EspeciaisÚltimas Matérias

Quedas entre idosos disparam e reforçam importância de adaptação do ambiente

Exercícios, avaliação médica e ajustes em casa reduzem o risco de fraturas e internações em pessoas acima de 60 anos

Foto: crédito- Freepik

Mais de 62 mil idosos foram internados após sofrerem quedas no Brasil, segundo os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde referentes ao primeiro quadrimestre de 2025. O sistema de saúde brasileiro registrou, ainda, 67 mil atendimentos ambulatoriais no período, sem a necessidade de hospitalização. Somente em 2024, o país contabilizou mais de 344 mil atendimentos ou hospitalizações. Desse total, 13.385 idosos morreram em decorrência dos ferimentos.

Dados recentes de uma empresa de tele assistência mostram que o número de quedas entre idosos aumentou 11% em 2025, quando comparado ao mesmo período de 2024. As quedas se tornaram, pela primeira vez, o principal motivo de acionamento de emergência, representando 22% do total de ocorrências registradas.

Especialistas em ortopedia alertam que a expectativa é de aumento nos casos de lesões ortopédicas em pessoas acima de 60 anos, acompanhando o crescimento da longevidade. A projeção foi apresentada em setembro durante o congresso internacional Orto in Rio, organizado pela Rede D’Or, que reuniu ortopedistas na cidade do Rio de Janeiro ao lado de centenas de colegas pesquisadores e estudantes de todo o país. Dados internacionais indicam que devem ocorrer entre 7 milhões e 21 milhões de fraturas de fêmur anualmente no mundo até 2050, segundo informações levantadas no evento.

Impacto econômico – Um estudo publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva analisou a tendência temporal de quedas em idosos entre 2000 e 2020 e estimou o impacto econômico para 2025. Os pesquisadores projetam que as internações por quedas no Brasil estarão próximas a 150 mil neste ano, gerando custos em torno de R$ 260 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS). 

A análise identificou aumento significativo das internações nos dois períodos estudados, de 2000 a 2008 e de 2008 a 2020. O valor médio das Autorizações de Internação Hospitalar (AIH) aprovadas apresentou crescimento de 4,4% ao ano entre 2000 e 2020. O número de óbitos por quedas também subiu no período, com variação anual de 6,4%.

O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) aponta que 90% das fraturas do fêmur são causadas pela queda da própria altura – ou seja, não é preciso cair de uma escada ou sofrer um acidente grave; basta um tropeço ou desequilíbrio. 

Um em cada quatro idosos que vivem em cidades já sofreu queda

O Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), coordenado pela Fiocruz e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), encontrou prevalência de 25% de quedas na população idosa residente em áreas urbanas.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre idosos com 80 anos ou mais, 40% sofrem quedas todos os anos. Os que moram em instituições de longa permanência, asilos ou casas de repouso, a estimativa é que 50% podem cair.

O ex-presidente da Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico (SBTO), Tito Rocha, afirmou no Orto in Rio que 48% dos idosos caem uma vez a cada dois anos. Segundo ele, 70% das mortes acidentais em pessoas acima de 75 anos são causadas por quedas, o que representam a segunda maior causa de óbito por acidente entre aqueles com 80 anos ou mais, conforme informações do governo federal.

Caso a fratura tenha sido do fêmur, o risco aumenta consideravelmente. De acordo com o INTO, aproximadamente 20% dos pacientes idosos morrem dentro de um ano após quebrar o fêmur. A mortalidade em 30 dias após a fratura chega a 10%, segundo dados apresentados no congresso. A lista de espera para cirurgia pode influenciar esses índices de mortalidade.

O óbito costuma ocorrer por causa do agravamento de problemas preexistentes do coração, pulmão e rins. Uma das razões, segundo médicos ortopedistas, é que as fraturas na coxa são lesões em que o osso demora a se consolidar, afetando tanto a vida do paciente quanto o dia a dia das famílias.

O ELSI-Brasil identificou que 1,8% das quedas resultaram em fratura de quadril ou fêmur. Entre essas fraturas, 31,8% necessitaram de cirurgia com colocação de prótese, conforme dados do Ministério da Saúde.

Sequelas psicológicas – A médica Nubia Queiroz, de São Paulo/SP, especialista em gerontologia, explica que as quedas representam um risco muito mais grave para pessoas idosas em razão da maior fragilidade óssea, com maior propensão a fraturas, como as de quadril, e ao tempo de recuperação mais longo. 

Muitas vezes, o problema pode comprometer de forma definitiva a mobilidade, a independência e a qualidade de vida. Além dos efeitos físicos, muitos idosos ficam com medo de cair novamente após um episódio, o que acaba resultando na redução das atividades físicas e sociais.

Exercício e adaptação da casa são essenciais – O Ministério da Saúde identificou fatores multidimensionais associados às quedas: sexo feminino, faixa etária igual ou superior a 75 anos, medo de cair devido a defeitos nos passeios, medo de atravessar a rua, artrite ou reumatismo, diabetes e depressão. As recomendações oficiais incluem avaliação multidimensional de saúde.

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) lista intervenções com eficácia comprovada nas diretrizes oficiais: exercício físico orientado para força muscular e equilíbrio, otimização medicamentosa (especialmente psicoativos), correção de fatores de risco ambientais por profissional especializado, prática de Tai Chi Chuan e intervenções multifatoriais. Estas últimas combinam exercícios, correção visual, tratamento de hipotensão ortostática e revisão de medicamentos.

Especialistas ressaltam a importância de adaptar o ambiente doméstico conforme a idade vai aumentando. Entre as medidas estão retirar tapetes soltos, instalar barras de apoio em banheiros, melhorar a iluminação e eliminar obstáculos nos caminhos. Alertam ainda para a necessidade de acompanhamento médico e cuidado redobrado com medicamentos que podem causar tonturas.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo