A doença atinge pessoas entre 50 a 70 anos, sendo mais comum aos 65 anos. Nas crianças, predomina um tipo específico denominado tumor de Wilms, que possui características clínicas e patológicas distintas do tumor do adulto.
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De 2026 a 2028, estima-se que o País registre anualmente mais de oito mil casos novos de câncer de rim, segundo estatísticas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). É o 15º tipo de câncer mais comum no Brasil, sendo a 17ª causa de morte, aponta o Global Cancer Observatory. A incidência da doença acomete 60% dos homens e 40% das mulheres.
Estudo realizado com pacientes do SUS mostrou 31.388 mil hospitalizações por neoplasia renal durante o período de 2013 a 2023, com uma tendência de aumento anual nas taxas internações, em especial nas pessoas acima de 60 anos, em ambos os sexos e em todas as regiões do País. Os casos vêm aumentando nas últimas décadas, devido provavelmente ao uso generalizado de exames de imagem como o ultrassom e tomografia de abdome para triagem clínica na população, destaca o professor Dr. Marcus Sadi, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo.
Segundo ele, o tabagismo continua sendo um dos fatores de risco mais importantes, dobrando as chances de desenvolver a doença. A obesidade aumenta em 50% o risco da doença, seguida pela hipertensão arterial, assim como insuficiência renal crônica em diálise. A exposição a produtos como amianto, cádmio, derivados de petróleo, assim como o contato com substâncias usadas no curtimento de couro, também aumentam o risco de câncer de rim.
Conforme ele explica, existe ainda uma diferença genética entre o câncer renal hereditário, e o não hereditário (esporádico). “Nos casos hereditários (germinativo) nasce-se com uma mutação genética em todas as células do corpo, herdada dos pais, representando 5% a 8% dos casos que, em geral, surgem antes dos 45 e 50 anos. No câncer renal esporádico (somático) uma mutação genética acontece ao acaso, no órgão comprometido, sem ser herdada. É a forma mais comum da doença, em mais de 90% dos casos, e acontece mais comumente em pessoas com idade superior a 50 e 60 anos”, ressalta.
Nos estágios iniciais, o câncer renal não apresenta sintomas. Por isso, o ideal é encontrar o tumor assintomático, ativamente por exames de imagem e, justamente por isso, é importante sua detecção precoce. De fato, isso ocorre com frequência na atualidade. Estima-se que mais da metade dos casos são diagnosticados em exames de imagem de abdome realizados por outros motivos, sendo que esse percentual pode chegar a 80% nos casos de tumores pequenos de até 4 centímetros.
“Com a progressão da doença e, nos estádios mais avançados, surgem sinais e sintomas. É comum a presença de hematúria (sangue na urina) que pode ser macroscópica (identificada visualmente pelos pacientes) ou microscópica (detectada somente no exame de urina). Outras manifestações são dor lombar, presença de massa na região lombar ou no hipocôndrio, perda de peso inexplicável, febre sem causa aparente, fadiga intensa e sensação de mal-estar geral”, diz Marcus Sadi.
Impactos – A sobrevida mediana dos pacientes com câncer renal em cinco anos está ao redor de 75%, mas este percentual pode mudar de acordo com o estágio da doença no momento do diagnóstico. Para tumores pequenos e restritos ao rim, que são submetidos à cirurgia, essa taxa é superior a 90%. Nesses casos, após o tratamento, os pacientes têm uma vida completamente normal.
“O risco de recidiva tumoral deve ser avaliado com base em diversos fatores clínicos e patológicos. Pode ser local, quando ocorre próxima do câncer renal original, ou à distância, mais frequentemente nos pulmões, ossos, fígado e cérebro. O maior risco de recidiva ocorre nos primeiros cinco anos após o tratamento, mas a doença pode recidivar tardiamente. Por isso, o acompanhamento de longo prazo é fundamental”, alerta o médico, ao destacar que a recidiva está fortemente ligada ao estágio do tumor ao diagnóstico: tumores pequenos e restritos ao rim têm sobrevida de cinco anos ao redor de 95% dos casos.
Por outro lado, acrescenta, “tumores localmente avançados têm risco aumentado de recidiva da doença, em 20% a 40% dos casos. Outros fatores importantes para recidivas são: grau nuclear do tumor; subtipo histológico; margens cirúrgicas positivas; idade mais avançada; sexo masculino; presença de sintomas; alterações nos exames laboratoriais ao diagnóstico.”
Tratamento – As estratégias são baseadas no estágio da doença e na avaliação de risco do paciente. Deve-se considerar também os subtipos histológicos do câncer renal, uma vez que eles diferem em suas características genéticas e clínicas. O tratamento endovenoso sistêmico pode ser necessário para pacientes com tumores avançados, quer sejam operados ou não, o que pode afetar negativamente a qualidade de vida. Entretanto, vários estudos confirmam que, mesmo nos casos de tumores metastáticos que necessitam submeter-se ao tratamento sistêmico, há uma grande melhora no bem-estar emocional, social e físico, incluindo desaparecimento de sintomas como fadiga, dor, melhora de sono e apetite em curto período.
De acordo com as diretrizes internacionais, o câncer renal geralmente é tratado com nefrectomia parcial, quando os tumores têm tamanho pequeno e localização anatômica favorável, ou com nefrectomia radical quando existem tumores de maior volume. “A nefrectomia parcial para tumores com até quatro centímetros, com preservação do rim, deve ser a primeira opção terapêutica quando tecnicamente viável, pois oferece o mesmo percentual de cura comparada com a exérese total do rim, e preserva melhor a função cardiovascular de longo prazo”, aponta o urologista.
Porém, segundo ele, deve-se ter o cuidado de selecionar corretamente cada caso para não deixar margens cirúrgicas positivas (tumor residual) após o procedimento, pois isso pode afetar adversamente os resultados de cura. A maioria dessas cirurgias são realizadas por via minimamente invasiva, seja por via laparoscópica exclusiva ou com auxílio de robôs.
Outra modalidade de tratamento é a ablação térmica percutânea, em geral, crioterapia ou a radiofrequência, ambas consideradas boas opções para casos de cânceres renais pequenos. Raramente pode-se utilizar a radioterapia estereotáxica, uma técnica que utiliza radiação de alta precisão ou vigilância ativa, mais comum para os casos que não são elegíveis ao tratamento cirúrgico.
Para os pacientes com a doença de maior volume ou agressividade, que, em geral, são submetidos à nefrectomia radical, recomenda-se o uso de imunoterapia após a cirurgia (adjuvante) para casos selecionados. Já nos casos metastáticos, as terapias sistêmicas com agentes imunoterápicos e inibidores da tirosina-quinase são recomendadas.
De acordo com o Dr. Sadi, “a detecção precoce é a maior aliada do paciente. Nesse sentido, as campanhas de conscientização têm um papel importantíssimo ao alertar a população sobre a doença e seus impactos na saúde a curto e longo prazo.”
