Os novos avós: envelhecimento ativo transforma a relação entre gerações

Idosos conciliam a convivência familiar com projetos pessoais, atividade física e autonomia

Foto-crédito: Magnific

Quando se pensa em avós, ainda é comum associá-los à imagem de quem dedica boa parte do tempo exclusivamente aos netos e à rotina familiar. Embora esse papel continue sendo essencial, o envelhecimento da população brasileira vem transformando essa realidade. Hoje, muitos homens e mulheres com mais de 60 anos conciliam a convivência com filhos e netos com viagens, prática de atividade física, estudos, trabalho e uma agenda social ativa, mostrando que a longevidade pode ser vivida com autonomia e protagonismo.

Mais do que uma mudança de comportamento, esse novo perfil reflete uma geração que chega à maturidade com maior expectativa de vida, melhores condições de saúde e o desejo de permanecer ativa, independente e socialmente participativa. Segundo o estudo Mercado Prateado Brasil (2024), da consultoria data 8, o Brasil tinha 59 milhões de pessoas com 50 anos ou mais em 2024, o equivalente a 27% da população. Até 2044, esse grupo deverá alcançar 92 milhões de brasileiros, representando cerca de 40% da população nacional.

A partir desse perfil é importante para discutir como a longevidade vem transformando o papel das pessoas idosas na família e na sociedade. Para a geriatra Dra. Fernanda Sperandio/Medsênior, em Vitória/ES, envelhecer com qualidade de vida depende não apenas dos cuidados com a saúde física, mas também da preservação da autonomia, da participação social e dos vínculos familiares.

Segundo ela, “a relação entre avós, filhos e netos fortalece vínculos afetivos, estimula a memória e favorece a socialização. Mas é igualmente importante que a pessoa idosa preserve seus próprios interesses, mantenha uma rotina ativa e continue desenvolvendo projetos pessoais. Envelhecer com qualidade de vida também significa continuar exercendo o protagonismo sobre a própria história.”

Esse equilíbrio também produz efeitos importantes sobre a saúde mental. O convívio entre diferentes gerações ajuda a reduzir o isolamento social, fortalecer os laços afetivos, ampliar o senso de pertencimento e estimular funções cognitivas, desde que seja conciliado com uma rotina que preserve a independência e a individualidade da pessoa idosa.

Uma nova forma de envelhecer – O aumento da expectativa de vida também mudou a forma como a sociedade enxerga a maturidade. A aposentadoria deixou de representar, necessariamente, uma fase de desaceleração para dar espaço a novos projetos, aprendizado contínuo, viagens, atividades físicas e participação social.

Envelhecer com autonomia significa preservar a capacidade de fazer escolhas e manter uma rotina ativa por mais tempo. Nesse contexto, a Dra. Fernanda ressalta a importância da prática regular de atividade física, do acompanhamento preventivo e da participação social ao longo da vida.

“A autonomia é construída no dia a dia. Quanto mais cedo a pessoa incorpora hábitos saudáveis, pratica atividade física e mantém uma vida social ativa, maiores são as chances de envelhecer com independência e qualidade de vida”, destaca.

Conforme destaca a Dra. Fernanda, pequenas atitudes incorporadas à rotina fazem diferença para preservar a independência, a saúde e o bem-estar ao longo dos anos. Confira:

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