Gula e compulsão alimentar, você sabe a diferença?

Nutricionista Bárbara Ávila: ¨o Transtorno de Compulsão Alimentar é uma condição clínica que envolve comer uma quantidade de comida definitivamente maior do que a maioria das pessoas comeria em um período semelhante, sob circunstâncias similares”
O recente Dia da Gula, comemorado neste 26 de janeiro, serve tanto para celebrar os prazeres da comida com moderação quanto para conscientizar sobre os perigos do consumo excessivo e os transtornos alimentares. De acordo com a Organização Mundial da Saúde – OMS, 4,7% dos brasileiros sofrem de compulsão alimentar, quase o dobro da média global, que é de 2,6%. Para abordar essa questão, a nutricionista Bárbara Ávila, de Goiânia-GO, explica que a gula é o desejo de comer por prazer, mesmo sem fome física.
“Geralmente está ligada ao paladar e ao contexto social. A pessoa consegue parar quando se sente satisfeita e não há perda de controle ou sofrimento psíquico profundo após o ato. Por outro lado, o Transtorno de Compulsão Alimentar (TCA) é uma condição clínica que envolve comer uma quantidade de comida definitivamente maior do que a maioria das pessoas comeria em um período semelhante, sob circunstâncias similares, acompanhada de uma sensação de perda de controle”, observa.
Para ficar mais claro, explica, “a vontade de comer torna-se um sinal de alerta quando ocorre pelo menos uma vez por semana, por três meses consecutivos, e vem acompanhada por sentimentos de culpa, nojo de si mesma, bem como por uma necessidade de comer escondido, ou de fazer jejuns sem orientação ou excesso de exercícios, como compensação do exagero alimentar”.
Fome ansiosa – Muitas pessoas ao ficarem ansiosas ou nervosas descontam suas emoções na comida. Bárbara Ávila salienta que sua origem é multifatorial, mas existem três pilares principais:
- Fisiológico, quando as dietas restritivas são o principal gatilho;
- Emocionais, quando a comida é usada como mecanismo de regulação emocional (anestesia para o estresse, solidão ou tédio);
- E comportamentais, como o hábito de comer distraído (frente a telas) ou pular refeições, o que desregula a percepção de saciedade.
De acordo com a especialista, é possível diferenciar a fome fisiológica da simples vontade de comer. “A primeira surge gradualmente, é sentida no estômago e é ‘paciente’. Você aceita melhor alimentos variados, inclusive mais saudáveis. Já a fome emocional é súbita e específica para alimentos hiper palatáveis, em muitas situações os mais ricos em açúcar e/ou gordura. Não passa com uma refeição comum e busca conforto imediato”.
Soluções – De acordo com a nutricionista, as estratégias comprovadas para evitar e diminuir esses episódios de fome ansiosa é ter na alimentação um aporte correto de fibras, proteínas e água. “A dica científica que eu uso em consultório é pedir para o paciente pensar: se você não comeria uma fruta agora, a sua necessidade provavelmente é emocional, não nutricional. Além, claro, de se ter uma boa higiene do sono, pois o sono irregular reduz a leptina (saciedade) e aumenta a ghrelina (fome)”.
Bárbara Ávila ressalta que a ajuda profissional é indispensável quando o ato de comer gera sofrimento, isolamento social, perda de controle alimentar, falta de equilíbrio e se há busca de alternativas extremas para controle de peso (como jejuns sem direcionamento, excesso de exercícios, uso de laxantes, indução de vômitos, entre outros).
Conforme destaca, “o acompanhamento é multidisciplinar, focado na nutrição que vai trazer a reabilitação comportamental e equilíbrio metabólico. Um psicólogo auxilia na regulação emocional e, quando percebemos o diagnóstico mais grave clínico, o paciente é encaminhado ao psiquiatra, e trabalhamos todos em equipe”.

