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Lipoaspiração: atenção para a indicação da cirurgia!

O cirurgião plástico Flávio Mendes: “por se tratar de um ato médico, só deve ser realizado por equipe profissional qualificada e capacitada para tanto, e feita em ambiente hospitalar com todas as condições para o atendimento imediato a possíveis intercorrências e complicações”

A lipoaspiração é uma das cirurgias plásticas mais realizadas no Brasil, mas sua indicação deve ser muito bem observada pelo paciente, durante consulta com o especialista. Tais procedimentos são complexos e exigem treinamento específico, com amplo conhecimento anatômico, destreza manual e monitoramento cuidadoso da resposta orgânica ao trauma. O alerta é do cirurgião plástico Flávio Henrique Mendes, diretor secretário da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica/Regional SP, em entrevista ao Portal Medicina e Saúde, falando também de outras questões.

Ele é professor Doutor da Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina de Botucatu e Uninove Bauru. Membro Titular das Sociedades Brasileira, Norte Americana e Ibero Americana de Cirurgia Plástica.

Dr. Flávio, o que vem a ser esse procedimento?

A Lipoaspiração é uma cirurgia que visa remover gordura localizada do subcutâneo, através da passagem de cânulas finas que entram por pequenos orifícios na pele e promovem uma sucção seletiva do tecido adiposo, geralmente em sua camada mais profunda. A pressão negativa é gerada através de seringa apropriada ou aparelho pneumático conhecido como lipoaspirador. Os resultados estéticos são muito bons, mas é certo que existem limitações. Uma vez que a gordura sai sem haver retirada de pele e, consequente, cicatriz aparente, a melhoria do contorno pode cursar com algum grau de flacidez, dependendo da qualidade prévia do revestimento cutâneo. Além disso, ressecções exageradas podem resultar em depressões e irregularidades localizadas, bem como alterações orgânicas pela agressão cirúrgica demasiada. 

Este é o conceito da Lipo tradicional, comum a todas as outras variações técnicas que buscam agregar tecnologias para aprimorar esse processo.

Quais as lipos mais comuns?

Ao longo desses mais de 40 anos da lipoaspiração, algumas inovações têm sido incorporadas com o objetivo de facilitar a extração da gordura, diminuir o trauma operatório e melhorar a retração da pele. Assim, temos assistido uma evolução constante das cânulas em suas versões tradicional, vibratória, ultra sônica, à laser e, mais recentemente, com radiofrequência e plasma. Todas essas variantes tecnológicas, geralmente de alto custo agregado, com maior ou menor comprovação de eficácia por evidência científica, prometem ajudar na obtenção de melhores resultados. Entretanto, é preciso salientar que a peça mais fundamental de todas é, justamente, aquela que está por trás da cânula e do aparelho, ou seja, o cirurgião plástico. Significa dizer que a habilidade e experiência do técnico são tão ou mais importantes do que a eventual sofisticação da técnica.

No Brasil, em média, são feitas 596 lipoaspirações a cada 24 horas. Parece que esse procedimento fica em segundo lugar depois de silicone nos seios, segundo a SICP. Porque essa demanda tão excessiva? Esse dado confere?

Realmente, a lipoaspiração é uma das cirurgias mais realizadas em nosso meio. Esses números são projeções de uma entidade internacional que congrega muitos especialistas brasileiros, mas bem longe de sua totalidade. Levantamentos estatísticos no Brasil são geralmente deficientes, mas se considerarmos os mais de 7.000 cirurgiões plásticos em nosso território, e, ainda, que a lipoaspiração é realizada não apenas com objetivos estéticos mas também em diversas aplicações da cirurgia reparadora e medicina regenerativa, é possível que esses números sejam ainda maiores. Isso pode ser um indicativo claro da relevância desse procedimento no cenário atual das necessidades e desejos das pessoas.

Em quais circunstâncias se deve submeter a uma lipoaspiração?

Existe uma máxima da especialidade que se aplica também aqui: “Lipoaspiração não serve para emagrecer”. Ela pode sim, aprimorar o contorno corporal, atuando em regiões localizadas de pacientes saudáveis, em boas condições clínicas. As indicações por parte da equipe deverão sempre considerar a relação risco benefício de cada paciente, tendo em vista as possibilidades e limitações da técnica. O contorno corporal deve refletir, em última análise, o estilo de vida e as características biotípicas de cada um. Uma cirurgia isoladamente não consegue mudar radicalmente essas características, mas pode e deve ser um coadjuvante importante.

Quais os riscos que envolvem o procedimento: sequelas e morte?

