Novo centro de impressão 3D do INTO reduz tempo de produção de próteses e amplia acesso à reabilitação

A nova prótese da pequena Heloá auxilia em outra realização: a de segurar objetos com as duas mãos
Foto: INTO-Divulgação
O sorriso no rosto da pequena Maria Heloá, de nove anos, não esconde a felicidade de receber a prótese em 3D do jeito que imaginava: toda em detalhes cor de rosa e com a estampa da sua boneca favorita. Diagnosticada ainda na barriga da mãe com malformação congênita, Maria Heloá nasceu sem o antebraço esquerdo. Hoje, ela está entre os primeiros pacientes beneficiados com as próteses produzidas no novo Centro Tecnológico de Impressão 3D e Reabilitação – CENTIR, do Instituto Nacional de Ortopedia e Traumatologia/Rio de Janeiro/RJ.
Em tratamento no Instituto desde 2021, esta é a segunda prótese em 3D de Heloá confeccionada no projeto “Pelas Mãos”, que vem melhorando a qualidade de vida e devolvendo funcionalidade aos pacientes. A primeira foi aos quatro anos de idade, quando, pela primeira vez, uma criança dessa idade recebeu uma prótese no Instituto com esse tipo de tecnologia. À época, graças a essa tecnologia, a pequena realizou o sonho de andar de bicicleta.
Hoje, a nova prótese de Heloá auxilia em outra realização: a de segurar objetos com as duas mãos. A terapeuta ocupacional Sandra Helena Moura, que acompanha a criança desde o início do processo de reabilitação no Instituto, explica o funcionamento do dispositivo. Segundo ela, “a principal diferença é o mecanismo de trava. Com ele, ela consegue segurar objetos e estender o cotovelo sem que o item caia. Agora, vamos treinar esse uso com Heloá, para que entenda melhor o funcionamento da trava. Ela já compreendeu como acionar, mas precisa incorporar o hábito de travar sempre que quiser manter o objeto firme nas mãos”, detalha Sandra.
Outra novidade importante está no processo de fabricação. O CENTIR, como é chamado o novo centro tecnológico, conta com duas impressoras de resina e outras quatro grandes impressoras que, além de permitirem a impressão de grandes formatos – especialmente para membros inferiores – são mais ágeis e produzem materiais com mais resistência e qualidade de acabamento.
Peças que antes levavam até 10 horas para serem finalizadas agora podem ser concluídas em aproximadamente quatro horas. Essa redução no tempo de impressão permite ampliar a capacidade de produção e, consequentemente, o número de pacientes atendidos. Nos últimos três anos, o INTO confeccionou cerca de 70 próteses por meio de impressão 3D; para 2026, a expectativa é triplicar esse número.
Mais do que ampliar o acesso às próteses, o trabalho desenvolvido no Instituto está voltado à reabilitação integral dos pacientes. “Não se trata de entregar apenas uma prótese para o paciente. Nosso objetivo é otimizar sua funcionalidade e desempenho ocupacional e, consequentemente, sua qualidade de vida. Por isso, cada paciente é acompanhado individualmente por uma equipe multidisciplinar ao longo das várias fases da reabilitação”, destaca Sandra.
Novas aplicações da tecnologia 3D – Além de beneficiar pacientes amputados em reabilitação com próteses em 3D, o novo Centro Tecnológico também vai possibilitar a produção de outros dispositivos, como biomodelos e guias cirúrgicos, estruturas que contribuem para o planejamento pré-operatório e aumentam a precisão dos procedimentos. Esses modelos, destaca o diretor do INTO, Dr. José Paulo Gabbi, “permitem uma visualização mais detalhada da anatomia do paciente e, consequentemente, um planejamento cirúrgico mais seguro e personalizado. Com o uso dos biomodelos e guias, conseguimos aumentar a previsibilidade das cirurgias e otimizar os resultados”.




