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Mulheres com diabetes têm de redobrar cuidados na menopausa

Foto: Freepik

A menopausa costuma ser cercada de mitos, incertezas e muito medo. Quando a mulher tem diabetes, então, as dúvidas aumentam, já que o controle glicêmico fica mais difícil por causa do acúmulo de gordura abdominal causado pelas mudanças hormonais.

Os primeiros sinais da transição hormonal costumam surgir por volta dos 40 anos. Neste período, chamado de perimenopausa, as oscilações hormonais do estrogênio e da progesterona impactam diretamente o metabolismo feminino. De acordo com a endocrinologista Dra. Lenita Zajdenverg, do Rio de Janeiro/RJ, coordenadora do Departamento de Diabetes na Gestação da Sociedade Brasileira de Diabetes, durante a transição menopausal e todo o climatério ocorre uma mudança na distribuição de gordura corporal, com maior acúmulo na região do abdômen. “Isso leva a um aumento da resistência à insulina e pode dificultar o manejo da glicemia”, explica a endocrinologista. Essas alterações afetam mulheres com diabetes tipo 2, que podem perceber maior dificuldade no controle glicêmico, e também mulheres com diabetes tipo 1, que, muitas vezes, necessitam de ajustes na dose de insulina.

Assim, além dos incômodos físicos, como fogachos (o “calorão”), ou sintomas psíquicos, como perda de motivação no trabalho ou na vida sexual, a mulher com diabetes tem de se preocupar também com os índices glicêmicos. Por isso, seja diabética tipo 1 ou 2, a preocupação na fase da menopausa deve começar com o peso, alerta a médica. “Com o ganho de peso, há maior chance de ocorrer a resistência insulínica, quando ficará mais difícil controlar o diabetes. ”

A Dra. Lenita também lembra que alguns sintomas da menopausa podem ser confundidos com os do diabetes alterado. O calorão da menopausa pode, em alguns casos, ser confundido com hipoglicemia, bem como a falta de ânimo e cansaço serem encarados como níveis altos de açúcar no sangue.

Para que esta fase seja a mais tranquila possível, o caminho, então, é o controle da glicemia de forma mais frequente e realizar exames laboratoriais de rotina, com acompanhamento médico mais assíduo, para que ajustes importantes possam ser feitos, se necessários. Além disso, realizar uma dieta balanceada, praticar atividade física, ter um bom acompanhamento ginecológico e considerar tratamento correto da menopausa, são passo importantes a serem seguidos nesta etapa.

Lapsos de memória – Após 12 meses consecutivos sem menstruação, ocorre a menopausa. Nesta fase, a queda do estrogênio se mantém de forma mais estável. As alterações metabólicas persistem, mas com menos variações diárias. Mas é necessário manter os cuidados, pois é neste momento que os riscos cardiovasculares se tornam mais evidentes, já que o corpo não tem mais proteção dos hormônios.

Outros sintomas, além dos fogachos, podem continuar nessa fase, como a insônia, a ansiedade, a sensação de falta de energia e os lapsos de memória.

Dra. Lenita diz que, entre os sintomas que mais geram angústia, os principais são as alterações de humor e de memória, assim como irritabilidade, dificuldade de concentração, esquecimentos pontuais e sensação de lentidão mental. Esse esquecimento, muitas vezes descrito como “nuvem cerebral”, pode interferir diretamente no tratamento do diabetes, que exige atenção, organização e tomada diária de decisões. “A mulher pode esquecer se tomou um medicamento, se aplicou a insulina ou se fez determinada correção. Isso gera ansiedade e culpa”, observa a especialista.

Essas alterações, ela explica, não significam perda de controle emocional ou cognitivo. “É importante deixar claro que elas fazem parte dessa fase e tendem a se estabilizar. Por isso, ter uma rede de apoio é fundamental. Ter alguém por perto ajuda muito nesse momento. “O suporte da família ou amigos é muito importante quando a memória e a concentração não estão no melhor momento. ”

Tratamentos – O diabetes não impede o tratamento dos sintomas da menopausa, incluindo fogachos, alterações de humor, ressecamento vaginal e dor durante a relação sexual. “O uso de hidratantes vaginais ou estrogênio vaginal não é contraindicado e pode melhorar muito o conforto e a qualidade de vida”, explica Dra. Lenita, destacando que a terapia hormonal deve ser avaliada caso a caso. “Algumas mulheres terão contraindicações, mas isso precisa ser individualizado e discutido com o médico”, ressalta.

Para atravessar essa fase com mais equilíbrio, a atuação integrada dos profissionais de saúde é fundamental. “O ideal é que ginecologista e endocrinologista conversem entre si. Quando a equipe se alinha, o manejo dos sintomas e do diabetes se torna muito mais eficiente. Essa comunicação evita interpretações equivocadas, reduz conflitos familiares e permite uma abordagem mais completa da mulher como um todo”, observa.

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