Por Dr. Walter Pace: presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Personalizada – SBMP, professor Doutor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – FCMMG, titular da Academia Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e da Academia Mineira de Medicina
Com a evolução da medicina, especialmente da medicina personalizada, fica cada vez mais clara a importância da formação do ginecologista na área da endocrinologia, na atenção à saúde da mulher contemporânea. A ginecologia e a endocrinologia caminham lado a lado, principalmente em questões relacionadas a hormônios femininos, ciclo menstrual, fertilidade e menopausa, doenças endócrino dependentes, entre outras áreas afins.
Muitas pacientes nos procuram no consultório com dúvidas sobre Terapia de Reposição Hormonal, sangramento uterino, menopausa, TPM, endometriose, mama, o que exige um olhar profundo do ginecologista, aliado à endocrinologia feminina, que integra a formação desse especialista na faculdade e em conceituadas especializações.
Do ponto de vista endócrino, a vida da mulher é regida pelo eixo hipotálamo-hipófise ovariano, que age na produção de estrogênio, progesterona e testosterna.
As fases da mulher compreendem: infância (repouso hormonal), puberdade (primeira menstruação), fase reprodutiva (ciclos regulares), gestação/lactação (perfil hormonal voltado para o feto), climatério/perimenopausa (queda progressiva dos hormônios), e a menopausa/pós-menopausa, que é falência ovariana. Cada uma dessas fases gera na mulher dúvidas e angústias diferentes. Nesse sentido, é muito importante uma formação atualizada do ginecologista, em compasso com as tendências comprovadas em estudo pelo mundo moderno da medicina.
Questões que se colocam quotidianamente na saúde da mulher, como, endometriose, ovário policístico, mama, reposição hormonal, levam para a medicina personalizada, fundamental para o êxito do atendimento médico, pois cada paciente é única.
Hoje sabemos que pacientes diferentes respondem de maneiras diferentes aos mesmos tratamentos. A mulher, por exemplo, desde a puberdade até a menopausa, apresenta perfis hormonais diferentes ao longo de sua vida. Até mesmo dentro de um mesmo ciclo menstrual ocorrem variações importantes, e não podemos desconsiderar essas diferenças. Hoje uma das principais evoluções da medicina moderna é o reconhecimento da individualidade biológica e genética.
Mulheres com endometriose, por exemplo, que representam um número expressivo no país, além daquelas com adenomiose, sangramento uterino anormal e outras condições hormonais, dependem de estratégias terapêuticas individualizadas para recuperar sua qualidade de vida.
A busca por tratamentos cada vez mais personalizados não surgiu agora. O Brasil ocupa lugar de destaque nessa trajetória, graças ao trabalho pioneiro do saudoso Professor Elsimar Coutinho, médico e pesquisador reconhecido internacionalmente por suas contribuições à reprodução humana, à contracepção, à saúde da mulher e às terapias hormonais. Desde a década de 1960, as pesquisas do Professor Elsimar ajudaram a ampliar o conhecimento sobre métodos hormonais de longa duração, além de abrir caminho para abordagens terapêuticas mais adaptadas às necessidades individuais de cada paciente. Não podemos esquecer desse avanço, já naquela época, da maior importância da medicina brasileira.
Hoje, esse conhecimento abre novas portas na assistência às diversas condições da saúde da mulher, elevando o tratamento à condição individualizada. A ginecologia e a endocrinologia caminham lado a lado nessa nova medicina focada na individualidade dos pacientes.
