Medicina perioperatória: melhor recuperação do paciente começa antes da cirurgia

Novo modelo de cuidado integra etapas da cirurgia e reduz complicações desde o preparo do paciente
Foto: crédito-Freepik
A recuperação de um paciente após uma cirurgia começa muito antes da entrada no centro cirúrgico. Cada vez mais hospitais têm adotado estratégias estruturadas para preparar melhor o paciente antes do procedimento, organizar o cuidado durante a cirurgia e conduzir de forma mais eficiente o período de recuperação. Essa abordagem, conhecida como otimização perioperatória, busca melhorar os resultados clínicos e tornar o processo cirúrgico mais seguro e previsível.
Segundo o anestesiologista Dr. Leonardo Vanzato, coordenador da anestesia do Hospital Albert Sabin (HAS-SP), a medicina perioperatória vem ganhando destaque à medida que os pacientes cirúrgicos se tornam mais complexos e as instituições de saúde buscam melhorar os desfechos clínicos. Ele explica que “o procedimento cirúrgico é apenas uma etapa do tratamento. O preparo adequado do paciente antes da cirurgia e a condução estruturada da recuperação no pós-operatório têm impacto direto nos resultados”.
Tradicionalmente, destaca, o cuidado cirúrgico era dividido em fases relativamente independentes, como avaliação pré-operatória, cirurgia e recuperação pós-operatória. Hoje, evidências científicas mostram que decisões tomadas em cada uma dessas etapas influenciam diretamente as demais. A proposta da otimização perioperatória é justamente integrar todo esse processo. É um modelo de cuidado integrado que acompanha o paciente ao longo de todo o percurso cirúrgico. A abordagem envolve diferentes especialidades médicas e profissionais de saúde que atuam de forma coordenada antes, durante e depois da cirurgia.
Conforme acrescenta o Dr. Guinther Giroldo Badessa, anestesiologista da equipe do HAS e fundador do ERAS América Latina, “o objetivo é reduzir o estresse fisiológico provocado pelo procedimento, preservar a função dos órgãos e acelerar a recuperação funcional do paciente. Esse modelo inclui avaliação clínica detalhada antes da cirurgia, preparação adequada do paciente, padronização de condutas durante o procedimento e protocolos estruturados de recuperação no pós-operatório”.
Preparação – Um dos pilares da medicina perioperatória é a preparação adequada do paciente antes do procedimento cirúrgico. Esse preparo inclui identificação de fatores de risco, controle de doenças pré-existentes, correção de anemia, melhora do estado nutricional e ajustes de medicações quando necessário.
Em alguns casos também são indicadas estratégias de condicionamento físico e orientação pré-operatória para melhorar a capacidade do organismo de enfrentar o estresse da cirurgia. “Quando conseguimos otimizar as condições clínicas do paciente antes do procedimento, reduzimos o risco de complicações e aumentamos a capacidade de recuperação”, afirma Vanzato.
Estratégias durante e após a cirurgia – Durante o procedimento cirúrgico, técnicas anestésicas modernas e estratégias de analgesia ajudam a reduzir o impacto fisiológico da cirurgia. Entre as medidas adotadas estão controle adequado da dor, manejo rigoroso de fluidos e manutenção da temperatura corporal, fatores que influenciam diretamente na recuperação do paciente.
No período pós-operatório, protocolos estruturados incentivam a mobilização precoce, início antecipado da alimentação e estratégias de controle da dor que reduzem a necessidade de opioides. Essas medidas contribuem para evitar complicações e acelerar a recuperação funcional.
Benefícios – Programas estruturados de otimização perioperatória têm demonstrado benefícios consistentes em diversas especialidades cirúrgicas. Entre os resultados mais observados estão redução de complicações pós-operatórias, menor incidência de infecções, melhor controle da dor e recuperação funcional mais rápida.
Outro efeito importante é a redução do tempo de internação hospitalar. Além de melhorar a experiência do paciente, o modelo também traz ganhos para as instituições de saúde. Hospitais que adotam programas de medicina perioperatória frequentemente observam maior previsibilidade do fluxo cirúrgico, melhor utilização de leitos hospitalares e aumento da eficiência do centro cirúrgico.
Para o Dr. Guinther, “quando o cuidado cirúrgico é organizado de forma integrada e baseado em evidências científicas, conseguimos melhorar simultaneamente a segurança do paciente e a eficiência hospitalar”.




