Câncer colorretal cresce 7,6% ao ano entre adultos jovens no Brasil

Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima quase 108 mil novos casos por ano até 2028

Foto: crédito-Freepik  

Mesmo que 80% dos diagnósticos de câncer colorretal ocorram após os 50 anos, ele vem se tornando uma preocupação crescente para a população cada vez mais jovem no Brasil. Um levantamento inédito realizado pelo A.C.Camargo Cancer Center, usando como base o Registro Hospitalar de Câncer (RHC), revelou um aumento de 7,6% ao ano na incidência do câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos entre 2000 e 2023. A análise, que reuniu 5.559 casos de adenocarcinoma colorretal atendidos na instituição no período, acende um alerta ao apontar que a curva ascendente entre os mais jovens acelera em ritmo preocupante.

De acordo com o Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência em Tumores Colorretais do A.C.Camargo, de São Paulo/SP, “tornou-se comum ver pacientes entre 35 e 40 anos sendo diagnosticados com esse tumor. O aumento está diretamente ligado a hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e fatores relacionados ao estilo de vida nas grandes cidades”.

O cenário nacional reforça a gravidade do quadro. A nova Estimativa 2026–2028 do Instituto Nacional de Câncer (INCA), divulgada no último Dia Mundial do Câncer (04 de fevereiro), projeta 781 mil novos casos anuais no triênio considerando todos os tipos de câncer, número que cai para 518 mil quando excluídos os tumores de pele não melanoma. Desse total, o câncer colorretal é responsável por 10,3% dos tumores entre homens e 10,5% entre mulheres, se consolidando como a segunda neoplasia mais incidente em ambos os sexos no Brasil, atrás apenas dos cânceres de próstata e mama.


 O avanço da doença entre os jovens, no entanto, escancara uma realidade que exige mudança de comportamento. O levantamento do A.C.Camargo mostra que 53% dos pacientes com câncer colorretal ainda chegam ao diagnóstico em estágio avançado (III e IV), o que compromete severamente o prognóstico. Quando descoberto no início, as chances de cura superam os 90%. Os números do Cancer Center comprovam o impacto do diagnóstico precoce: a probabilidade de sobrevida global em 5 anos para pacientes diagnosticados com câncer colorretal na fase inicial é de 94,6% entre os mais jovens (população abaixo de 50 anos) e de 82,2% – entre os maiores de 50 anos. No estágio avançado, as taxas despencam para 60,5% (abaixo de 50 anos) e 50,4% (acima de 50 anos).

“A diferença é brutal. O diagnóstico tardio do câncer colorretal exige tratamentos mais agressivos, como cirurgias extensas e quimioterapia, além de reduzir sensivelmente as chances de cura. Por isso é fundamental ficar atento aos sinais do corpo”, reforça o especialista.

Estima-se que cerca de 90% dos casos de câncer colorretal estejam associados a fatores externos, como dieta pobre em fibras, consumo excessivo de ultraprocessados e embutidos, sedentarismo, obesidade, tabagismo e álcool. Apenas 10% têm relação com herança genética. Diante disso, a campanha do Março Azul-Marinho deste ano reforça a importância da prevenção primária: alimentação equilibrada (com frutas, verduras, legumes e cereais integrais), prática regular de atividade física e a eliminação do tabaco e do consumo excessivo de álcool.
 

O rastreamento regular também é um aliado fundamental. Exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes, podem indicar a necessidade de colonoscopia, um procedimento que permite não apenas o diagnóstico precoce do câncer colorretal, mas também a remoção de lesões pré-cancerosas. “O rastreamento salva vidas. Precisamos desmistificar o medo do exame e entender que ele é o caminho para um envelhecimento com mais saúde e qualidade de vida”, destaca Aguiar.

Sobre o Março Azul-Marinho – A campanha é dedicada à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer colorretal, um tumor tratável e, frequentemente, curável quando descoberto cedo. Instituições como o A.C.Camargo Cancer Center promovem ações para alertar sobre fatores de risco, como má alimentação e sedentarismo, além da importância de exames como a colonoscopia.

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