Homens devem procurar atendimento urológico a partir dos 40 anos para detecção precoce de doenças

Por Dr. Tiago Moura: coordenador do Departamento de Urologia Geral da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo, doutor em Urologia pela FM-USP SP e chefe do Serviço de Urologia da PUC Campinas.
O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de tratamento de uma série de doenças e, muitas vezes, permite alternativas menos agressivas. No caso da saúde masculina, em primeiro lugar o que mais mata os homens após os 40 anos são as doenças cardiovasculares, como o infarto e derrame. Em segundo, os tumores malignos, como câncer de próstata, intestino e pulmão. Essas doenças são assintomáticas por um longo período, e os sintomas aparecem apenas em fases mais avançadas. Um exemplo é o câncer de próstata. Quando descoberto no início, as chances de cura são muito elevadas. O problema é que, na maioria das vezes, ele não provoca sintomas nas fases iniciais. Assim, esperar aparecer algum sintoma pode significar diagnosticar a doença em estágio mais avançado.
Homens com pai ou irmão que tiveram câncer de próstata, principalmente quando o diagnóstico ocorreu antes dos 60 anos, apresentam maior risco de desenvolver a doença. Nesses casos, recomenda-se iniciar a avaliação com o urologista por volta dos 45 anos. Em situações de risco ainda maior, como vários familiares acometidos ou presença de mutações genéticas, essa avaliação pode começar a partir dos 40 anos, sempre com orientação médica.
Além disso, alterações urinárias ou da função sexual, podem ser sinais de outras doenças importantes, inclusive cardiovasculares e metabólicas. O ideal é que o homem passe a realizar consultas preventivas com o urologista a partir dos 40 anos, mesmo que não tenha sintomas. A frequência de idas ao médico pode variar conforme a idade, histórico familiar e presença de doenças, mas, para a maioria dos homens, uma consulta anual é suficiente. Caso exista alguma alteração, o acompanhamento pode ser mais frequente.
Entre as principais doenças que acometem os homens após os 40 e 45 anos, as mais comuns são hiperplasia prostática benigna (HPB): aumento benigno da próstata, que pode causar dificuldade para urinar, jato urinário fraco e aumento da frequência urinária. Depois é comum o aparecimento do câncer de próstata e, por fim, disfunção erétil, que pode estar relacionada ao envelhecimento, doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e fatores emocionais.
Na primeira consulta, o urologista conversa sobre o histórico de saúde do paciente, doenças na família e hábitos de vida, como alimentação, atividade física, tabagismo e consumo de álcool, sintomas urinários, como anda a função sexual, bem como o uso de medicamentos. Também realiza o exame físico e, quando indicado, solicita exames complementares. Dependendo da idade e dos fatores de risco, pode haver indicação da avaliação da próstata, incluindo o exame de toque retal e o PSA.
Deficiência de testosterona – É importante lembrar que, nem toda redução do hormônio significa doença. O tratamento só é indicado quando existem sintomas associados e a deficiência é confirmada por exames laboratoriais. Entre os principais sintomas incluem: redução da libido, diminuição das ereções espontâneas, cansaço excessivo, perda de massa muscular e força, aumento da gordura corporal, piora da disposição e da concentração.
A conduta médica consiste em investigar a causa, confirmar o diagnóstico com exames e avaliar se existe indicação para reposição hormonal. Antes de iniciar qualquer tratamento, é fundamental descartar contraindicações e acompanhar o paciente regularmente. Os principais exames requisitados para o homem que começou a ir regularmente ao urologista são definidos de forma individualizada, e os mais frequentes incluem:
- PSA (antígeno prostático específico);
- exame de urina;
- exames laboratoriais gerais;
- avaliação cardiológica anual;
- exames mais específicos, quando indicados, como ultrassonografias, colonoscopia.
É importante destacar que o exame mais importante continua sendo a avaliação médica. Os exames complementam a consulta, mas não substituem uma boa avaliação clínica. Reitero que, na maioria dos casos, o homem costuma procurar atendimento apenas quando os sintomas aparecem. No entanto, muitas doenças, urológicas ou não, se desenvolvem de forma silenciosa. Uma consulta anual com o urologista, associada a hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, não fumar e moderar o consumo de álcool, pode fazer toda a diferença na qualidade de vida e na longevidade.
Prevenção é um investimento na saúde e no futuro. Quanto mais cedo cuidamos da saúde, maiores são as chances de manter uma vida longa, ativa e com qualidade.




