Em FocoÚltimas Matérias

Março Azul Marinho: Campanha de Conscientização do câncer colorretal

Credito Foto: Depositphotos

O risco de desenvolver câncer colorretal é de aproximadamente 70% entre os que apresentam mutação genética associada com síndrome de Lynch e pode chegar a 100% naqueles com polipose adenomatosa familiar. A identificação dos pacientes permite a adoção de medidas eficazes de rastreamento e prevenção, beneficiando inúmeros familiares portadores assintomáticos dessas alterações genéticas. A investigação é feita em um painel de até 42 genes.

Excluindo o câncer de pele não melanoma, o segundo tipo de câncer mais comum em homens é o colorretal. Ele fica atrás apenas do câncer de próstata e o câncer de mama, que são os primeiros em homens e mulheres, respectivamente. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são previstos para este ano, no Brasil, 41 mil novos casos de câncer colorretal (intestino grosso/cólon e reto). O risco de desenvolver a doença é maior após os 50 anos e, majoritariamente, está associado com o estilo de vida, no qual os principais fatores de risco são a dieta com alimentos processados, sedentarismo, obesidade, etilismo, bebidas açucaradas e tabagismo.

Por sua vez, em 5% a 10% dos casos, o câncer colorretal tem como protagonista uma alteração genética hereditária, alerta a Igenomix Brasil, em alusão ao Março Azul Marinho, mês de conscientização sobre a doença.

Mapeamento – As duas síndromes genéticas mais frequentemente associadas ao câncer colorretal são a polipose adenomatosa familiar e o câncer colorretal hereditário não polipose, também chamado de síndrome de Lynch. Na síndrome adenomatosa familiar, causada por uma mutação no gene APC, o risco de desenvolver a doença após os 50 anos é de quase 100%. Já aqueles portadores de alterações em genes relacionados com a síndrome de Lynch, o risco pode chegar a 70%.

A síndrome de Lynch é a mais comum no câncer colorretal hereditário. Ela é caracterizada por alterações herdadas, principalmente, nos genes MLH1, MSH2, MHH6, PMS2 e EPCAM. Ao menos sete entre 10 pessoas com uma destas mutações desenvolverá a doença ao longo da vida. “Isso ocorre porque estes genes têm a função de corrigir os danos que são causados ao DNA. Com a mutação, o gene deixa de funcionar corretamente, resultando assim em um acúmulo de erros no DNA durante o processo de divisão celular”, explica Rodrigo Guindalini, oncologista clínico, oncogeneticista e consultor científico da Igenomix.

Com o avanço do sequenciamento de nova geração (NGS), é recomendável realizar a análise de um painel com um amplo espectro de genes relevantes de predisposição ao câncer. Como exemplo, ele cita o painel Gastrointestinal investiga 42 genes que são associados com risco hereditário para câncer colorretal, estômago, pâncreas, esôfago, duodeno e intestino delgado. 

“Podemos indicar painéis ampliados de genes que investigam a predisposição para câncer de acordo com as características clínicas e histórico pessoal e familiar. Ao identificar a mutação, somos capazes de oferecer um cuidado mais adequado, como antecipação da idade e maior frequência de colonoscopias e outras medidas profiláticas, reduzindo o risco de desenvolvimento da doença”, ressalta o Dr. Rodrigo Guindalini.

Compartilhamento de genes – O acompanhamento dos pacientes com alteração genética associada com maior predisposição hereditária deve seguir o guideline do National Comprehensive Cancer Network (NCCN). Caso seja identificado a síndrome de Lynch, por exemplo, o rastreamento neste paciente, com exame de colonoscopia, começa aos 25 anos e deve ser repetido anualmente, mesmo que nenhum pólipo tenha sido encontrado na avaliação anterior.

Ao ser identificada a alteração genética associada com câncer colorretal hereditário é importante que o resultado do teste genético e as informações recebidas em consultas de aconselhamento sejam compartilhados com seus familiares. Este cuidado pode beneficiar as futuras gerações. Comparativamente, com um parente de primeiro grau, cerca de metade (50%) de seus genes são compartilhados. Um quarto (25%) de seus genes são compartilhados com parentes de segundo grau, enquanto parentes de terceiro grau compartilham 12,5% dos genes.

Recomendações – Para maior garantia, atenção às recomendações a seguir:

  • Para pacientes assintomáticos (sem antecedentes pessoais de câncer) com diagnóstico de síndrome de Lynch, realizar colonoscopia a cada 1/2 anos, começando aos 20/25 anos de idade, ou 2/5 anos antes do câncer de cólon mais precoce, se diagnosticado antes dos 25 anos.
  • Para pacientes assintomáticos com diagnóstico de síndrome de Lynch e câncer de cólon, as chances de desenvolver mais de um tumor no cólon também são altas. Por isso, ao invés de retirar apenas a parte do intestino com câncer, em casos selecionados, também se recomenda uma colectomia total. Nessa cirurgia, todo o cólon do paciente é removido, mas o reto, em geral, é preservado.
  • Em alguns casos, principalmente na polipose adenomatosa familiar, a vigilância com colonoscopias periódicas pode começar na adolescência. Quando o exame identifica uma quantidade considerável de pólipos (mais frequente no começo da vida adulta) uma colectomia total é indicada. Nessa cirurgia, todo o intestino grosso do paciente é removido. Outra possibilidade é a realização de proctocolectomia total, em que o reto do paciente é removido cirurgicamente, juntamente do cólon (intestino). Essa cirurgia é indicada quando há muitos pólipos no reto que não podem ser removidos por colonoscopia. 

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Botão Voltar ao topo