Saúde corporal: educação física e fisioterapia, aliadas à nutrição, não têm como dar errado

Fábio Feldner: “minha metodologia é aplicada de acordo com a necessidade, objetivo, avaliação e limitações de cada pessoa; o que dá certo para um, não, necessariamente, será eficaz para o outro”.
Embora sejam áreas distintas, a associação entre a fisioterapia e a educação física é uma parceria estratégica que tem como foco a saúde integral, de forma a prevenir lesões, promover reabilitação e melhorar a performance física. Para compreender essa dobradinha, o Portal Medicina e Saúde entrevistou o consultor físico Fábio Feldner, de Belo Horizonte/MG, especialista em fisioterapia desportiva e em liberação miofascial. Ele é também coaching físico/emocional/espiritual.
Há 35 anos, ele atua diretamente no esporte de contato, Muay Thai – Ponteira Preta, Jiu jitsu – black belt, hoje 3º grau, Vale Tudo – sendo campeão mundial por duas vezes nesta modalidade, entre outros esportes e premiações que tem conquistado ao longo da carreira.
Além de conduzir um plano que une fisioterapia e a educação física, ele associa seu trabalho à nutrição clínica/esportiva, formando, assim, um trio perfeito na promoção da saúde de seus alunos.
Inicialmente, qual é a sua formação? – Eu sou graduado em Educação Física, Fisioterapia e em Nutrição. Tenho pós graduação em Personal Trainer, Fisioterapia, Nutrição Clínica e Esportiva, em Biomecânica Aplicada ao Exercício e em Psicologia Desportiva. Sou especialista também em Treinamento Bodybuilding, Preparação de Atletas e em Musculação (do Iniciante ao Avançado). Além disso, sou capacitado em Citogenética, Distúrbios do Sono e Qualidade de vida e Terapia da Dor, bem como em Treinamento Abdominal e em Introdução à Neurociência. Minha formação inclui também cursos de extensão em Suplementação Esportiva, em Ciência do Fisiculturismo e em Efeitos de Ergogênicos (método que visa aumentar o desempenho físico, a força, a potência ou a recuperação muscular, de forma a melhorar a produção de energia, retardando a fadiga, permitindo treinar mais tempo ou otimizando a adaptação ao exercício, através de dieta específica, de fármacos, ou intervenção psicológica ou mecânica).
Parabéns, um ótimo currículo. Então vamos lá, como funciona essa dobradinha – fisioterapia e educação física, ou seja, qual é a relação entre essas duas áreas? – A fisioterapia e a educação física estão diretamente ligadas para o bom trabalho de consciência corporal e ganho muscular. Elas estão tão próximas que acho, inclusive, que deveria existir um curso de graduação que interligasse ambas as ciências. Na educação física, pelo conhecimento muscular e suas abrangências como função anatômica do corpo, ligamentos, ossos, tendões, músculos; na fisioterapia, como o próprio nome diz, pela terapia física, levando em consideração a consciência postural, estática, no movimento e execução dos trabalhos que estão inseridos na educação física, exaltando a musculação. Nela estão ligados diretamente ambos segmentos da saúde no sentido de otimizar o ganho de músculo, força, elasticidade através do movimento repetitivo da musculação, evitando o risco de lesões e aumentando drasticamente a qualidade de vida, independência física e longevidade.
E como você faz isso acontecer com seus alunos? – Minha metodologia é aplicada de acordo com a necessidade, objetivo, avaliação, limitações de cada pessoa. Todos temos apenas um sistema receptor de estímulos. Cada organismo vai responder de uma forma. Nesse sentido, são infinitamente diversificadas as variáveis receptivas de cada corpo. Por isso, a consultoria implica no atendimento personalizado, pois cada pessoa é única e, sendo assim, tenho que prescrever um protocolo que atenda a esse determinado físico: o que dá certo para um, não, necessariamente, será eficaz para o outro. Cada caso tem que ser estudado, calculado e prescrito de forma que aquele corpo responda ao prescrito de forma que o mesmo responda a sua necessidade de maneira processual e dinâmica. Cada organismo é como em diamante que tem que ser lapidado, levando em consideração que as ferramentas usadas sejam corretas e consiga atender objetivamente ao seu valor agregado e resposta efetiva, extraindo o melhor que, aparentemente está submergido ou camuflado, seja pela saúde ou estética.
Esse esquema vale para todas as idades? – De maneira geral, todas as idades têm limitações a serem identificadas, mas, independentemente da idade, repetindo o dito antes, temos que considerar o aluno, seu objetivo, grau de experiência, limitações físicas, resposta do corpo ao primeiro período de treino, que será a base do processo a ser prescrito, sua genética, seu metabolismo, ou seja, são vastos os parâmetros a serem identificados a fim de proceder com uma prescrição de treino e dieta. Um exemplo, eu, estou indo para 50 anos, mas meu foco é o ganho e manutenção do corpo de forma que atenda a estética e a saúde. Tenho minhas limitações, mas conciliando a educação física (execução), fisioterapia (postura e estática) e minha experiência, minha metodologia é extraordinária. Temos que adaptar nosso corpo ao exercício e vice versa, adaptar os exercícios ao meu corpo.
A sua técnica evita desgastes musculares e traumas nas articulações? Como e por que? – Indiscutivelmente, mantendo a postura correta antes de iniciar a execução, você isola a compressão da coluna, estabilizando o corpo para iniciar o exercício. Encurtando a amplitude de execução, você aumenta o torque do movimento, aumentando o trabalho muscular e mantendo o músculo em ênfase tensionado durante toda a série. Assim, o corpo prioriza o tônus e o desenvolvimento muscular. Dessa forma, o movimento fica mais difícil, sendo necessário menos carga, pois a dificuldade inserida traz uma resposta positiva do corpo com menos carga e estruturando o corpo para receber o estímulo. Em outras palavras, essa metodologia é preventiva a lesões, pois você diminui a amplitude e carga, trazendo toda dificuldade do exercício para o músculo em questão, priorizando a execução, isolando 90% a pressão no resto do corpo e, o melhor, trabalhando o core (abdômen) em todos exercícios.
