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Câncer na adolescência requer tratamento diferenciado

Quando ocorre nesta etapa da vida, o câncer gera um complicado panorama, que envolve aspectos biológicos, psicológicos e sociais

Muito se fala no câncer em adultos ou em crianças, mas pouco se fala quando detectado na adolescência. Seu diagnóstico é difícil, o tratamento exige uma série de cuidados específicos e um atendimento oncológico diferenciado, conforme explica o Dr. Lisandro Lima Ribeiro, hematologista e oncologista do Pilar Hospital/Curitiba, que atua em Transplante de Medula Óssea (serviço em que o hospital é credenciado desde 2015) e que tem experiência em tratamento hemato-oncológico de pacientes nesta fase da vida.

“O câncer é o crescimento desordenado de determinado tipo celular. Na criança geralmente se origina de células muito jovens, as embrionárias. Já no do adulto, de células já adultas. O crescimento do câncer na criança acaba sendo mais rápido em comparação ao câncer do adulto. Por este motivo devemos investir em campanhas de diagnóstico precoce no câncer infantil e em campanhas de prevenção no câncer do adulto. Já o câncer do adolescente fica em uma fase de transição”, salienta o médico.

Os tipos mais comuns de cânceres no adolescente são os sarcomas (que podem acometer tecido ósseo ou tecido mole), as leucemias agudas, os linfomas e os tumores do Sistema Nervoso Central.

Além de questões biológicas, o câncer em adolescentes implica aspectos de outras ordens, em especial o psicológico. “A adolescência é uma fase de transição entre infância e idade adulta. Um período de grandes mudanças e questionamentos. O diagnóstico de um câncer pode ser devastador nesta etapa da vida. O tratamento exige protocolos específicos para cada tipo de câncer nesta fase, mas é fundamental o acompanhamento psicológico para que o jovem tenha o suporte emocional para não desistir ou abandonar o tratamento”, explica Dr. Lisandro.

Aspectos sociais também têm um forte peso. O médico lembra que a adolescência é uma fase de questionamentos sobre a sexualidade, a inclusão na sociedade, a família, a educação e até mesmo sobre a escolha profissional. “A rebeldia não é rara neste período da vida. Além disso, os cuidados com o corpo são frequentes, com busca de atividades físicas. Nesse sentido, os efeitos colaterais do tratamento oncológico podem ser traumáticos, como a queda do cabelo, perda de massa muscular ou mesmo amputação de um membro em decorrência do tratamento. Por esta razão é de grande importância o paciente ser acompanhado por uma equipe preparada para auxiliar nestes desafios”.

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