InCor consolida protagonismo na América Latina e reafirma a capacidade do SUS em realizar procedimentos comparáveis aos maiores centros do mundo

InCor-HCFMUSP celebra um marco histórico para a saúde pública e para a medicina brasileira: a realização de 600 transplantes de pulmão. O número consolida o programa como uma das principais referências da América Latina em procedimentos de alta complexidade realizados dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

 Crédito: Divulgação Incor

Mais do que um indicador assistencial, a marca representa décadas de pioneirismo, inovação e evolução da medicina no país. Considerado um dos procedimentos mais complexos da medicina moderna, o transplante pulmonar exige tecnologia avançada, logística altamente especializada e atuação integrada de equipes multidisciplinares.

“Alcançar 600 transplantes representa a consolidação de um trabalho que, ao longo dos anos, transformou diagnósticos graves em novas oportunidades de vida para centenas de pacientes. Esse marco reafirma a excelência assistencial do InCor e demonstra a capacidade do sistema público de oferecer medicina em padrão comparável aos maiores centros internacionais. É um resultado que merece reconhecimento pelo empenho permanente de toda a equipe de Transplante Pulmonar, marcada pelo rigor técnico, dedicação à ciência e compromisso diário com o cuidado aos pacientes”, afirma Prof. Paulo Pêgo Fernandes, Diretor da Divisão de Cirurgia Torácica do InCor e Vice-diretor da FMUSP.

O programa atende principalmente pacientes com doenças pulmonares avançadas e irreversíveis, como fibrose pulmonar, enfisema e fibrose cística, pessoas que, muitas vezes, dependem de oxigênio suplementar para realizar atividades básicas do dia a dia. O impacto do transplante se estende também a familiares e cuidadores, devolvendo autonomia, qualidade de vida e convívio social aos pacientes.

Ao longo dos anos, o programa evoluiu em áreas estratégicas, como manejo intensivo, preservação de órgãos e técnicas de imunossupressão. Atualmente, o Instituto também lidera pesquisas em inovação, incluindo a perfusão pulmonar ex vivo — tecnologia que permite preservar, avaliar e recondicionar pulmões fora do corpo antes do transplante, aumentando significativamente a disponibilidade e a segurança dos órgãos utilizados.

A conquista ocorre em um momento histórico para os transplantes no Brasil. Em 2025, o país registrou mais de 31 mil transplantes realizados, crescimento de 21% em relação aos anos anteriores, consolidando-se como o segundo maior transplantador do mundo em números absolutos. Cerca de 86% dos procedimentos foram financiados pelo SUS.

Em 2026, o ritmo segue acelerado, com mais de 1.100 transplantes realizados apenas nos primeiros meses do ano. Ainda assim, o desafio permanece expressivo: mais de 48 mil pessoas aguardam atualmente na fila por um órgão no país, enquanto a taxa de recusa familiar para doação gira em torno de 45%.

De acordo com o Prof. Paulo Pêgo, muitas famílias desconhecem o processo de doação ou têm dúvidas e inseguranças no momento da decisão. Por isso, afirma, “é essencial falar sobre doação de órgãos de maneira transparente e contínua. Quando as famílias já conhecem o desejo do potencial doador, a chance de autorização aumenta significativamente”.

Conforme enfatiza, “o principal obstáculo continua sendo a falta de informação”.

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