Rigidez na nuca, febre e vômito: quando os sintomas podem indicar meningite

Crédito foto: Freepik.

No dia 24 de abril, a meningite volta ao centro das atenções em ações de conscientização sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. A doença é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal, e pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas.

Entre os tipos mais conhecidos, estão a meningite viral e a bacteriana. Embora ambas possam apresentar sintomas parecidos no início, há diferenças importantes entre elas. A meningite viral costuma ter evolução mais branda na maior parte dos casos. Já a meningite bacteriana é a forma mais grave da doença, com risco de complicações neurológicas, sequelas permanentes e até morte, principalmente quando o tratamento não for rápido.

“As pessoas precisam entender que a meningite é uma doença que não deve ser subestimada. Em alguns casos, especialmente na forma bacteriana, a evolução pode ser muito rápida. Por isso, reconhecer os sintomas e buscar atendimento o quanto antes faz toda a diferença”, afirma o neurologista Dr. Patrick Moro Mariano, do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista/SP, ao explicar que a ocorrência da doença pode variar conforme a época do ano. As meningites bacterianas são mais frequentes no outono e no inverno, enquanto as virais costumam aparecer mais na primavera e no verão.

Os sintomas podem mudar de acordo com o agente causador, mas alguns sinais são clássicos. Entre os mais comuns, aponta o neurologista, estão febre, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz. Em bebês e crianças pequenas, os sinais podem incluir irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar, vômitos e moleira estufada.

Há ainda sinais de gravidade que indicam necessidade de atendimento médico imediato, como confusão mental, convulsões, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele.

A transmissão acontece, em muitos casos, de pessoa para pessoa, especialmente por contato próximo, por meio de gotículas respiratórias eliminadas na fala, tosse ou espirro. Dependendo do agente causador, também pode haver transmissão por via fecal-oral ou por água e alimentos contaminados.

Outro ponto importante é que algumas pessoas podem carregar bactérias causadoras de meningite sem apresentar sintomas, mas ainda assim transmitir o agente.

O diagnóstico é feito com base na avaliação clínica e em exames laboratoriais. Diante de suspeita, a recomendação é de internação para investigação e início do tratamento, sem atraso à espera da confirmação do agente causador.

No caso da meningite bacteriana, o tratamento é feito com antibióticos específicos e cuidados de suporte. Já na meningite viral, na maioria das vezes, o acompanhamento é clínico, com indicação de antivirais apenas em situações específicas.

Além da evolução mais grave, a meningite bacteriana também preocupa pelas possíveis complicações. A infecção pode causar inflamação intensa do sistema nervoso central. De 10% a 20% dos sobreviventes podem apresentar sequelas neurológicas permanentes, sobretudo quando o tratamento não é iniciado precocemente. A doença também mantém alta letalidade, cuja média varia entre 20% e 30%, principalmente entre crianças menores de cinco anos e idosos.

Emergência médica – De acordo com o Dr. Patrick Moro Mariano, “a meningite bacteriana é uma emergência médica. O grande desafio é agir rápido, porque o tempo de resposta interfere diretamente no prognóstico. Quanto antes o paciente for avaliado e tratado, maiores são as chances de evitar complicações”.

A principal forma de prevenção continua sendo a vacinação, especialmente contra as meningites bacterianas. Conforme o neurologista destaca, “ela é a ferramenta mais importante de proteção coletiva. A vacina reduz o risco de adoecimento e ajuda a evitar casos graves, internações e óbitos. Por isso, manter a caderneta vacinal atualizada é uma medida essencial”.

No Sistema Único de Saúde, estão disponíveis vacinas que ajudam a proteger contra formas graves da doença, como BCG, Pneumocócica, Penta, Meningocócica C e Meningocócica ACWY. Os dados de cobertura vacinal mostram avanço recente, mas também reforçam a necessidade de manter a imunização em dia. Em 2024, a cobertura da Meningocócica C chegou a 89,27%, enquanto a dose de reforço atingiu 92,09%. Em 2025, os índices passaram para 91,15% e 88,69%, respectivamente.

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