Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia realiza primeiro transplante alogênico de medula óssea

Transplante conta com medula de um doador e pode auxiliar pacientes com doenças no sangue, como as leucemias e os linfomas
Foto- Crédito: Maria Carolina Frigo Maschio.
O Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou o primeiro transplante de medula óssea (TMO) alogênico, feito com a medula de uma doadora. O primeiro receptor passou pelo processo de condicionamento e recebeu a medula de sua irmã no dia 04 de fevereiro.
O HC-UFU teve seu credenciamento aprovado pelo Ministério da Saúde para a realização de transplantes alogênicos no segundo semestre do ano passado (2025). No início de 2026, todos os processos de padronização e as solicitações necessárias para a realização do primeiro transplante alogênico foram concluídos.
O HC-UFU já era habilitado para realizar o transplante autólogo, que possibilita a melhora do paciente através da regeneração das próprias células, desde 2019. Em 2024, o HC-UFU atingiu o marco de mais de 100 transplantes autólogos realizados. O número cresceu. Em 2025, 152 transplantes autólogos foram realizados.
O primeiro transplante alogênico contou com a participação e apoio de enfermeiros especialistas em transplante de medula e médico hematologista do Hospital Beneficência Portuguesa (BP), parceiro do HC-UFU no Projeto TMO Brasil, vinculado ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS).
Segundo o INCA, o transplante de medula alogênico é proposto em casos de doenças que afetam as células do sangue, como a anemia aplástica grave – caracterizada pela falta de produção de células do sangue na medula óssea; como mielodisplasias e alguns tipos de leucemias (tipo de câncer que compromete os leucócitos, afetando sua função e velocidade de crescimento).
“Nossa projeção é realizar, em média, aproximadamente 10 transplantes alogênicos ao longo deste ano, mantendo, de forma concomitante, a execução dos transplantes autólogos. Para tanto, dispomos de uma equipe multiprofissional altamente capacitada, que atua de maneira integrada em ambas as modalidades de transplante, além de quatro leitos destinados exclusivamente a esses procedimentos, e de um Hospital Dia igualmente dedicado ao transplante de medula óssea”, afirma Dra. Thais Rezende Mendes, chefe do Setor de Cuidados Especializados.
É importante frisar também, ressalta Dr. Elmiro Ribeiro Filho, hematologista no HC-UFU, “que estamos começando a realizar os transplantes alogênicos agora. Então, a gente trabalha basicamente com o transplante alogênico aparentado, que pode ser totalmente compatível ou idêntico. Agora, aquele paciente que precisa de um transplante alogênico, mas não tem um doador familiar, a gente busca um doador no banco. Esse transplante com o doador do banco vai ser um passo futuro, mas para casos selecionados”.
Conforme Dr. Elmiro explica, “todos os pacientes, que nós tratamos aqui no HC-UFU e precisavam fazer o transplante alogênico, a gente conseguia encaminha-los para outros centros. Há cerca de sete anos, a gente tem um vínculo muito forte com o hospital de São José do Rio Preto. Então, mesmo não tendo transplante aqui antes, os pacientes nunca deixaram de ser submetidos ao procedimento, porque dentro do SUS a gente consegue isso. Agora, temos um vislumbre de conforto. O paciente que é de Uberlândia e região não vai precisar ir para São José do Rio Preto e vai ser transplantado aqui mesmo”.

