Visita do então Papa Francisco à instituição deixou legados importantes
Um dos maiores e mais antigos hospitais do Rio de Janeiro, fundado pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, está celebrando os 15 anos da retomada do seu funcionamento e da parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS). “Hoje, o paciente SUS já corresponde a 60% dos nossos atendimentos”, comemora Frei Carlos Burdini, atual diretor geral do Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF), que recebeu este nome em 2011 quando a Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus (ALSF) assumiu a gestão do antigo Hospital da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (VOT).
Conforme recorda Frei Francisco Belotti, fundador e Presidente-Nato da ALSF, “quando chegamos aqui, o hospital operava somente com 10% da sua capacidade, a emergência estava fechada e muitos serviços não funcionavam mais. Graças à Divina Providência e a um convênio com o SUS, via Secretaria do Estado de Saúde do Rio de Janeiro – SES-RJ, conseguimos reerguer esse que é um dos maiores hospitais da cidade”. Na época, conta, a Associação foi convidada pelo Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, a assumir a direção do HSF devido à sua expertise em obras de assistência à saúde – a ALSF administra mais de 80 serviços de saúde em 32 cidades brasileiras e está presente em 5 países, entre hospitais gerais e outros serviços de saúde como ambulatórios médicos e prontos-socorros.
A nova fase do hospital começou com a assinatura de um convênio entre a SES-RJ e a ALSF para a estruturação e atendimento de alguns serviços: hemodinâmica e cirurgia cardíaca, terapia renal substitutiva, cirurgia geral, cirurgia vascular, clínica médica, além do serviço exclusivo para pacientes com HIV (com ambulatório, exames, Day clinic para medicação intravenosa e leitos de internação). Cerca de apenas seis meses após seu início, foi inaugurado na instituição o CETI – Centro Estadual de Trauma do Idoso, atuando como referência clínica e cirúrgica à pessoa idosa com trauma de fêmur e colo do fêmur.
Em menos de um ano de sua inauguração, o hospital iniciou o serviço de transplantes de rim e fígado. Para tanto, a associação destinou as melhores dependências do complexo para os usuários, ofertando UTI com 35 leitos (para pacientes via Central Estadual de Regulação), ambulatório e dois andares exclusivos de quartos individuais de internação. “Hoje, nosso convênio nessa área de transplantes ampliou. Somos referência nacional em transplantes hepáticos e renais e mantemos serviços de cirurgia bariátrica e cardiologia, todos pelo SUS.
Visita e legado do Papa Francisco – Quando ficou determinado que a Jornada Mundial da Juventude 2013 seria no Rio de Janeiro, o então Papa Francisco escolheu visitar algumas obras assistenciais. No roteiro determinado por ele, foi incluído o Hospital São Francisco na Providência de Deus. A visita do Pontífice deixou dois legados: o Polo de Atenção Integral à Saúde Mental (PAI), voltado para o tratamento psiquiátrico em geral, em especial aos dependentes químicos; e o pedido de presença dos frades da Associação na Amazônia. A sugestão do Papa foi transformada em compromisso pelo Frei Francisco Belotti. Dali nasceu o projeto de assistir as comunidades ribeirinhas na Amazônia, no estado do Pará e, posteriormente, 3 unidades de saúde fluvial, os barcos-hospitais.
Do ‘Maracanãzinho’ ao complexo hospitalar – Fundada em 1619, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência inicialmente estabeleceu suas obras religiosas e sociais no Largo da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro, onde em 1763 inaugurou o seu hospital com duas enfermarias. Com a chegada da família Real, em 1808, o número de assistidos cresceu, tendo sido inclusive uma dessas enfermarias destinada exclusivamente para os criados e empregados do Império.
Em 1905, o então prefeito Pereira Passos desapropriou o terreno do hospital para obras do plano de urbanização da cidade. Foi quando a Ordem adquiriu três chácaras na Tijuca e ali começaram a funcionar as enfermarias, ainda nos imóveis já existentes no local. Novas terras foram compradas e, em 1926, foi lançada a pedra fundamental do hospital com a presença do presidente da República Arthur Bernardes.
Em 1933 foi inaugurado o novo hospital da VOT, com a presença do presidente Getúlio Vargas. Sua estrutura era uma modernidade para a época. Para se ter ideia da grandiosidade, com o decorrer dos anos o Centro Cirúrgico foi chamado de ‘Maracanãzinho’, com 9 salas cirúrgicas e capacidade para 50 cirurgias/dia.
Outros destaques foram a Unidade de Cobaltoterapia para tratamento de câncer, técnica importada do Canadá; e a Cardiologia, com equipamentos também vindos do exterior, assim como a estrutura para atendimento em Oftalmologia. Todas as especialidades oferecidas, entre elas, Radiologia, Urologia, Otorrinolaringologia e Fisioterapia, contavam com as mais modernas infraestruturas da época. O hospital, aos poucos, se transformou em um complexo hospitalar com 10 prédios e 45.257m2 de área construída.
