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O tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico ganha um importante avanço na região de Campinas/SP. O Vera Cruz Hospital incorporou a tenecteplase ao seu protocolo assistencial, medicamento trombolítico de última geração administrado em dose única, em poucos segundos, o que simplifica o atendimento e agiliza o início do tratamento. Indicada para pacientes elegíveis nas primeiras 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas, a terapia pode aumentar as chances de recuperação e reduzir sequelas em uma condição em que cada minuto faz diferença. A novidade chega em um cenário de aumento da demanda por atendimento à doença. Em 2024, o Departamento Regional de Saúde de Campinas (DRS-7), que reúne 42 municípios, registrou 34.970 atendimentos relacionados ao AVC, o que representa uma alta de 4,3% em relação a 2023.
Responsável pela maioria dos casos de AVC, a forma isquêmica ocorre quando um coágulo interrompe o fluxo de sangue para uma área do cérebro. Nessas situações, o tempo é determinante para reduzir danos neurológicos e aumentar as chances de recuperação. Estima-se que, a cada minuto sem tratamento, o cérebro perca cerca de dois milhões de neurônios.
A principal diferença entre a tenecteplase e a alteplase, medicamento tradicionalmente utilizado para esse tipo de atendimento, está na forma de administração. Enquanto a alteplase precisa ser infundida continuamente durante cerca de uma hora, a tenecteplase é aplicada em dose única, em aproximadamente dez segundos. Embora ambas apresentem eficácia semelhante, a nova terapia simplifica o atendimento, reduz etapas do processo e favorece uma atuação ainda mais rápida das equipes de emergência.
Conforme explica a Dra. Mariana Vidal, coordenadora da Unidade Neurológica do Vera Cruz Hospital, “a tenecteplase representa uma evolução importante no atendimento ao AVC isquêmico, pois simplifica uma etapa crítica do tratamento. Em uma doença em que cada minuto faz diferença, reduzir o tempo entre o diagnóstico e a administração da medicação contribui para tornar toda a linha de cuidado mais eficiente. Isso amplia as chances de preservar o tecido cerebral e de proporcionar uma recuperação com menos sequelas e mais qualidade de vida para o paciente.”
O ganho de tempo também beneficia pacientes que necessitam de trombectomia mecânica, procedimento realizado por meio de cateter para remover o coágulo em casos específicos, otimizando toda a linha de cuidado.
A utilização da tenecteplase, no entanto, depende de critérios rigorosos. O medicamento é indicado para pacientes com diagnóstico de AVC isquêmico agudo que atendam às recomendações das diretrizes médicas. Antes da administração, cada caso passa por avaliação clínica e exames de imagem para confirmar o diagnóstico e descartar contraindicações. Além disso, o tratamento deve ser iniciado preferencialmente nas primeiras 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas. Por isso, reconhecer rapidamente os sinais de um AVC continua sendo um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento.
De acordo com a Dra. Mariana, entre os principais sintomas estão fraqueza ou dormência súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender a fala, desvio da boca, perda súbita da visão, dificuldade para caminhar, perda do equilíbrio e dor de cabeça intensa e repentina. Uma forma simples de ajudar a identificar esses sinais é por meio do teste SAMU:
- S de Sorria: peça para a pessoa sorrir e observe se há desvio da boca;
- A de Abraço: peça para levantar os dois braços e verifique se há perda de força em um deles;
- M de Mensagem: solicite que a pessoa repita uma frase simples e observe se a fala está enrolada ou confusa;
- U de Urgente: diante de qualquer alteração, acione imediatamente o serviço de emergência.
No Vera Cruz Hospital, a rapidez no atendimento é sustentada por um protocolo específico para AVC que mobiliza uma equipe multidisciplinar desde a chegada do paciente ao pronto-socorro. Após a identificação dos sintomas na triagem, um sistema de monitoramento em tempo real permite que todos os profissionais acompanhem o deslocamento do paciente dentro do hospital em cada etapa, reduzindo o intervalo entre o diagnóstico e o início do tratamento.
Após a fase aguda, os pacientes seguem para uma unidade neurológica especializada, onde são acompanhados por uma equipe multidisciplinar, que integra neurologistas, intensivistas, enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais. Neste momento passam por investigação da causa do AVC e iniciam precocemente o processo de reabilitação, fator considerado fundamental para reduzir sequelas e favorecer a recuperação funcional.
Embora os avanços terapêuticos ampliem as possibilidades de recuperação, a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz contra o AVC. Hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, sedentarismo, apneia do sono e doenças cardiovasculares estão entre os principais fatores de risco. Estudos mostram que o controle adequado dessas condições, aliado à prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento médico, pode reduzir em até 90% o risco de ocorrência da doença.
“O avanço da medicina só produz impacto quando está aliado a protocolos bem estruturados, equipes capacitadas e ao acesso rápido do paciente ao atendimento”, afirma a médica, lembrando que “a tecnologia é um recurso importante, mas o diagnóstico precoce e a agilidade em toda a linha de cuidado continuam sendo decisivos para melhorar os desfechos do AVC.”
