Disfunção erétil leva homens ao consultório, mas diagnóstico costuma revelar obesidade, diabetes e hipertensão

Dificuldades na vida sexual frequentemente são o primeiro sinal de problemas metabólicos e cardiovasculares ainda desconhecidos pelos pacientes

Foto-crédito: Envato/Divulgação

Muitos homens procuram atendimento médico motivados por um problema aparentemente restrito à vida sexual: a dificuldade de manter ou alcançar uma ereção. No entanto, durante a investigação clínica, é comum que o diagnóstico revele condições muito mais amplas, como obesidade, diabetes, hipertensão, colesterol elevado e até transtornos relacionados à saúde mental.

Segundo o urologista e especialista em saúde masculina, Dr. Ruimário Coelho, em Curitiba/PR, a disfunção erétil raramente deve ser analisada de forma isolada. “Muitas vezes o paciente procura atendimento por causa da disfunção erétil e, durante a investigação, acabamos identificando obesidade, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, além da necessidade de encaminhamento para outras especialidades. Quando tratamos essas condições de forma integrada, a melhora acontece em diversos aspectos da saúde, inclusive na função sexual”, explica.

Nos últimos anos, a procura masculina por atendimento médico tem aumentado. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) apontam crescimento de 49,96% nas consultas. Apesar desse avanço, os homens ainda vivem, em média, sete anos menos que as mulheres no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), reflexo de um histórico de menor adesão aos cuidados preventivos.

Para o especialista, o aumento da procura está diretamente ligado à preocupação crescente com qualidade de vida e envelhecimento saudável. Ainda assim, muitos pacientes continuam adiando a consulta até que os sintomas passem a comprometer o dia a dia.

“Percebemos uma mudança importante. Hoje existe uma geração mais preocupada com bem-estar, disposição e qualidade de vida. Isso fez aumentar a procura por avaliações de saúde e acompanhamento médico. Mas ainda estamos longe do ideal. Muitos homens só procuram ajuda quando o problema já interfere na rotina ou nos relacionamentos”, afirma.

Além da disfunção erétil, queixas como queda da libido e dúvidas sobre reposição hormonal costumam estar entre os principais motivos que levam homens ao consultório. Para o médico, esses sintomas funcionam como um alerta para investigar a saúde como um todo, em vez de buscar apenas uma solução imediata.

“A função sexual é um reflexo da saúde geral. Quando existe obesidade, diabetes descontrolada, hipertensão ou alterações hormonais, o organismo começa a dar sinais. A disfunção erétil pode ser um desses primeiros alertas”, destaca. Por isso, acrescenta o médico, “o tratamento vai muito além da prescrição de medicamentos. Mudanças no estilo de vida, controle do peso, alimentação adequada, atividade física, sono de qualidade e acompanhamento médico regular fazem parte da estratégia para recuperar a saúde e prevenir complicações futuras”.

Conforme o Dr. Ruimário enfatiza, “o homem não deve esperar que o problema se agrave para procurar ajuda. Quanto antes a investigação for realizada, maiores são as chances de identificar doenças precocemente e iniciar o tratamento no momento certo, preservando a qualidade de vida e a saúde ao longo dos anos.”

Sair da versão mobile