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	<title>relação médico-paciente Archives - Portal Medicina e Saúde</title>
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		<title>Transformando o cuidado em saúde</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Dec 2025 09:40:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Por Dr. João Bizário: médico, Mestre e PhD pela FMUSP de Ribeirão Preto e Universidade Paris V – França, e Diretor Acadêmico da Inspirali Foto: crédito- Freepik A relação médico/paciente mudou. Evoluímos do modelo paternalista para uma relação de parceria. Hoje, o paciente é visto como sujeito ativo, com direito a informações e participação nas &#8230;</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Por Dr. João Bizário:</em></strong><strong> m<em>édico, Mestre e PhD pela FMUSP de Ribeirão Preto e Universidade Paris V – França, e Diretor Acadêmico da Inspirali</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Foto: crédito- Freepik</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong>relação médico/paciente</strong> mudou. Evoluímos do modelo paternalista para uma <strong>relação de parceria</strong>. Hoje, o paciente é visto como sujeito ativo, com direito a informações e participação nas decisões. A comunicação clara, <strong>o uso de linguagem compreensível</strong>, o compartilhamento de opções terapêuticas (<em>decision sharing</em>) e o uso de tecnologias, como telemedicina e prontuários eletrônicos, foram componentes centrais para esta mudança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Está cada vez mais claro que a empatia e o cuidado humano fortalecem a relação terapêutica, aumentam a confiança, melhoram a comunicação e promovem engajamento do paciente no tratamento. Isso facilita a adesão, a partilha de informações relevantes e a participação em decisões compartilhadas, o que pode refletir em melhores desfechos clínicos, manejo de sintomas e satisfação com o cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Revisões sistemáticas e estudos observacionais associam maior empatia do médico a maior satisfação do paciente, melhor adesão ao tratamento, menor dor e sintomas relatados, além de padrões de uso mais apropriados dos serviços de saúde. Embora o tamanho do efeito varie, a tendência de benefício é consistente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dentro do curso de medicina, as instituições vêm incorporando formação em comunicação, ética, empatia e medicina centrada no paciente com módulos de comunicação, aulas sobre história do paciente, uso de atores/pacientes simulados, prática de escrita reflexiva e componentes de humanidades (narrativa, literatura, artes) para situar o cuidado no contexto do paciente. Projetos de serviço comunitário ajudam os alunos a vivenciarem fatores determinantes sociais da saúde e programas de internato longitudinais com experiências centradas no paciente fortalecem a identidade profissional com foco humano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A incorporação de competências humanísticas molda atitudes profissionais desde a formação básica até a residência. Avaliações de comunicação, <em>feedback</em> formativo, portfólios reflexivos e experiências com pacientes reforçam a empatia, resiliência, tolerância às incertezas e a ética nas decisões clínicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao atender um paciente, observações de sinais não-verbais, como humor, linguagem corporal, contexto social, suporte familiar, condições de vida, fé e crenças, estresse, saúde mental, hábitos de sono, alimentação e rede de apoio, precisam ser levados em consideração. A avaliação biopsicossocial amplia o diagnóstico e orienta intervenções mais eficazes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao ouvir histórias, identificar padrões de comportamento, narrativas de dor e fatores ambientais e sociais, podem surgir hipóteses diagnósticas adicionais como, por exemplo, condições psicossomáticas, transtornos mentais concomitantes e fatores de risco sociais. A prática narrativa facilita hipóteses que vão além da queixa principal e abre espaço para investigações complementares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando um paciente se sente à vontade, confiante naquele que o está atendendo, ele tende a transmitir melhor suas dores e aflições. A confiança fortalece a aliança terapêutica e aumenta a disposição do paciente de relatar sintomas, medos e impactos da doença. A qualidade da aliança é um preditor consistente de desfechos terapêuticos em psicoterapia e em cuidados médicos variados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hoje, a medicina tem se tornado cada vez mais integrada, o que significa tratar o paciente como um todo &#8211; bio, psico, social e espiritual &#8211; e integrar equipes multiprofissionais que trabalhem de forma coordenada. Modelos como o &#8220;padrão médico com foco no paciente&#8221; (medical home), método clínico centrado na pessoa e práticas colaborativas entre profissionais de saúde são pilares. Essa é uma tendência crescente. A prática integrada envolve times