Doenças oculares podem evoluir sem sintomas e levar à perda de visão

Condições como catarata, glaucoma, erros de refração e doenças da retina estão entre as principais causas.

Crédito-foto: Magnific

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,2 bilhões de pessoas no mundo vivem com algum grau de deficiência visual. Em aproximadamente metade dos casos, a perda de visão poderia ter sido evitada ou ainda não foi tratada. No Brasil, estudos indicam que a maioria dos casos de cegueira está relacionada a condições evitáveis ou reversíveis, como catarata e erros de refração não corrigidos.

O Hospital das Clínicas da UFMG, integrante da Rede HU Brasil, disponibiliza atendimento especializado em Oftalmologia por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). O coordenador do Serviço de Oftalmologia do HC-UFMG/HU Brasil, o Dr. Daniel Vitor, em Belo Horizonte/MG, destaca que as alterações mais comuns são os erros refracionais, como miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia (vista cansada), além de condições como conjuntivites, alergias oculares e síndrome do olho seco. Embora frequentes, essas doenças costumam ser corrigidas com óculos, lentes de contato ou tratamento clínico, sem risco de perda visual definitiva.

A catarata também está entre as principais causas de deficiência visual, especialmente em pessoas com mais de 50 anos. Daniel explica que, na maioria dos casos, o tratamento cirúrgico é eficaz e permite recuperação da visão.

Já as doenças capazes de provocar perda visual permanente e que variam conforme a faixa etária são as que mais preocupam. Na infância e adolescência, ele cita malformações oculares, traumas e infecções congênitas, com destaque para a toxoplasmose. “Entre as infecções congênitas, a toxoplasmose merece atenção especial, pois pode causar lesões na retina em até 80% dos bebês acometidos”, alerta.

Na vida adulta, a principal causa de cegueira irreversível é a retinopatia diabética, associada ao tempo de doença e ao controle inadequado da glicemia. Já entre idosos, destacam-se a degeneração macular relacionada à idade, que afeta a visão central, e o glaucoma, doença silenciosa que provoca perda progressiva do campo visual periférico. Conforme destaca, “o glaucoma é um exemplo clássico de doença silenciosa. Os sintomas surgem apenas em fases avançadas, quando já há perda visual irreversível.”

Doenças sistêmicas – Diabetes, hipertensão, doenças autoimunes e infecções são algumas doenças sistêmicas que podem se manifestar nos olhos. Em alguns casos, o exame oftalmológico pode contribuir para o diagnóstico de condições gerais do organismo. O oftalmologista reforça que o diagnóstico precoce é fundamental para preservar a visão, especialmente em doenças assintomáticas nas fases iniciais, por isso mesmo a importância do acompanhamento periódico.

A frequência das consultas deve ser individualizada, considerando idade, doenças associadas, histórico familiar e uso de medicamentos. Mesmo sem sintomas, a avaliação regular permite identificar alterações precoces e reduzir o risco de cegueira. Entre os sinais de alerta que exigem atendimento imediato estão perda súbita da visão, dor ocular intensa, vermelhidão importante, visão dupla, alterações no campo visual e surgimento de manchas escuras.

O especialista reforça ainda que hábitos de vida saudáveis contribuem para a saúde ocular, como alimentação equilibrada, atividade física, hidratação adequada e proteção contra a radiação ultravioleta. Também alerta para riscos evitáveis, como automedicação com colírios, especialmente os que contêm corticoides, que podem favorecer o desenvolvimento de glaucoma e catarata. Outro cuidado importante é evitar o hábito de coçar os olhos, que pode causar lesões na superfície ocular e contribuir para doenças como o ceratocone.

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