A cientista Tatiana Sampaio, da UFRJ: quase três décadas de estudos
Foto: Divulgação UFRJ
Uma importante notícia para a saúde de pacientes com lesões na medula óssea tem sido destaque no noticiário brasileiro e em diversos outros países, o que é muito merecido, pois a cientista Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), descobriu uma possível saída para esses pacientes, através da polilaminina, molécula capaz de desenvolver movimentos humanos.
A polilaminina é uma substância desenvolvida a partir da laminina, proteína que já existe no corpo humano e é encontrada em grande quantidade na placenta. Ela é importante para a formação dos tecidos e para o crescimento das células, principalmente durante o desenvolvimento do bebê na gestação.
No sistema nervoso, a laminina ajuda no crescimento dos axônios, que são partes dos neurônios responsáveis por transmitir os impulsos nervosos. Quando ocorre uma lesão na medula, esses axônios podem ser danificados.
A polilaminina é preparada para atuar como um suporte no local da lesão. Ela forma uma espécie de estrutura que ajuda as células nervosas a se reorganizarem. Em estudos, ela se mostrou com potencial para auxiliar na regeneração dos axônios.
Para produzi-la, a laminina é extraída de placentas doadas após o parto. Ela passa por um processo de purificação e é preparada no momento da aplicação cirúrgica. O objetivo é criar um ambiente favorável para a recuperação do tecido nervoso lesionado. (Fonte Educa Brasil)
A substância já foi testada em humano, com ótimo resultado, como é o caso do bancário Bruno Drummond de Freitas, de 32 anos. Em 2018, ele sofreu um acidente de carro que resultou em uma lesão cervical completa, perdendo a função motora e sensorial abaixo do nível da lesão.
Ele se submeteu ao tratamento experimental e duas semanas depois de receber a polilaminina, conseguiu realizar movimento voluntário com o dedo polegar do pé direito. Com muita fisioterapia, ele recuperou a capacidade de andar.
De acordo com a Agência Brasil, a Anvisa autorizou o início de um estudo clínico de fase 1 em humanos para a primeira avaliação oficial da segurança de um tratamento inovador para lesões na medula espinhal, desenvolvido pelo Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, coordenado pela professora Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/UFRJ). O estudo foi priorizado pela Anvisa por se tratar de uma pesquisa de interesse público, considerando seu impacto social e relevância para a saúde, e durou quase três décadas de estudo intenso da pesquisadora e sua equipe.
Nessa fase, a prioridade do estudo é monitorar e avaliar sistematicamente todos os eventos adversos, inclusive os não graves, garantindo a segurança dos participantes. Essa fase será realizada com cinco voluntários. Os critérios para participação são: terem idade entre 18 e 72 anos;
sofrido lesões agudas completas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas; e terem indicação cirúrgica.
Para que a aprovação do tratamento avance, ainda serão necessárias as aprovações das fases 2 e 3, que avaliam a eficácia do medicamento e confirmam os resultados em um número maior de participantes.
