Cardiologista alerta para os riscos da imobilidade prolongada durante a maratona de viagens entre as sedes do Mundial
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A jornada para acompanhar a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 exigirá dos torcedores muito mais do que disposição para torcer. Com sedes espalhadas por três países, a maratona de voos longos e deslocamentos aéreos frequentes acende um alerta para a Trombose Venosa Profunda (TVP). O problema que ocorre quando o sangue forma um coágulo nas veias profundas, geralmente nas pernas, pode ser evitado com planejamento e medidas simples de bem-estar durante o trajeto.
O cardiologista da Kora Saúde, Dr. André Brandão, em Vitória/ES, explica que o coração e o sistema circulatório sentem os efeitos da imobilidade prolongada em cabines pressurizadas. Segundo ele, “quando passamos muitas horas sentados, a falta de atividade muscular nas pernas dificulta o retorno do sangue, o que pode levar ao inchaço e à formação de trombos. Em casos mais graves, esse coágulo pode se desprender e atingir os pulmões, reforçando a importância de o torcedor estar atento aos sinais do corpo desde o primeiro embarque”.
Para garantir que a viagem seja tranquila, o especialista recomenda que o passageiro transforme o tempo de voo em um momento de cuidado ativo, e orienta a ingestão abundante de água para manter a fluidez do sangue e a realização de exercícios leves com os pés e pernas, mesmo sem sair do assento. “Essas pequenas pausas para movimento e a escolha por roupas que não comprimam o corpo são estratégias fundamentais para que o torcedor chegue ao seu destino com a saúde cardiovascular protegida e pronto para a festa nos estádios”, orienta o médico, destacando uma check-list de viagem, com dicas importantes para uma viagem tranquila. Confira:
- Mantenha a “bomba das pernas” ativa – A panturrilha funciona como um segundo coração, ajudando a empurrar o sangue de volta para cima. Mesmo sentado, você deve movimentar os pés como se estivesse acelerando um carro ou fazendo círculos com os tornozelos a cada hora. Isso estimula a contração muscular e impede que o sangue fique parado, o que é a principal causa dos coágulos.
- Hidratação é combustível circulatório – O ar seco da cabine do avião favorece a desidratação, o que torna o sangue mais “espesso” e difícil de circular. Beber água regularmente e evitar o excesso de álcool ou cafeína, que desidratam o corpo, mantém o volume sanguíneo ideal e facilita o trabalho do sistema cardiovascular durante longos períodos de repouso.
- Atenção ao vestuário e pausas de movimento – Evite calças jeans muito apertadas ou meias com elásticos fortes que marquem a pele, pois elas funcionam como um garrote, dificultando a passagem do sangue. Sempre que o aviso de cintos estiver desligado, aproveite para caminhar pelo corredor por cinco minutos. Esse simples deslocamento é suficiente para reativar toda a circulação sistêmica e reduzir a pressão nas veias das pernas.
