O desconhecimento sobre o tema faz com que muitos homens convivam com os sintomas sem perceber que precisam de ajuda
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A chegada de um filho costuma ser cercada por expectativas, mas também representa uma das maiores mudanças na vida de uma família, podendo ocorrer sentimentos ambivalentes, com momentos de alegria e outros de preocupações. Enquanto a saúde mental materna recebe cada vez mais atenção, um problema ainda pouco conhecido pode afetar os homens nesse período: a depressão pós-parto paterna.
Pesquisas recentes mostram que o nascimento de um bebê também pode desencadear sofrimento emocional nos pais. Um estudo publicado em 2026 por pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, identificou que o risco de desenvolver transtornos depressivos aumenta ao longo do primeiro ano após o nascimento da criança, especialmente entre os três e seis primeiros meses de vida do bebê. Os pesquisadores defendem que os serviços de saúde ampliem o acompanhamento da saúde mental dos pais durante o pré-natal e o puerpério, assim como já ocorre com as mães.
O percentual de pais que desenvolve a condição nessa fase pode ser ainda maior quando a mãe também apresenta depressão pós-parto ou quando existem fatores como privação de sono, dificuldades financeiras e ausência de rede de apoio. Segundo Ana Carolina Lange, professora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, o desconhecimento sobre o tema faz com que muitos homens convivam com os sintomas sem perceber que precisam de ajuda. “A sociedade costuma enxergar o pai como aquele que deve oferecer apoio emocional e estabilidade para a família. Isso faz com que muitos homens escondam o sofrimento por acreditarem que precisam demonstrar força o tempo todo. O problema é que a depressão não desaparece quando é ignorada”, alerta.
O que é a depressão pós-parto paterna? – A depressão pós-parto paterna é um transtorno mental que pode surgir durante a gestação da parceira ou nos meses seguintes ao nascimento do bebê. “Diferentemente das mães, a condição não está relacionada às alterações hormonais típicas do pós-parto, mas às intensas mudanças emocionais, familiares e sociais vividas nesse período”, destaca Ana Carolina.
Entre os principais fatores de risco estão: privação constante de sono, aumento das responsabilidades familiares, pressão financeira, histórico de ansiedade ou depressão, conflitos conjugais e depressão pós-parto materna.
Em vez do choro frequente, homens costumam apresentar irritabilidade, impaciência, isolamento e mudanças de comportamento. A especialista esclarece que os principais sinais incluem:
• irritabilidade constante;
• explosões de raiva;
• sensação de vazio ou desesperança;
• perda de interesse por atividades antes prazerosas;
• dificuldade para criar vínculo com o bebê;
• excesso de trabalho como forma de evitar o ambiente familiar;
• alterações no sono e no apetite;
• dificuldade de concentração;
• consumo aumentado de álcool ou outras substâncias;
• doenças psicossomáticas
• sensação de incapacidade como pai.
Além de afetar a qualidade de vida do pai, a depressão pós-parto pode comprometer a dinâmica familiar e o desenvolvimento infantil. A depressão reduz energia, motivação e capacidade de interação. Quando tratada precocemente, é possível fortalecer o vínculo familiar e evitar impactos que podem se prolongar por toda a infância.
Quando procurar ajuda? – A especialista aponta que sentir medo, insegurança ou ansiedade diante da chegada de um filho é esperado. “O sinal de alerta surge quando esses sentimentos persistem por semanas, tornam-se intensos ou começam a interferir na rotina, no relacionamento com a família e no cuidado com o bebê.
Uma das formas de prevenção ao adoecimento emocional dos pais antes mesmo do nascimento do bebê é participar de programas de preparação emocional para a maternidade e paternidade, como o pré-natal psicológico que é um novo conceito em atendimento perinatal voltado para maior humanização do processo gestacional e do parto e da parentalidade.
Caso já apresente os sintomas de depressão pós-parto o tratamento pode envolver psicoterapia, fortalecimento da rede de apoio, reorganização da rotina e, quando necessário, acompanhamento psiquiátrico.
