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Sociedade Brasileira de Medicina Personalizada apoia alerta de ministra sobre estigma da endometriose e defende terapias de precisão contra dores crônicas

Presidente da SBMP, Prof. Dr. Walter Pace: “a iniciativa de destinar recursos científicos para essas patologias é um marco histórico e um passo importante para que a saúde da mulher seja tratada com a seriedade clínica e a urgência que o tema exige”
 

A Sociedade Brasileira de Medicina Personalizada (SBMP) manifestou oficialmente seu total apoio ao recente lançamento do projeto de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias voltado à endometriose, à dor pélvica e à saúde menstrual, anunciado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O programa visa criar soluções inovadoras para condições que afetam milhões de mulheres no Brasil.

Durante o evento de lançamento, a Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, chamou a atenção para o “verdadeiro estigma” que ainda envolve o tema no país, destacando o impacto prático na rotina feminina: “Eu tenho uma filha que tem dores e cólicas menstruais. Há dias em que ela não consegue ir para o colégio, mas ela fica morta de vergonha porque acha que ninguém deve saber que é por causa da cólica. Então há muita subjetividade nisso, o que prejudica o desempenho escolar. Você imagina, então, no trabalho”.

Para o presidente da SBMP, Prof. Dr. Walter Pace, a iniciativa de destinar recursos científicos para essas patologias é um marco histórico e um passo importante para que a saúde da mulher seja tratada com a seriedade clínica e a urgência que o tema exige. De acordo com Pace, o maior estigma enfrentado pelas pacientes reside exatamente na naturalização da dor.  “Historicamente, a sociedade e, até mesmo, parte da comunidade médica, condicionaram a mulher a acreditar que sentir dores incapacitantes durante o período menstrual era algo normal. Não é. Essa banalização da cólica severa cria uma barreira invisível que faz com que uma paciente demore, em média, de sete a dez anos para obter um diagnóstico definitivo de endometriose profunda no Brasil. Apoiar a fala da ministra Luciana Santos significa lutar para que essas mulheres parem de sofrer em silêncio”, afirma.

O presidente da SBMP ressalta ainda que, além do diagnóstico precoce, o grande desafio na promoção da saúde feminina está em garantir o acesso a terapias modernas e individualizadas que barrem a evolução da doença. Conforme destaca, “a endometriose profunda, a adenomiose e os miomas uterinos provocam hemorragias e dores crônicas devastadoras. Quando a ministra fala em quebrar o estigma e buscar tratamentos adequados, nós, como médicos, precisamos falar em garantir o direito de tratar essas mulheres com o que há de mais eficiente na medicina de precisão, incluindo a via dos implantes hormonais subcutâneos de liberação contínua, que tratam a raiz da dor sem a toxicidade hepática dos medicamentos orais.”

O vice-presidente da entidade médica, Dr. Guilherme Renke, corrobora com a análise e alerta sobre o impacto social e econômico da doença, que afeta cerca de uma a cada dez mulheres em idade reprodutiva no país. Segundo ele, “a endometriose não é apenas uma condição física; ela compromete a saúde mental, os relacionamentos e a capacidade produtiva da mulher. Estudos mostram que as dores intensas podem afastar as mulheres do trabalho por mais de 10 horas semanais. Nesse sentido, combater o estigma mencionado pela ministra Luciana Santos é também entender a endometriose como um problema de saúde pública e de economia ativa.”
 

O endocrinologista alerta ainda que o atual ecossistema de debate no Brasil precisa separar a medicina séria dos modismos estéticos para proteger essas pacientes. Infelizmente, afirma, “a desinformação gerou um novo estigma: o de associar tratamentos hormonais legítimos ao ganho estético. A SBMP condena veementemente o uso de implantes para fins de beleza ou performance esportiva, mas defende que o cerco regulatório aos abusos não pode punir a mulher doente. O tratamento individualizado, desenhado sob exames laboratoriais rigorosos, devolve a dignidade e a qualidade de vida a milhares de brasileiras que sofrem com essa condição silenciosa. A saúde feminina precisa de ciência, acolhimento e políticas públicas integradas, exatamente como defendeu a ministra.”

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