interprofissionais com médicos, enfermeiros, farmacêuticos, psicólogos e assistentes sociais, juntamente com uma comunicação eficaz, prontuários compartilhados, planos de cuidado co-construídos com o paciente e familiares quando apropriado, além de avaliação contínua de resultados. A educação para prática colaborativa é enfatizada em diretrizes internacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, o papel das instituições de ensino é formar profissionais capazes de pensar de forma crítica e ética, com competências para comunicação eficaz, empatia, responsabilidade social e trabalho colaborativo. Isso envolve currículo integrado de ciências básicas, clínica, humanidades, ética, direitos do paciente, cidadania em saúde e experiências com a comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nossa grande responsabilidade, como médicos, é garantir cuidado ético, equidade, dignidade e bem-estar do paciente, ao mesmo tempo reconhecendo o papel social da medicina na promoção de saúde pública, redução de desigualdades e justiça. O médico deve atuar com princípios de beneficência, autonomia, não maleficência e justiça.</p>
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		<title>Vida de Médico: entrevista com o urologista Ailton Faion</title>
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		<pubDate>Thu, 04 May 2023 10:49:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Últimas Matérias]]></category>
		<category><![CDATA[Vida de Médico]]></category>
		<category><![CDATA[Dr. Ailton Faion]]></category>
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		<category><![CDATA[relação médico-paciente]]></category>
		<category><![CDATA[urologista Ailton Faion]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dr. Ailton Faion: “a relação médico paciente é o principal pilar do tratamento médico” É sempre prazeroso conhecermos o lado pessoal da vida dos nossos médicos. Isto nos aproxima mais, fortalecendo a relação médico-paciente. Dessa vez o Portal Medicina e Saúde entrevistou o Dr. Ailton Faion, diretor clínico do Hospital Urológica em Belo Horizonte, membro &#8230;</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><em>Dr. Ailton Faion: “a relação médico paciente é o principal pilar do tratamento médico”</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">É sempre prazeroso conhecermos o lado pessoal da vida dos nossos médicos. Isto nos aproxima mais, fortalecendo a <strong>relação médico-paciente</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Dessa vez o Portal Medicina e Saúde entrevistou o <strong>Dr. Ailton Faio</strong>n, diretor clínico do <strong>Hospital Urológica</strong> em Belo Horizonte, membro efetivo do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, onde ele conta um pouco de sua história e aborda os desafios, sua rotina de trabalho e as&nbsp;diferenças da medicina praticada no início do exercício de sua profissão e atualmente, entre outros aspectos. Confira:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Dr. Ailton, quando e por que o senhor decidiu fazer medicina</em></strong><em>?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao término do meu segundo grau, em 1983, que foi um curso técnico em Química, no interior de Minas Gerais &#8211; eu sou de Andradas -, como eu gostava muito de Ciências Biológicas, e admirava muito a profissão de médico (tinha grandes exemplos em minha cidade), resolvi fazer o vestibular para Medicina.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Quais os desafios que encontrou no início de sua carreira?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todo começo é sempre difícil, mas acho que minha maior dificuldade foi não ter nenhum familiar médico, que pudesse me ajudar no início da minha carreira. Inicialmente, havia planejado voltar para minha cidade, Andradas, mas várias circunstâncias acabaram por me fazer permanecer em BH.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Como é sua rotina de trabalho?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Como urologista, uma especialidade que tem uma parte cirúrgica e clínica importante, divido meu tempo entre o consultório e o bloco cirúrgico. Trabalho de segunda à sexta e às vezes aos sábados. Atualmente não dou mais plantão. Porém, eventualmente, tenho cirurgias de urgência fora de horário. Por mais que tenha tentado diminuir minha carga de trabalho, afinal já são mais de 30 anos de profissão, ainda não consegui. E quando falo isso, tenho de deixar claro que me sinto realizado profissionalmente e muito feliz com a carreira que abracei. O fato de ainda não ter conseguido diminuir o ritmo de trabalho tem muito a ver com a responsabilidade de ser médico. É daí que vem a expressão de que medicina é um sacerdócio. Você não consegue simplesmente falar: vou diminuir ou parar de trabalhar. Existe toda uma responsabilidade envolvida na profissão de médico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Quais as diferenças entre o curso de Medicina de sua época e o atual?