Movimento Memória 60+ propõe nova abordagem para o envelhecimento

A ação quer impactar 2,5 mil idosos com jornada de cuidado integral e acompanhamento ao longo de seis anos

Foto: crédito-Freepik

Envelhecer com saúde, autonomia e autoestima. Essa é a proposta do Movimento Memória 60+, iniciativa acadêmico-científica conduzida no âmbito do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC/FMUSP), que busca transformar a maneira como o envelhecimento é percebido e vivenciado no Brasil.

De acordo com o coordenador do projeto, o professor doutor Alexandre Leopold Busse, “o país está envelhecendo rapidamente, mas ainda não aprendemos, como sociedade, a envelhecer bem, e o Movimento Memória 60+ nasce para mudar essa lógica, colocando o idoso no centro do cuidado e da decisão sobre sua própria saúde”.

Estruturado como uma jornada de cuidado integral, o projeto pretende alcançar 2.500 pessoas com mais de 60 anos na cidade de São Paulo. A iniciativa começa com uma triagem digital, que avalia aspectos como memória, atenção, mobilidade, nutrição e saúde emocional, estimulando o autoconhecimento e o engajamento dos participantes com o próprio cuidado. A partir dessa etapa, 250 idosos serão selecionados para uma experiência presencial imersiva no HC/FMUSP, prevista para outubro de 2026. Durante o encontro, os participantes passarão por avaliações multiprofissionais e por estações de orientação e vivência, que integram saúde física, cognitiva e emocional.


Conforme ressalta a professora Gislaine Gil, também coordenadora desta ação, “o projeto propõe uma mudança de olhar sobre o envelhecimento, que deixa de ser associado apenas a perdas e passa a ser compreendido como uma fase de continuidade, autonomia e possibilidades”.


Além das avaliações clínicas, a proposta inclui experiências voltadas ao bem-estar e à autoestima, reforçando a importância do cuidado integral. A jornada, no entanto, acrescenta a médica, não se encerra no evento presencial: todos os participantes serão acompanhados ao longo de seis anos, com monitoramento digital e reavaliações periódicas.

Nova percepção sobre envelhecimento – Segundo os idealizadores, o objetivo do movimento é gerar impacto tanto individual quanto coletivo, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população idosa e para a construção de uma nova percepção sobre o envelhecimento na sociedade.

O Memória 60+ também abre espaço para a participação de empresas parceiras, que poderão apoiar a iniciativa por meio de ativações e ações voltadas ao autocuidado e ao bem-estar, fortalecendo a conexão com o público 60+ em um projeto de relevância científica e social para marcas que desejam também ir além da comunicação e participar de uma transformação real na vida das pessoas.

“Nosso diferencial da iniciativa está na continuidade. Não se trata de uma ação pontual, pois estamos propondo um acompanhamento de longo prazo, com monitoramento digital e reavaliações periódicas. É uma mudança de paradigma: sair do cuidado reativo para um modelo preventivo, integrado e contínuo”, enfatizam.

Além do enfoque clínico, o projeto incorpora dimensões frequentemente negligenciadas no envelhecimento, como autoestima e bem-estar emocional. “Envelhecer não pode ser sinônimo de perda de identidade. Quando trabalhamos autoestima, autocuidado e pertencimento, estamos também promovendo saúde”, reforçam os coordenadores Alexandre Busse e Gislaine Gil.


Para os organizadores, a expectativa é que o Movimento Memória 60+ contribua não apenas para melhorar indicadores de saúde, mas também para redefinir a forma como o envelhecimento é percebido no país – como uma fase de continuidade, autonomia e novas possibilidades.

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