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O ex-jogador de basquete Oscar Schmidt morreu no dia 17 de abril, aos 68 anos, em São Paulo. Considerado um dos maiores atletas da história do esporte brasileiro, o “Mão Santa” estava sob cuidados médicos após apresentar um mal-estar no mesmo dia. A causa da morte não foi oficialmente divulgada até a última atualização desta reportagem.
Integrante da seleção brasileira, com 7.693 pontos, disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos — de Moscou-1980 a Atlanta-1996. Com 1.093 pontos, mantém até hoje o recorde de maior pontuador da história do torneio olímpico de basquete.
Nos últimos anos, sua história também foi marcada por uma batalha fora das quadras. Em 2011, o ex-atleta foi diagnosticado com um tumor cerebral, condição que o levou a passar por cirurgias e tratamentos ao longo da década seguinte. Em 2022, anunciou ter concluído o tratamento e recebido alta médica.
Em nota a família relembrou a luta contra o câncer travada pelo atleta ao longo dos últimos 15 anos.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra mais de 11 mil novos casos por ano de tumores do sistema nervoso central — grupo que inclui os cânceres cerebrais. Eles representam cerca de 4% de todos os diagnósticos de câncer no país, mas estão entre os mais desafiadores do ponto de vista clínico.
De acordo com o oncologista Dr. Flávio Brandão, Belo Horizonte/MG, da Oncoclínicas, “apesar de menos frequentes, os tumores cerebrais têm comportamento muitas vezes agressivo e exigem diagnóstico precoce para melhores resultados”. Esses tumores, informa, podem ser classificados como primários — quando se originam no próprio cérebro, ou secundários – quando resultam de metástases de outros órgãos, como pulmão e mama.
“Entre os principais tipos, destacam-se os meningiomas, que surgem nas meninges, e os gliomas, derivados das células da glia. Já o glioblastoma é a forma mais agressiva”, ressalta.
Sintomas e diagnóstico – Um dos principais entraves no enfrentamento da doença é o reconhecimento dos sintomas, que dependem da localização do tumor e podem ser confundidos com outras condições neurológicas. Entre os sinais mais comuns estão:
- dores de cabeça persistentes
- náuseas e vômitos
- convulsões sem histórico prévio
- alterações cognitivas ou de comportamento
- dificuldades motoras ou de fala
“Como esses sintomas são inespecíficos, o diagnóstico pode ser tardio. Por isso, quadros persistentes ou progressivos devem ser investigados com exames de imagem, especialmente a ressonância magnética”, observa Brandão.
Tratamento e avanços – O tratamento depende do tipo, localização e extensão do tumor. Em geral, envolve cirurgia, radioterapia e quimioterapia, além de terapias mais recentes em casos selecionados.
“A cirurgia, quando possível, é a principal estratégia. Mas o cuidado precisa ser multidisciplinar, incluindo reabilitação e suporte ao paciente”, acrescenta o oncologista.
Apesar dos avanços, os índices de sobrevida ainda são limitados, especialmente nos tumores mais agressivos. No caso do glioblastoma, por exemplo, a taxa de sobrevida em cinco anos permanece inferior a 10%.
Legado dentro e fora das quadras – Mais do que números, Oscar Schmidt deixa um legado de protagonismo no esporte e de enfrentamento público de uma doença complexa. Ao longo dos anos, transformou sua experiência com o câncer em uma narrativa de resiliência, aproximando o tema a milhões de brasileiros.
