Leucemia: fatores que impactam no enfrentamento da doença

Foto: crédito-Freepik

No Fevereiro Laranja, mês de conscientização sobre a leucemia, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz/SP chama a atenção para os fatores que realmente fazem diferença no enfrentamento da doença: agir no tempo certo, realizar um diagnóstico preciso e garantir acesso ao tratamento adequado.

Dados divulgados no último dia 04 de fevereiro, pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional de Câncer – INCA, apontam que o Brasil deve registrar cerca de 12.220 novos casos por ano no triênio 2026–2028, sendo 6.540 entre homens e 5.680 entre mulheres.

De acordo com o hematologista Philip Bachour, coordenador do Serviço de Transplante de Medula Óssea e Terapia Celular do Hospital Alemão Oswaldo Cruz/SP, “Leucemia não é uma doença única. Existem diferentes tipos, com comportamentos e tratamentos específicos. Por isso, a rapidez na investigação e a definição correta do diagnóstico são determinantes para o sucesso do tratamento”.

Conforme enfatiza, o tempo é um fator decisivo na jornada do paciente com leucemia. O acesso rápido à avaliação especializada e a exames mais precisos permite identificar precocemente a doença e classificar corretamente o tipo de leucemia, é essencial para a definição da estratégia terapêutica.

Atualmente, exames laboratoriais avançados, incluindo análises genéticas e moleculares, possibilitam compreender com maior precisão o perfil da doença. Quando realizados de forma ágil, esses exames transformam o tempo em um aliado, ampliando as chances de seu controle e melhorando os desfechos clínicos.

Diagnóstico ágil – O diagnóstico correto é a base para decisões rápidas e eficazes no tratamento da leucemia. A classificação adequada do tipo da doença permite indicar terapias específicas desde o início e, quando necessário, encaminhar o paciente de forma mais rápida para o transplante de medula óssea. Esse cuidado evita atrasos, reduz o risco de tratamentos inadequados e impacta diretamente a resposta clínica e a qualidade de vida do paciente.

Acesso ao tratamento: avanços e desigualdades – O tratamento da leucemia evoluiu de forma significativa nos últimos anos e, hoje, inclui quimioterapia, terapias-alvo e terapias celulares, de acordo com o perfil de cada paciente. No entanto, o acesso a esses recursos ainda é desigual no Brasil, com diferenças importantes entre o sistema público e o sistema privado de saúde – desigualdade que impacta diretamente os desfechos clínicos.

Um estudo brasileiro publicado em 2024, na revista científica Blood, uma das principais publicações internacionais da American Society of Hematology – ASH, analisou 235 pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA) tratados nos dois sistemas e evidenciou disparidades relevantes. A mortalidade precoce foi de 26,8% no sistema público, contra 9,8% no sistema privado. A sobrevida global mediana foi de sete meses entre pacientes atendidos na rede pública, comparada a 22 meses no sistema privado, além de uma sobrevida livre de progressão significativamente menor no SUS.

Esses dados, afirma o Dr. Philip Bachour, “mostram que o acesso ao diagnóstico adequado e às terapias corretas não é apenas uma questão de estrutura, mas um fator que interfere diretamente na chance de sobrevivência do paciente”.

Os resultados do estudo indicam que fatores como menor acesso a exames moleculares avançados, como painéis de sequenciamento genético – NGS, e a disponibilidade limitada de terapias inovadoras, contribuem para diagnósticos menos precisos e tratamentos menos individualizados no sistema público. Mesmo pacientes mais idosos e com maior número de comorbidades apresentaram melhores desfechos quando tratados em serviços privados, evidenciando o impacto do acesso à estrutura especializada.

Com a campanha “Fevereiro Laranja”, a população tem, assim, a oportunidade de se informar melhor sobre o que realmente importa quando o assunto é leucemia. A ação é também um incentivo à doação de medula óssea, gesto solidário que pode representar a chance de cura para milhares de pessoas.

A doença afeta a produção de glóbulos vermelhos (causando anemia, fadiga, palidez), plaquetas (causando sangramentos, hematomas) e glóbulos brancos (causando infecções). Assim, ao sentir fadiga/fraqueza, febre, infecções frequentes, palidez, hematomas/sangramentos fáceis, perda de peso inexplicada e suores noturnos, procure imediatamente um hematologista.  Ele é o profissional da saúde especializado no diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças do sangue, medula óssea, baço e gânglios linfáticos, além da leucemia.

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