Crédito-imagem de Mohamed Hassan por Pixabay
A mais intensa e incapacitante entre as cefaleias (termo médico para dor de cabeça) surge de forma súbita e alcança o pico da dor em poucos minutos. A cefaleia em salvas afeta cerca de 8 milhões de pessoas no mundo, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia. No entanto, até obter o diagnóstico correto, muitos pacientes enfrentam uma verdadeira peregrinação por diferentes especialidades médicas, passando por diversas consultas, até finalmente chegar ao neurologista, o profissional mais capacitado para reconhecer a condição e conduzir o tratamento de forma adequada e assertiva.
Há mais de 20 anos, a neurologista Dra. Thais Villa, de São Paulo/SP, dedica-se exclusivamente ao diagnóstico e tratamento da enxaqueca e ao estudo e cuidado de pacientes com dor de cabeça. Para sanar dúvidas, a médica responde a seguir as cinco principais perguntas sobre a cefaleia em salvas:
1) O que é a cefaleia em salvas? – A cefaleia em salvas é uma apresentação de dor de cabeça em que a pessoa tem períodos limitados de crises muito severas, várias vezes ao dia, durante um período determinado que pode ser de semanas até meses. Essas crises podem se repetir a cada ano ou duas vezes no ano e, depois, essas crises autolimitadas param de acontecer. O problema é que são crises muito severas. Então, mesmo que elas aconteçam por 15 dias ou por um mês, a dor é excruciante e limita completamente a atividade da pessoa.
2) Quais as principais características da condição? – A cefaleia em salvas caracteriza-se por uma dor unilateral, que se manifesta sempre do mesmo lado da cabeça (raramente apresentando alternância entre os lados). Com dor ao redor dos olhos e, principalmente, na têmpora. É uma dor excruciante com duração curta de 30 a 40 minutos. Diferente da enxaqueca, as pessoas tendem também a apresentar uma agitação extrema, olhos vermelhos, lacrimejamento ocular, narinas entupidas do mesmo lado da dor de cabeça. As características da cefaleia em salvas são bastantes típicas e a severidade é realmente muito intensa.
3) É verdade que a cefaleia em salvas é mais comum em homens? – Sim, a explicação que se sabe até hoje é por motivo de uma combinação de fatores biológicos, hormonais e comportamentais, e também relação com o tabagismo. É comum quem tem cefaleia em salvas ter enxaqueca também, inclusive com aura, que são sintomas neurológicos positivos, como alterações visuais, flashes, pontos escuros e luminosos, embaçamento visual ou mesmo com perdas momentâneas de audição ou olfato.
4) Como é feito o diagnóstico? – Não existe exame que demonstre a cefaleia em salvas. O diagnóstico é totalmente clínico, realizado por um médico especialista para reconhecer o quadro. Por se apresentar em espaçamento de tempo mais longo e por ter características diferentes e muito específicas, o diagnóstico acaba sendo tardio, apesar de existir um tratamento de prevenção.
5) Prevenção e tratamento – A indicação para o paciente sair mais rapidamente do período de salvas é o procedimento de bloqueio anestésico, que pode ser em períodos próximos e seriados, além do uso de oxigênio durante as crises para evitar a medicação com analgésicos, que não são indicados para os pacientes com essa condição e podem postergar a duração das salvas. Existem tratamentos preventivos à base de medicações, atualmente usamos medicamentos anti-CGRP, aprovado em estudos para esse tipo de doença.
De acordo com a neurologista, o importante é que o paciente procure rapidamente o serviço especializado e tenha uma avaliação que também considere hábitos, como o tabagismo, e, principalmente, a instituição do tratamento para evitar que a salva se torne crônica.
As crises, afirma, podem complicar e, em vez de vir em momentos espaçados, podem nunca mais passar. “Já atendemos vários casos em que o paciente entra numa salva de crises que nunca mais terminam, tornando a doença crônica e diária”, relata. Por isso, se a pessoa tiver qualquer tipo de dor de cabeça com as características da cefaleia em salvas, a orientação é que busque urgente o atendimento especializado.
