Problemas de pele na academia: evite infecções com hábitos simples

Dra. Paula Sian: “A pele úmida, quente e em contato com superfícies contaminadas cria o cenário ideal para fungos, vírus e bactérias

Crédito-foto: Juliana Vivolo

Ambiente fechado, calor, suor e alta circulação de pessoas: a combinação pode transformar academias em locais propícios para o surgimento de diferentes problemas de pele. Mais do que micoses, infecções virais, como verrugas e até vírus da família do HPV, também podem ser transmitidas nesses espaços, principalmente quando há descuido com higiene e contato com superfícies compartilhadas.

De acordo com a dermatologista Paula Sian, de São Paulo/SP, o risco existe, mas está muito mais relacionado ao comportamento dos frequentadores do que ao ambiente em si. “A pele úmida, quente e em contato com superfícies contaminadas cria o cenário ideal para fungos, vírus e bactérias. Não é só micose, a gente vê muitos casos de verrugas e outras infecções que as pessoas nem associam à academia”, explica.

Embora as micoses sejam comuns, especialmente em regiões de dobra como virilha, axilas e abaixo das mamas, outros agentes também merecem atenção. Vírus transmitidos por contato podem estar presentes em equipamentos, bancos e até nos vestiários. “Você pode pegar ao encostar em superfícies contaminadas ou ao andar descalço. Esses vírus entram em contato com a pele e podem se manifestar depois, principalmente quando a imunidade cai”, alerta.

Vilões – Ao contrário do que muitos imaginam, os aparelhos não são os principais vilões. O maior risco está nos vestiários e no contato indireto com objetos e superfícies compartilhadas. “Bancos, toalhas, roupas e ganchos são pontos importantes de contaminação. A pessoa encosta a toalha, outra encosta a dela no mesmo lugar, e assim vai passando”, ressalta a especialista. Nesse sentido, a recomendação é evitar contato direto da pele com essas superfícies. Não sentar diretamente nos bancos, não apoiar toalhas em ganchos de uso coletivo e manter objetos pessoais isolados, como deixar a toalha sobre a mochila. No banheiro, o cuidado também é essencial: usar protetor de assento ou papel higiênico antes de sentar.

Outro ponto frequentemente negligenciado são as mãos. “As pessoas limpam o banco, mas esquecem de limpar onde colocam a mão. Halteres, barras e aparelhos também acumulam vírus e bactérias”, diz a dermatologista. Higienizar os equipamentos antes e depois do uso e evitar levar a mão ao rosto durante o treino ajudam a reduzir o risco.

Entre os erros mais comuns estão permanecer com roupa suada por muito tempo, não tomar banho após o treino, guardar roupas úmidas no cesto, circular descalço e compartilhar objetos pessoais. “A umidade é o principal fator. Quanto mais tempo a pele fica molhada, maior o risco”, alerta.

De acordo com a Dra. Paula, a prevenção, no entanto, é simples: tomar banho após o treino, trocar e lavar as roupas, usar chinelo em vestiários, evitar contato direto da pele com superfícies, higienizar aparelhos e manter itens pessoais isolados. “São cuidados básicos, mas que fazem toda a diferença”.

Quando há infecção, ressalta a dermatologista, “o tratamento varia conforme o tipo e a região afetada. No caso de verrugas, pode ser necessário destruir a lesão com técnicas como congelamento, calor ou uso de ácidos. Pode causar desconforto temporário, mas resolve. O problema é não tratar, porque pode se espalhar”.

Lesões que coçam, ardem, descamam ou não melhoram devem ser avaliadas por um especialista. “Nem toda irritação é micose. Tratar errado pode piorar o quadro. A orientação é simples: apareceu e não melhorou, procure um dermatologista”, orienta a médica.

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