Câncer infantil: bebê atendida pelo SUS evita transplante após tratamento

A história da criança atendida pela rede pública, na Zona Leste da capital paulista, evidencia como o acesso ao tratamento pode ser determinante no desfecho da doença.
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Maitê tinha pouco mais de 1 ano quando começaram os primeiros sintomas de constipação e distensão abdominal. A história da criança atendida pela rede pública, na Zona Leste da capital paulista, evidencia como o acesso ao tratamento pode ser determinante no desfecho da doença. O que parecia um quadro comum da infância levou a família a buscar atendimento e, poucos dias depois, a um diagnóstico que mudaria completamente suas vidas. “Nenhuma mãe que gera um filho tão esperado imagina que um dia vai ouvir essa palavra tão terrível: câncer”, conta Yasmin, de 22 anos, mãe da criança.
Encaminhada para acompanhamento pela TUCCA/Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer, em colaboração com o Santa Marcelina Saúde, na Zona Leste de São Paulo, a criança foi diagnosticada com hepatoblastoma, um tumor maligno no fígado, já com metástase no pulmão. Diante do quadro, a indicação inicial incluía a necessidade de transplante hepático. “O desespero maior era limpar o pulmão, porque o fígado da Maitê já não servia mais. Precisava de transplante urgente”, relembra a mãe.
O desespero maior era limpar o pulmão, porque o fígado da Maitê já não servia mais. Precisava de transplante urgente. O tratamento foi iniciado com quimioterapia. Após três ciclos, os exames indicaram uma resposta significativa: a doença pulmonar deixou de ser identificada e parte do fígado foi preservada, afastando a necessidade do transplante.
Com a regressão do quadro, a paciente passou por uma cirurgia de alta complexidade, com duração de 12 horas, para retirada do tumor. O resultado trouxe uma nova perspectiva para o tratamento. “Voltamos com a Maitê completamente limpa. Não tinha mais metástase no pulmão e o tumor foi retirado. Hoje, estamos finalizando o tratamento”, afirma Yasmin.
Modelo de atendimento – O caso de Maitê foi conduzido dentro de um modelo que integra o atendimento pelo SUS ao acesso a estrutura de alta complexidade, viabilizado pela atuação conjunta da TUCCA com o Santa Marcelina Saúde. A iniciativa permite que crianças em situação de vulnerabilidade social tenham acesso a diagnóstico rápido, terapias atualizadas e acompanhamento multidisciplinar.
Conforme enfatiza o oncologista pediatra Sidnei Epelman, e diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e fundador e presidente da TUCCA, “cada paciente é único. E é preciso fazer com que as terapias que oferecemos hoje sejam ainda mais precisas e melhores do que as de ontem”.
Para Yasmin, a experiência também revela a dimensão emocional do tratamento. “Você é tudo o que o seu filho precisa. A sua força transmite força para ele. E pode acreditar: não tem ninguém mais forte do que essas crianças”, diz.
Câncer no Brasil – Casos como esse evidenciam a possibilidade de acesso a tratamento especializado em oncologia pediátrica na rede pública, mesmo em regiões periféricas, com impacto direto nas chances de sobrevida e na qualidade do cuidado oferecido.
No Brasil, o câncer infantojuvenil segue como a principal causa de morte por doença não acidental entre crianças e adolescentes, embora represente cerca de 3% dos diagnósticos. A estimativa é de 7.560 novos casos por ano.
De acordo com o Dr. Sidnei Epelman, “essa diferença é inaceitável e reflete desigualdades que vão muito além do acesso geográfico. Enquanto em países desenvolvidos as chances de cura superam 80%, temos regiões do Brasil onde metade das crianças com câncer não sobrevive.”
Segundo o Instituto Nacional de Câncer – INCA, no cenário geral, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028. O número representa um aumento em relação ao triênio anterior e acompanha uma tendência global de crescimento da doença.
Esse avanço está associado a múltiplos fatores, como o envelhecimento da população e mudanças no estilo de vida. Entre os principais riscos evitáveis estão o tabagismo, o consumo de álcool, a obesidade, o sedentarismo e a alimentação inadequada, fatores que, juntos, têm impacto direto no aumento da incidência de diversos tipos de tumor.
Os dados também revelam diferenças importantes no perfil da doença entre as regiões do país. Enquanto Sul e Sudeste concentram maior incidência de cânceres associados ao envelhecimento e ao estilo de vida, regiões com menor acesso a políticas de prevenção ainda registram altas taxas de tumores evitáveis, como o câncer de colo do útero.
Ao longo de mais de 25 anos, a parceria TUCCA/ Santa Marcelina Saúde já beneficiou aproximadamente 6 mil crianças e jovens, provando que é possível democratizar a excelência oncológica quando há sinergia entre capacidade instalada e investimento estratégico por meio da filantropia. Toda essa estrutura é integralmente mantida por doações, patrocínios e eventos beneficentes, reforçando o compromisso da TUCCA com a saúde, a vida e a dignidade de seus pacientes.
Para apoiar ou saber mais: www.tucca.org.br




