Anúncio do jornalista Chico Pinheiro sobre o tratamento que está passando devido a um câncer de intestino amplia discussão sobre a doença

Cirurgião do aparelho digestivo explica como o câncer do intestino se manifesta, quais sinais merecem investigação e a importância do diagnóstico precoce
Imagem-crédito: Elias por Pixabay
O jornalista Chico Pinheiro, muito conhecido no país devido a sua atuação como apresentador na TV Globo ao longo de anos, compartilhou nesta sexta-feira (4) um vídeo nas redes sociais em que aparece durante a 11ª semana de quimioterapia para tratar um câncer de intestino. Bem-humorado, ele brincou sobre os efeitos do tratamento e disse que, depois de concluir a quimioterapia, vai “farmar aura”. A publicação chamou atenção justamente pela forma leve como o jornalista tem compartilhado sua experiência com o tratamento.
O relato também coloca novamente em evidência um tipo de câncer que vem ganhando espaço entre os brasileiros e que pode apresentar sinais facilmente confundidos com alterações comuns do funcionamento intestinal. Mudanças no hábito intestinal, sangramento nas fezes, dor ou distensão abdominal e perda de peso sem explicação, por exemplo, merecem investigação, especialmente quando persistem.
Para falar sobre o câncer de intestino para além do caso do jornalista, o Dr. Lucas Nacif/São Paulo/SP, cirurgião do aparelho digestivo e especialista em transplante hepático, membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), explica como a doença se desenvolve, quais alterações no corpo devem acender um sinal de alerta, quais exames ajudam na investigação e por que o diagnóstico precoce é tão importante para as chances de tratamento.
O que é o câncer de intestino? – Segundo Nacif, esse tipo de câncer geralmente se origina a partir de crescimentos anormais de células, evoluindo com pequenas lesões chamadas pólipos adenomatosos que podem se tornar cancerígenas ao longo do tempo. “O câncer colorretal pode se desenvolver por muitos anos sem causar sintomas visíveis. No entanto, à medida que o câncer cresce, podem ocorrer sinais e sintomas como mudanças nos hábitos intestinais, sangramento retal, dor abdominal, fraqueza e perda de peso inexplicada”, resume o cirurgião.
O médico ainda esclarece que os estágios do câncer de intestino variam do estágio I, quando o câncer invadiu a parede do intestino, mas não através dela, até o estágio IV, quando o câncer se espalhou para órgãos distantes, como o fígado ou os pulmões.
Causas – De acordo com Nacif, uma dieta pobre em frutas, vegetais e carnes magras, combinada com o consumo excessivo de carnes vermelhas e/ou processadas, pode aumentar o risco de desenvolvimento do câncer colorretal. Além disso, hábitos como o consumo excessivo de álcool, tabagismo, sedentarismo e excesso de peso também estão associados a um maior risco da doença.
No entanto, enfatiza que, embora diversos fatores possam aumentar a probabilidade de desenvolver a doença, ainda não se conhece completamente suas causas específicas. Ele ressalta que os tumores na região geralmente se desenvolvem a partir de mutações genéticas que ocorrem em pólipos, lesões benignas do intestino.
Como é feito o diagnóstico – “O diagnóstico precoce da doença pode ser alcançado através da realização de uma investigação minuciosa, utilizando exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos. No caso específico do câncer colorretal, o rastreamento pode ser conduzido através de dois principais exames: pesquisa de sangue oculto nas fezes e endoscopias, como colonoscopia ou retossigmoidoscopia”, explica o médico.
Câncer de intestino tem cura? Qual é o tratamento? – Segundo Nacif, a identificação precoce do tumor é fundamental, pois aumenta consideravelmente a eficácia do tratamento, alcançando taxas de cura acima de 90%. “Portanto, não se deve nunca negligenciar sinais suspeitos, mas sim buscar avaliação médica especializada”, resume.
Quanto ao tratamento, o médico explica que varia de acordo com o estágio do tumor. Geralmente, a cirurgia é realizada para remover as partes do intestino afetadas pelo câncer. Em estágios mais avançados, a quimioterapia e a radioterapia podem ser necessárias. Em situações em que o câncer está avançando e crescendo rapidamente, tanto a radioterapia quanto a quimioterapia podem ser utilizadas para controlar o crescimento tumoral.
O cirurgião ressalta a importância de exames periódicos, principalmente em pessoas que já tiveram casos da doença na família, devido à possibilidade de predisposição hereditária, e de acompanhamento médico individualizado para definir o momento adequado do rastreamento. “A prevenção sempre será o melhor remédio, somado a uma alimentação equilibrada e vida saudável com atividade física”, alerta o especialista.




