Com o avanço da tecnologia dos implantes, a corrida não é mais um tabu para pacientes de prótese total de quadril, mas exige preparo muscular e reabilitação rigorosa
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A possibilidade de retornar a atividades de alto impacto, como a corrida, após uma artroplastia total do quadril (prótese de quadril) tem sido uma área de debate na ortopedia há muitos anos. Embora a crença popular seja de que a prática de corrida deva ser abandonada, o avanço nos materiais modernos permite uma visão mais otimista e flexível, exigindo, no entanto, um protocolo seguro e individualizado de retorno.
Historicamente, a prática de atividades de alto impacto estava ligada à aceleração do desgaste dos implantes de gerações anteriores. Com a tecnologia das próteses modernas, as evidências científicas não demonstram mais esse risco. Atualmente, não há um consenso ou recomendações cirúrgicas padronizadas sobre quais pacientes e qual o momento exato em que os pacientes podem voltar a correr.
Um estudo internacional publicado recentemente no The Lancet, uma das mais respeitadas revistas científicas do mundo, reforça a segurança e a durabilidade da artroplastia total do quadril — procedimento amplamente utilizado para tratar dores e limitações no quadril causadas por diferentes fatores, como artrose, displasia, trauma, osteonecrose.
A pesquisa analisou dados de registros globais de pacientes submetidos a cirurgia de prótese total do quadril moderna, com mais de 1,9 milhão de próteses avaliadas, e analisando a evolução e sobrevida das próteses por até 30 anos. Os resultados mostram taxas de sobrevida superiores a 92% nesse período, independentemente do tipo de superfície de contato utilizada, entre elas, a cerâmica e o polietileno de alta tecnologia.
Além disso, estudos clínicos apontam que a artroplastia total do quadril é um procedimento altamente bem-sucedido: pacientes submetidos à cirurgia relatam uma taxa de satisfação acima de 95%, retomando plenamente suas atividades sociais, de trabalho, lazer e prática esportiva, incluindo a corrida.
O caminho para o retorno a corrida – De acordo com o Dr. Thiago Fuchs, médico ortopedista especialista em cirurgia de joelho e quadril, em Curitiba/PR, o retorno a prática esportiva é um objetivo fundamental do tratamento para devolver qualidade de vida e mobilidade. Segundo ele, “com a qualidade dos implantes, robótica e o planejamento personalizado que temos hoje, o retorno à corrida é uma realidade para muitos pacientes, mas nunca sem os cuidados e reabilitação adequada”.
A decisão, afirma, deve ser individualizada, considerando que a estabilidade da prótese, qualidade óssea e o preparo muscular são cruciais para a durabilidade da prótese e a segurança do paciente”.
Para garantir um retorno seguro, o momento ideal para começar a correr depende da combinação de fatores, como o tempo de recuperação, força muscular, flexibilidade, equilíbrio e coordenação.
Preparo e segurança – A preparação física é indispensável. Nesse sentido, o Dr. Thiago ressalta a importância de fortalecer o complexo do quadril. Entre as recomendações estão o fortalecimento dos músculos glúteos (máximo, médio e mínimo) – essenciais para absorver o peso e estabilizar a pelve durante o impacto. “Os músculos do CORE, lombar, quadríceps e isquiotibiais fortes também são vitais para sustentar as articulações do quadril e joelho”, ressalta o médico.
Outra recomendação para o retorno à prática de corrida após a prótese é iniciar em superfícies macias e com “intervalos leves”, alternando um minuto de corrida leve com um a dois minutos de caminhada. “A quilometragem deve ser construída lentamente”, completa o cirurgião.
Se o paciente sentir qualquer dor intensa e aguda na articulação do quadril, virilha, glúteos ou na coxa, deve parar imediatamente. Se a dor persistir ou causar claudicação (mancar) ao caminhar, o contato com o cirurgião deve ser imediato
