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Caia na folia com responsabilidade: misturar álcool com medicamento é muito perigoso

Essa dobradinha pode transformar sua diversão em uma emergência médica

Foto: Freepik

Para muitos brasileiros, Carnaval combina com festa, calor e bebida alcoólica. Mas o que poucos foliões sabem é que misturar álcool com medicamentos, mesmo os mais comuns ou vendidos sem receita, pode transformar a diversão em uma emergência médica. Diante desse cenário, o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) faz um alerta à população: aproveitar a folia com segurança também é uma questão de saúde.

Segundo o CRF-SP, a associação entre bebida alcoólica e medicamentos pode provocar desde náuseas, taquicardia e sonolência até queda abrupta da pressão arterial, hemorragias gastrointestinais, desmaios e colapso cardiovascular, dependendo da substância envolvida. “O medicamento não deixa de agir porque é Carnaval. O organismo continua metabolizando álcool e fármacos ao mesmo tempo, e essa combinação pode gerar efeitos imprevisíveis e graves”, alerta a farmacêutica Amouni Mourad, assessora técnica do CRF-SP.

Uso indevido de tadalafila acende sinal de alerta entre jovens – Entre os pontos que mais preocupam está o uso crescente e indiscriminado da tadalafila, medicamento indicado para disfunção erétil, por jovens saudáveis e sem diagnóstico médico, especialmente em contextos de festas e atividades físicas intensas. “A tadalafila promove vasodilatação periférica. Quando associada ao álcool ou ao esforço físico intenso, comum no Carnaval, pode provocar hipotensão severa, tonturas, dores de cabeça intensas, desmaios e até colapso cardiovascular”, explica a Dra. Amouni.

O risco aumenta quando o medicamento é utilizado com a falsa promessa de melhorar desempenho físico ou sexual, prática que não tem respaldo científico e pode ser extremamente perigosa.

Perigo invisível – A farmacêutica alerta ainda que a tadalafila interage com diversos medicamentos, o que pode potencializar efeitos adversos ou comprometer tratamentos em andamento. Entre as associações que devem ser evitadas estão:

  • Medicamentos cardiovasculares: propranolol, captopril, losartana, clonidina
  • Nitratos: nitroglicerina, propatilnitrato, dinitrato de isossorbitol
  • Antibióticos: claritromicina, eritromicina, rifampicina
  • Antidepressivos: sertralina, desipramina
  • Antifúngicos: cetoconazol, itraconazol
  • Outros medicamentos para disfunção erétil: sildenafil e vardenafil

Combinações perigosas – O CRF-SP também alerta para outras associações frequentes entre álcool e medicamentos:

  • Calmantes e ansiolíticos: aumento do efeito sedativo, risco de coma e depressão respiratória
  • Antibióticos: náuseas, vômitos, taquicardia e maior risco de toxicidade hepática
  • Anti-inflamatórios: maior chance de úlceras e sangramentos gastrointestinais
  • Anti-hipertensivos: quedas acentuadas de pressão, tontura e desmaios
  • Antialérgicos: sonolência excessiva, confusão mental e prejuízo da coordenação motora
  • Antidiabéticos: risco de hipoglicemia e efeitos adversos graves
  • Paracetamol: potencial dano hepático
  • Cafeína em excesso: desidratação e piora da ressaca

A orientação farmacêutica é uma das principais estratégias de prevenção. Presente em farmácias e drogarias. O farmacêutico é o profissional de saúde mais acessível à população e está preparado para orientar sobre o uso racional de medicamentos. Assim, orienta a Dra. Amouni, “antes de tomar qualquer medicamento, especialmente se houver consumo de álcool, procure o farmacêutico. Essa conversa pode evitar complicações graves e salvar a sua vida”.

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