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Puxa, são enormes! Por ter dois filhos fazendo medicina (e uma nora também!), o que me deixa cheio de orgulho, estou bem a par das novas tendências do ensino médico, principalmente o PBL (sigla em inglês para aprendizado baseado no problema). Acho o ensino atual muito mais efetivo do que em minha época. De uma forma geral, eu e toda minha geração de médicos até poucos anos atrás, aprendíamos medicina por partes (da célula aos tecidos e depois ao órgão e, então, depois da fisiologia e anatomia normal, aprendíamos sobre as alterações anatômicas e fisiológicas, depois as doenças e, então, como tratá-las. Hoje, parte-se da doença e se faz o caminho inverso: pela fisiologia e anatomia alteradas pela doença, como tratá-la e, então, estuda-se o órgão e o tecido sadio. Por maior relutância que minha geração possa ter a essa fórmula, estou convicto de que ela é mais eficiente!</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Hoje, o aluno tem mais visão humanística ou mais visão mercadológica</em></strong><em>?</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudante de medicina atual entra na escola com uma visão mercadológica que ele obteve no ensino médio, que também não existia em minha época. Por mais que as escolas queiram transmitir uma visão humanística (que é parte inerente da medicina) essa parte mercadológica não pode ser negada ou negligenciada, nem pelo aluno nem pela escola.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>A concorrência é muito grande? Como se destacar?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A concorrência sempre foi grande, e vai continuar sendo. Nunca pensei em termos de aumento de escolas de Medicina, já que ainda temos uma discrepância grande entre número de habitantes e número de médicos sugeridos pela OMS (Organização Mundial de Saúde). O que ocorre é uma má distribuição dentro desse nosso país continental. Já se destacar na profissão passa por se especializar e se diferenciar, se for ficar em um grande centro, ou ser um ótimo generalista e ir para o interior.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Como é a relação médico-paciente na medicina moderna?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A relação médico paciente é o principal pilar do tratamento médico. Sem ela, não se faz diagnósticos e muito menos algum tratamento. Uma vez que essa relação não ocorra ou em algum momento seja quebrada (e isso pode acontecer por diversos motivos), o melhor é ser franco e encaminhar o paciente a outro colega. Já dizia Giordano Bruno, no fim da idade média: “os magos curam pela fé mais que os médicos pela ciência”. Tem de existir empatia entre médico e paciente. A melhor forma de construir isso é através do olho no olho, sendo franco sobre seus conhecimentos e sobre suas dúvidas e nunca tirando a esperança do paciente. Hoje, esse aprendizado não é feito por uma disciplina, mas sim, no dia a dia no ambulatório e no leito do hospital, ao lado do paciente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>O senhor faz trabalhos voltados para a comunidade?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Até hoje, com muito orgulho, atuo em um grande hospital de Belo Horizonte, o Hospital da Baleia, que faz um serviço maravilhoso para a cidade, o estado e o país. Atendo e opero, junto de uma equipe capacidade de colegas e residentes médicos, para a população mais carente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Em um país com diferença social acentuada como no Brasil, como o médico deve se preparar para uma visão mais social?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudante que pensa em fazer medicina tem de trazer do ensino médio (ou, quem sabe, do próprio berço) o sentimento&nbsp;da responsabilidade social que cabe ao profissional de saúde. Na Bíblia, o livro mais sábio do mundo, está escrito que cabe a nós multiplicar e dividir os talentos que nos foram confiados!</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>O que poderia dizer para os jovens colegas que estão no caminho da medicina?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">É a melhor profissão do mundo! Vai dificultar seu convívio familiar, você será muito cobrado pelos seus familiares, pelos seus pacientes, pelos seus colegas. Tudo isso, 24 horas por dia, sete dias por semana. Mas você poderá dizer um dia: combati o bom combate! Sucesso e força a todos que estão começando ou estão no meio &nbsp;dessa trajetória maravilhosa de ser médico.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Na correria do dia a dia, como é o apoio de sua família?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Comprometimento total comigo, até por que meus filhos estão fazendo medicina! Algumas cobranças por mais tempo perto deles, mas de uma forma muito amorosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Finalizando, gostaria de saber o que o senhor faz para relaxar? Tem algum hobby?</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Leio muito, escrevo, assisto séries e filmes e pratico corrida. Aliás, minhas corridas, feitas de madrugada, com amigos de longa data, são minha melhor terapia.</p>
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