Tabagismo em idosos amplia risco de doenças respiratórias graves

Reabilitação pulmonar, suporte psicológico e nutrição adequada estão entre as estratégias indicadas para enfrentar os efeitos do cigarro

Foto: Freepik

Na semana em que é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto), além das campanhas de prevenção, é importante ressaltar também os principais problemas que o tabagismo traz, assim como os tratamentos existentes para melhorar a qualidade de vida dos fumantes que foram acometidos por alguma doença por conta do vício. E quando se trata de idosos, a situação é ainda mais complexa.

O fato é que o tabagismo é reconhecido como um dos fatores de risco mais relevantes para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, principalmente as que afetam o sistema respiratório. “Entre as consequências mais observadas, destaco as manifestações inflamatórias importantes nas vias aéreas, que comprometem a função pulmonar e a qualidade de vida. Dentro desse cenário, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) se sobressai como uma das condições mais frequentes e desafiadoras no cuidado dessas pessoas”, comenta a fisioterapeuta, Carolina Nanque, especialista em Gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria de Gerontologia (SBGG). Segundo ela, os impactos do tabagismo de longa data vão muito além do comprometimento pulmonar. No caso da DPOC pode haver comprometimento da musculatura, o que reduz força, resistência e capacidade funcional. “Na prática, isso significa que atividades simples, como tomar banho, subir alguns degraus ou caminhar até a padaria, podem se tornar muito cansativas e limitar a autonomia da pessoa.”

Tratamentos – Dentro da área de fisioterapia, os idosos, principalmente, podem fazer a chamada reabilitação pulmonar, onde os programas podem ser divididos em convencionais ou alternativos. Carolina explica que os convencionais são direcionados a pacientes com perfis clínicos e sintomas mais leves, com uma maior tolerância aos esforços. Já os alternativos, são destinados a pacientes com perfis clínicos e sintomas mais intensos e limitantes das atividades do cotidiano. “Mas, independentemente do formato, os programas se estruturam em quatro bases fundamentais: treinamento específico da musculatura responsável pela respiração; treinamento dos músculos dos membros superiores e inferiores; treinamento aeróbico sistemático onde se pratica, de forma regular, exercícios como caminhar, pedalar na bicicleta ergométrica ou usar a esteira, para melhorar as funções do coração e pulmão; e, assim, melhorar a disposição no dia a dia e educação em saúde, visando o processo como todo”, ressalta, ao comentar que considera essa última a estratégia mais eficaz para a saúde da pessoa idosa. “Ela precisa entender a necessidade de parar de fumar, reduzindo o seu comportamento sedentário, e aderindo a um programa de reabilitação. Fazendo isso, certamente terá resultados positivos nessa jornada”.

De acordo com Carolina, o tratamento, com programas bem estruturados, pode começar a impactar de maneira significativa, como a melhora da capacidade de realizar tarefas cotidianas que exigem maior esforço, da capacidade funcional e da qualidade de vida do paciente a partir de 12 semanas. “No entanto, o recomendável é que o paciente tenha um acompanhamento longo e longitudinal. Após esse período, a supervisão direta pode ser gradualmente reduzida, utilizando estratégias, como teleatendimento, orientando o paciente de como seguir o tratamento sozinho”, diz a fisioterapeuta, observando que a cessação do tabagismo é uma das metas sugeridas ao paciente para melhoria da saúde, mas sempre de forma gentil e acolhedora. “O fato é que o paciente necessita de cuidados integrados, nos quais a psicologia atua como protagonista junto aos demais profissionais.”

Dicas importantes – Para complementar o tratamento, Carolina destaca que é importante a pessoa idosa adotar hábitos saudáveis. Confira as dicas:

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