A condição é responsável por cerca de 120 mil internações por ano no país, muitas delas associadas à falta de controle adequado da doença.
Foto-crédito: Freepik
No mês de maio, marcado pelo Dia Mundial da Asma, especialistas chamam atenção para o impacto das exacerbações (crises agudas) no sistema de saúde brasileiro. Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, o SIH/SUS, mostram que a asma é responsável por cerca de 120 mil internações por ano no país, muitas delas associadas à falta de controle adequado da doença.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta aproximadamente 20 milhões de brasileiros. Não tem cura e pode se manifestar por sintomas como falta de ar, chiado no peito e tosse. Quando não controlada, a condição pode evoluir para crises agudas que, frequentemente, demandam atendimento de urgência e, dependendo do caso, à hospitalização.
Apesar dos avanços no manejo da doença, o cenário ainda é desafiador. Crianças, idosos e populações em situação de maior vulnerabilidade estão entre os mais impactados pelas internações relacionadas à asma. Os atuais desafios do cenário de asma no Brasil são a educação continuada para especialistas e profissionais de saúde da atenção básica, a disponibilização das medicações – que são indicadas no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde – podendo ou não estar no Farmácia Popular, e que almejam o controle dos sintomas e o risco futuro de exacerbações, a adesão ao tratamento adequado e a capacitação de profissionais para identificar e tratar a asma grave.
A asma grave, embora represente uma parcela menor dos casos, está associada a uma carga significativamente maior de morbidade, mortalidade e custos para o sistema de saúde. Pacientes com esse perfil apresentam exacerbações frequentes, maior risco de hospitalizações, uso recorrente de corticosteroides sistêmicos, piora da função pulmonar e doença não controlada, o que pode acarretar impactos clínicos relevantes ao longo do tempo. Além de os custos por paciente com asma grave podendo ser até dez vezes superiores aos custos por enfermo com a forma leve ou moderada da doença.
Doença complexa e necessidade de controle – De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – Regional Vale do Paraíba/Taubaté/SP, o pneumologista Dr. José Roberto Megda,“a asma é uma doença complexa, que exige acompanhamento contínuo e uma abordagem individualizada. Quando não controlada, pode impactar significativamente a maior qualidade de vida e levar a exacerbações graves”.
Os avanços na compreensão dos mecanismos inflamatórios da doença têm possibilitado o desenvolvimento de terapias mais direcionadas, afirma o médico, especialmente para pacientes com asma grave não controlada. Essas abordagens atuam em diferentes vias da inflamação e têm demonstrado reduzir exacerbações, hospitalizações e a necessidade de uso de corticosteroides orais.
Nesse contexto, o diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para evitar a progressão da doença, perda de função pulmonar e reduzir o risco de complicações. Estratégias que incluem educação em saúde, adesão ao tratamento e acompanhamento regular são essenciais para alcançar o controle sustentado da asma, destaca.
Avanços no cuidado e impacto no sistema de saúde – A adoção de diretrizes clínicas baseadas em evidências e o fortalecimento das linhas de cuidado podem contribuir para transformar o cenário do cuidado da asma no Brasil. A atualização do PCDT de asma representa um avanço importante ao se alinhar com diretrizes clínicas globais, como a Iniciativa Global para a Asma – GINA, e ampliar as opções terapêuticas disponíveis no sistema público de saúde, que podem levar a uma diminuição nos custos com aquisição de medicamentos e maior intervalo de aplicação de doses.
“O objetivo do tratamento da asma é prevenir exacerbações e garantir o controle da doença a longo prazo. Para isso, é essencial promover uma abordagem integrada do cuidado e ampliar o acesso às terapias adequadas”, destaca Dr. Megda.
O fortalecimento de políticas públicas voltadas à prevenção, diagnóstico e tratamento da asma, acrescenta, “é fundamental para reduzir o número de internações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Ao mesmo tempo, a incorporação de inovações em saúde tem potencial para contribuir com sistemas de saúde mais eficientes e sustentáveis, reduzindo a carga assistencial associada às exacerbações”.
