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Hospital Dia: tratamento de dependentes químicos, sem internação, quintuplicou nos últimos anos

O mundo tem acompanhado o crescimento no número de pacientes relacionados à saúde mental e dependência química. No Brasil, em 2021, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 400,3 mil atendimentos a pessoas com transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de drogas e álcool. Comparativamente houve um aumento de 12,4% em relação a 2020, ano com 356 mil registros.

Esse crescimento exige medidas de saúde pública para melhor assistência a esses pacientes. Paralelamente a essa política, nos últimos tempos, uma nova modalidade de atendimento vem se popularizando como forma de tratamento e ressocialização de pessoas com distúrbios mentais e dependência química: o Hospital Dia que, em tese, o paciente não precisa ficar internado por um longo período, como já acontece na maioria das clínicas para dependentes químicos.

De acordo com o Dr. Sérgio Rocha, sócio fundador da Clínica Revitalis/Rio de Janeiro, grupo especializado em soluções integradas no tratamento de transtornos mentais e dependência química, inclusive público infanto-juvenil, a exclusão da pernoite facilita a ressocialização do paciente. “A internação é sempre a última opção de tratamento. Somente quando tentativas menos invasivas fracassaram ou se o quadro oferecer risco claro à vida dele ou de terceiros é que optamos por ela”, revela.

Este regime soluciona parte do desafio de indisponibilidade de leitos existente no Brasil: aproximadamente 0,15 por 1000 habitantes, somando leitos em hospitais gerais e hospitais psiquiátricos, menos dos que os 0,45 leitos por 1000 habitantes recomendados pelo Ministério da Saúde. Além disso, é também uma solução à necessidade de tratamentos menos restritivos para pacientes intermediários, conforme esclarece o diretor da Revitalis, que afirma que “precisamos de tratamentos que não sejam necessariamente leitos de internação. Há um desafio cada vez maior em atender pacientes que vão desenvolver doenças de mentais e transtornos por uso de substâncias versus a baixa quantidade de serviços realmente preparados para oferecer um acompanhamento de maneira integral. Isso envolve o Hospital Dia”.

Segundo ele, o tratamento de saúde mental nunca é algo pontual e limitado a um evento (internação ou Hospital Dia), mas um trabalho contínuo e longo, que normalmente necessita de acompanhamento ao tratamento crônico e de regulação. A indicação pelo tratamento intensivo no Hospital Dia não depende do tipo de substância consumida e, sim, do grau de comprometimento que o paciente foi diagnosticado. “São pacientes que normalmente não estão mais funcionando minimamente na vida normal por causa de sua doença”, observa o Dr. Rocha

Ainda de acordo com o diretor técnico da Revitalis, não há um perfil de paciente específico, apenas critérios de exclusão. “Só não recebemos se não houver indicação funcional pertinente ou se não houver condição daquele dependente aproveitar o grupo ou a abordagem do Hospital Dia”.

Neste tipo de estabelecimento, enfatiza o Dr. Sérgio Rocha, o paciente passa o dia realizando atividades para desenvolver uma rotina de ocupação, além de atividades semelhantes à da internação integral, e, de noite, retorna para sua casa. Assim, o Hospital Dia surge como o primeiro passo depois da internação, como continuidade do tratamento, ou a última opção antes de precisar se internar.

Diante desse quadro, o Grupo Revitalis vem investindo cada vez mais no conceito do Hospital Dia, no estado do Rio de Janeiro, com uma nova unidade em Araras e outra em Botafogo.

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