Como em toda cirurgia, existe alguma possibilidade da ocorrência de eventos adversos, relacionados ou não ao ato em si. Os pacientes cirúrgicos são submetidos a um determinado stress orgânico que pode precipitar alterações circulatórias de maior ou menor gravidade (tromboses e embolismos), além de problemas como infecção e defeitos na cicatrização (irregularidades no contorno). Todos os cuidados deverão ser tomados no sentido de evitar e contornar essas situações. Uma equipe médica transparente e preparada saberá discutir abertamente esses e outros aspectos com seus pacientes, orientando cada um para uma escolha consciente e esclarecidos de todos os riscos e benefícios do procedimento.

Eventualmente são divulgadas mortes de jovens mulheres que fazem essa cirurgia, algumas conhecidas socialmente. O número é pequeno diante de tantas cirurgias? Fale sobre essa realidade.

Muito embora, numa avaliação mais superficial, as ações de uma lipo possam aparentar como manobras relativamente simples de caráter puramente mecânico, trata-se de um procedimento bastante complexo que exige treinamento específico, com amplo conhecimento anatômico, destreza manual e monitoramento cuidadoso da resposta orgânica ao trauma. Por se tratar de um ato médico, só deve ser realizado por equipe profissional qualificada e capacitada para tanto, em ambiente hospitalar com todas as condições para o atendimento imediato a possíveis intercorrências e complicações que, infelizmente, podem acontecer. Nesse sentido, os pacientes devem ser muito bem informados sobre essas possibilidades. Respeitadas essas considerações, a ocorrência desses eventos adversos maiores se conserva dentro dos patamares e limites considerados aceitáveis para o tipo de procedimento.

Quais os principais avanços na área?

Sem dúvida alguma, a chamada “Lipo HD” (High Definition), em bom português “Lipo de Alta Definição”, é a bola da vez. O procedimento tem despertado grande interesse em muitos cirurgiões e pacientes. O conceito não é necessariamente novo, uma vez que mesmo com a lipoaspiração tradicional, sempre existiu a preocupação em se preservar e enaltecer alguns aspectos da tridimensionalidade das silhuetas. Ocorre que os ditames da segurança na viabilidade circulatória da pele, orienta para se preservar as camadas mais superficiais da gordura, até porque tentativas de se realizar grandes lipoaspirações superficiais se mostraram extremamente deletérias no passado. Entretanto, este novo conceito visa estabelecer um delineamento artístico de curvas e formas atléticas ao contorno corporal, utilizando um planejamento detalhado com áreas específicas de lipoaspiração superficial controlada, em meio a outras áreas submetidas a lipo tradicional, inclusive com enxertia de gordura. Algumas novas tecnologias podem ainda estar associadas a essas manobras. Os resultados iniciais chegam a ser impressionantes, mas alguns cuidados se mostram importantes, especialmente nessa fase de sedimentação da técnica. Trata-se de algo relativamente novo, que ainda demanda observação a longo prazo e que nem todos os cirurgiões plásticos detém grande experiência. Além disso, não está indicado para qualquer pessoa, mas, geralmente, para pacientes magros e que apresentam um estilo de vida compatível com a proposta, até mesmo para se garantir e assegurar a continuidade dos resultados.

Como é o pós-operatório? Quantos dias?

Essa definição não é exata e pode variar bastante de acordo com as características pessoais de cada paciente, bem como da extensão do procedimento e da técnica empregada. Embora geralmente dentro de algumas poucas semanas já se observe a resolução satisfatória daquele inchaço inicial mais pronunciado, dolorimento local e ecmoses cutâneas (manchas arroxeadas na pele), com a possibilidade de retorno às atividades cotidianas, sabemos que o resultado final e definitivo dessa cirurgia pode levar de quatro a seis meses, mesmo com todos os cuidados de repouso e fisioterapia pós operatórios.

Como recomendação, o que o senhor destaca?

Se você acredita que a lipoaspiração possa ser uma opção viável para o seu caso, procure se aconselhar através de uma consulta médica com um cirurgião plástico de sua confiança. Evite estabelecer esses conceitos baseando-se exclusivamente nas mídias sociais que, geralmente, mostram situações genéricas e não exatamente voltadas à sua realidade específica. Cuidado com o “canto da sereia” ao ouvir pretensas novas abordagens como “Lipo Light”, “Hidro Lipo” ou “Lipo de Beverly Hills”, pois não representam novidades verdadeiras ou avanços técnico-científicos. Saiba que o número de likes ou seguidores de um determinado perfil, não representa, necessariamente, segurança e eficiência para o seu atendimento. E finalmente, as diversas tecnologias associadas à lipoaspiração podem ou não ser úteis e indicadas ao seu caso em particular. Daí, a importância de discutir esses aspectos com o seu especialista de confiança. Esta sim, a principal e fundamental peça para se chegar ao sucesso na sua Lipoaspiração!

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