A cefaleia pode estar associada a condições neurológicas graves. Diagnóstico precoce evita complicações e garante tratamento adequado
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A cefaleia, popularmente conhecida como dor de cabeça, atinge cerca de 95% da população em algum momento da vida, segundo a Academia Brasileira de Neurologia. Apesar de ser um sintoma comum de que algo não vai bem no nosso organismo, especialistas alertam que alguns sinais podem indicar condições potencialmente graves, exigindo avaliação médica imediata.
A dor de cabeça também é um dos principais, mas não único, sintomas da enxaqueca, uma doença neurológica crônica, de causa hereditária e sem cura, que acomete 15% da população mundial, de acordo com a OMS. No Brasil, estima-se que cerca de 30 milhões de pessoas convivam com a doença.
Embora a cefaleia esteja presente em quase a totalidade dos pacientes durante as crises de enxaqueca, ela também pode ter outras causas secundárias e se manifestar de diferentes formas, incluindo quadros agudos, crônicos ou até em salvas.
“A cefaleia em salvas é um tipo de dor extremamente intensa, sempre de um lado da cabeça, geralmente ao redor do olho, acompanhada de lacrimejamento e congestão nasal. As crises podem durar de 15 a 40 minutos, chegando a até duas horas, e podem ocorrer várias vezes ao dia, o que reforça a necessidade de diagnóstico correto e acompanhamento especializado”, explica a neurologista Dra.Thais Villa/São Paulo/SP, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, cefaleia em salvas (o termo “salvas” refere-se à forma como a cefaleia ataca: em surtos ou “rajadas”, crises diárias de dor excruciante e recorrente em apenas um dos lados da cabeça) e outras cefaleias.
O principal ponto de atenção, no entanto, está nos sinais de alerta que indicam que a cefaleia pode ser algo mais grave. Uma dor de cabeça de início súbito e intensa, frequentemente descrita como a pior da vida, deve ser tratada como emergência, especialmente quando surge sem histórico prévio ou apresenta piora rápida. Nesses casos, é fundamental procurar o pronto atendimento para investigação imediata, já que pode haver risco de condições graves, como rompimento de aneurisma cerebral ou meningite.
“Outro sinal importante de alerta é a recorrência das dores, especialmente quando interferem na rotina. Se a pessoa apresenta três ou mais episódios de dor de cabeça por mês, por mais de três meses, é recomendada avaliação com neurologista. Mesmo quando não há sinais de gravidade imediata, a persistência do sintoma não deve ser ignorada, pois pode indicar enxaqueca não diagnosticada ou mal controlada”, orienta Thais Villa.
A cronificação da enxaqueca, que pode ocorrer com o uso frequente de analgésicos e anti-inflamatórios, também merece atenção. Embora proporcionem alívio momentâneo, esses medicamentos não tratam a causa do problema e podem aumentar a frequência, a intensidade e a duração das crises ao longo do tempo.
Além disso, fatores como alimentação podem atuar como gatilhos e agravantes em cérebros mais sensíveis, especialmente substâncias estimulantes, como cafeína, alimentos termogênicos (gengibre, cúrcuma e canela) e o glutamato monossódico presente em produtos industrializados como shoyu, temperos prontos, biscoitos e salgadinhos.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da enxaqueca. O cuidado deve ser integrado e multidisciplinar com o objetivo de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Entre as abordagens terapêuticas mais modernas para o manejo da enxaqueca, destaca a médica, “estão a toxina botulínica e os anticorpos monoclonais anti-CGRP, que têm demonstrado eficácia no controle da doença”. Nesse sentido, enfatiza, “reconhecer quando a dor de cabeça foge do padrão habitual é essencial para evitar complicações e garantir segurança ao paciente”.