Como os seus alunos respondem a esse trabalho? – Sempre que me dão a oportunidade de demostrar minha metodologia, mesmo que rapidamente, todos ficam 100% maravilhados com a diferença entre levantar cargas elevadas – sem consciência corporal, e apenas fazer um movimento sobe e desce com carga, muitas vezes, tão elevadas, que é visível a probabilidade de lesão. Para os que seguem meu raciocínio, o retorno é rápido e notório, tendo uma resposta que vai o quão rápido for a entrega ao proposto.
Quanto tempo demora a apresentar resultados? – Um a dois meses, o corpo começa a se adaptar aos estímulos. Entre dois e quatro meses, o corpo começa a aumentar sua resistência. Entre quatro e seis meses, a membrana miofascial começa a se elastificar e a musculatura a se desenvolver. Mas só lembrando: o resultado depende da entrega dentro e fora da academia.
O que isto quer dizer: “o resultado depende da entrega dentro e fora da academia?” É como frequentar a igreja todo final de semana e, ao sair, não seguir seus ensinamentos. É assim na musculação ou esportes diversos. Não existe relação você ir à academia todos os dias e quando sair comer besteiras, dormir mal, ter noitadas noite a fora etc. Não existirá êxito se ao sair da academia você deixar lá a disciplina, foco e equilíbrio, pois a corrente é quebrada e o processo interrompido. Cada dia é o dia de se superar e se surpreender dentro e fora das paredes. Viver a mudança e evolução a cada degrau, a cada dia. Se cair, se levante mais forte e determinado que antes. A palavra que resume a vitória é foco.
Outra coisa: atividade física sem uma dieta equilibrada funciona? Nesse sentido, qual orientação você dá para seus alunos? – Simplificando, vou colocar os pilares do desenvolvimento muscular e da saúde corporal em ordem de prioridade. A alimentação é o mais importante, sem ela a mágica não acontece. Então, vejamos:
- Alimentação (dieta)
- Sono (descanso) de 7 a 8 horas diários
- Suplementação
- Academia
- Ergogenização
O que vem a ser esse quinto item do pilar de desenvolvimento muscular e da saúde corporal acima? Ergogenização é o hormônio sintético do TRT – Tratamento de Reposição de Testosterona, ou TRH – Tratamento de Reposição Hormonal, pois após os 35 anos começa a diminuir a produção de testosterona, GH (Growth Hormone, ou hormônio do crescimento: somatotropina), e outros hormônios produzidos pelo organismo. A testosterona é força, vida e longevidade, assim como o GH e ésteres (compostos orgânicos) na sua maioria formados por moléculas de carbono e derivados. Esse assunto é polêmico. Eu defendo, outros criticam, mas para chegar aos 80 anos com independência de movimentos, mobilidade e força estática e de movimento, o corpo tem que ter uma estabilidade hormonal. Isso é muito individual e escolha de cada pessoa, mas o profissional tem que ser responsável pela informação positiva e negativa de uso dessas substâncias, que se usadas adequadamente, com exames rotineiros, acompanhamento, instrução, preservação e defesa do organismo pode ser um bom caminho, volto a ressaltar, com auxílio do profissional conhecedor nato dos riscos e benefícios.
A hidratação também não é importante nesse processo? Quando e qual a quantidade ideal para se hidratar antes, durante e depois do treino? – Para quem pesa entre 45kg e 70kg, por exemplo, o ideal é 2l a 3l. Entre 70kg e 100kg, 3l a 4l, e para uma pessoa de 100kg, cerca de 4l a 5 litros por dia de forma controlada e constante, principalmente durante o treino, lembrando que é bom colocar sempre 25g/l de sal rosa na água para manter o nível de eletrólitos no organismo de forma a diminuir a fadiga e o desgaste durante o treino. Importante observar também que ao urinarmos eliminamos resíduos metabólicos, toxinas e o excesso de água e sais minerais filtrados pelo sangue. No entanto, devemos repor líquido que eliminamos, mantendo, dessa forma, o equilíbrio interno do corpo. Se você se hidrata constantemente e não urina, pode estar com retenção de líquido, o que causa mal estar, sensação de estufamento e inchaço do corpo. A coloração ideal da urina é levemente turva para transparente. Muito amarela ou escura significa corpo desidratado ou intoxicado; completamente transparente – falta de eletrólitos, o que pode causar câimbras, erupções na pele principalmente no calcanhar, com pequenas rachaduras e ressecamento da pele.
Por que muitos alunos não gostam ou não têm constância nos treinos? – Porque querem o impossível, ver a mudança imediata. Pode ser também porque não se entregam ao proposto de forma fiel dentro e fora da academia. Saliento sempre aos meus alunos, consistência, disciplina, foco e sempre ouvir a voz da experiência e do conhecimento.
Qual outra informação que julga importante? – Ao concluir, gostaria apenas de destacar que não há atalhos. Você deve escolher sempre o caminho correto. Não tem como percorrer dois caminhos ao mesmo tempo, ouça a sua voz interior dizendo seu caminho. O que for para fazer, se entregue, faça o melhor, pois senão, outro fará. Mas faça sempre com humildade, perseverança e, acima de tudo, com persistência, se não for agora, nunca será.
