis por outros 208.727 afastamentos. No total, o país registrou cerca de 4,1 milhões de afastamentos por doença no ano.
É esse cenário que dá o tom do 4º Simpósio Internacional de Cirurgia da Coluna do Hospital Orizonti, promovido pelo Centro de Coluna do Hospital Orizonti – CECOL, nos dias 18 e 19 de setembro, em Belo Horizonte. O evento acontece no auditório do hospital, no bairro Mangabeiras, regional Centro-Sul, e tem como tema central a coluna degenerativa do adulto.
O tema define o problema, e a programação responde a ele pelo lado técnico. Nesta quarta edição, o simpósio reúne o convidado internacional Richard Hynes e professores brasileiros de referência em torno de uma pergunta bem concreta: como operar melhor a coluna que envelhece, com acessos menores, materiais mais adequados e menos agressão ao paciente.
O problema está longe de ser restrito a quem trabalha com esforço físico. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE, estimou que 21,6% dos brasileiros com 18 anos ou mais, cerca de 34,3 milhões de pessoas, convivem com um problema crônico de coluna. Em 2013, esse índice era de 18,5%. A prevalência é maior entre mulheres e cresce de forma consistente com a idade.
No mundo, o quadro segue a mesma direção. Estudo publicado na revista científica The Lancet Rheumatology, a partir dos dados do Global Burden of Disease, estimou 619 milhões de pessoas com dor lombar em 2020, com projeção de 843 milhões de casos até 2050. A dor lombar é hoje a principal causa de anos vividos com incapacidade no planeta.
Uma população que vive mais usa a coluna por mais tempo – A explicação para o avanço desses números está, em boa parte, na demografia. Entre 2000 e 2023, a proporção de brasileiros com 60 anos ou mais quase dobrou, saindo de 8,7% para 15,6% da população, segundo as Projeções de População do IBGE. Até 2070, esse grupo deve representar 37,8% do país, o equivalente a 75,3 milhões de pessoas.
Com o passar dos anos, os discos que funcionam como amortecedores entre as vértebras perdem altura e hidratação, as articulações se desgastam, os ligamentos espessam e o alinhamento da coluna se altera. Esse processo é o que os médicos chamam de degeneração, e ele pode evoluir para condições como hérnia de disco, estenose de canal lombar e escorregamento de uma vértebra sobre a outra.
Os sinais costumam aparecer aos poucos. Dor lombar que não passa, dor que desce pela perna, formigamento, perda de força, dificuldade para caminhar distâncias que antes eram tranquilas e aquela necessidade de parar e sentar para aliviar o desconforto. Muita gente atribui tudo isso à idade e convive com a limitação por anos antes de procurar avaliação.
“A coluna que envelhece é uma realidade que já chegou ao consultório de todos nós. O paciente de hoje tem 65, 70 anos, quer continuar trabalhando, viajando, praticando atividade física, e não aceita mais conviver com a dor como algo natural da idade. Esse tema foi escolhido porque precisamos discutir, com evidência e com quem já está fazendo, como oferecer soluções mais seguras e menos agressivas para esse perfil de paciente”, afirma o Dr. Maurício Calais, presidente do evento e um dos fundadores do CECOL.
Nem todo desgaste vira cirurgia – A boa notícia é que nem todo desgaste vira doença, e nem toda doença vira cirurgia. Boa parte dos casos responde a tratamento conservador, com fisioterapia, exercício orientado, controle de peso e manejo adequado da dor. Não por acaso, a programação do simpósio reserva uma mesa multidisciplinar com profissionais de psicologia, fisioterapia, enfermagem e clínica da dor, num reconhecimento de que o cuidado com a coluna não começa nem termina no centro cirúrgico.
Quando a cirurgia era indicada no passado, as condições era uma. Hoje, o cenário técnico mudou de forma significativa. Cortes menores, acessos por vias laterais e anteriores, uso de endoscopia, navegação e materiais mais compatíveis com o organismo permitem procedimentos menos agressivos e recuperação mais rápida. Cada caso, no entanto, precisa ser avaliado individualmente por um especialista.
“Definir a melhor estratégia cirúrgica para a coluna de um paciente é tão importante quanto determinar a real necessidade da cirurgia. A ênfase do nosso simpósio em vias anteriores, laterais e técnicas minimamente invasivas, visa expandir o arsenal do cirurgião, viabilizando variações na programação cirúrgica que melhor se adaptem às particularidades de cada caso e paciente”, afirma o médico Abner Bissoli, membro do CECOL.
O que o simpósio vai discutir – A programação começa na sexta-feira, com uma conferência sobre as sete décadas de evolução das abordagens anteriores da coluna, e segue no sábado, em dia cheio, com sessões sobre endoscopia, escolha de implantes, biomateriais, navegação cirúrgica e um painel dedicado a discutir complicações e revisões.
O convidado internacional desta edição é o Dr. Richard Hynes, que assina quatro conferências ao longo do encontro, entre elas uma avaliação dos resultados de longo prazo das vias laterais, com base em duas décadas de experiência. Também participam da grade os professores Luiz Roberto Vialle e Alexandry Dias Carvalho, além de cirurgiões e profissionais de saúde de diferentes serviços do país.
O encontro é dirigido a médicos, fisioterapeutas, residentes e demais profissionais da área da saúde.
SERVIÇO – 4º Simpósio Internacional de Cirurgia da Coluna do Hospital Orizonti
Tema: Coluna Degenerativa do Adulto
Realização: Centro de Coluna do Hospital Orizonti – CECOL
Datas: 18 e 19 de setembro de 2026, sexta e sábado
Horários: sexta, credenciamento a partir das 17h e abertura às 17h15, com coquetel às 20h. Sábado, das 8h às 18h30
Local: auditório do Hospital Orizonti, bairro Mangabeiras, Belo Horizonte/MG
Inscrições: https://www.sympla.com.br/evento/iv-simposio-internacional-de-coluna-vertebral/3555328
