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Previna-se contra o mau hálito!

A cirurgiã dentista Jaqueline Chaves Duarte: “o tratamento vai depender de cada caso e das causas identificadas pelo profissional especializado, durante a consulta para diagnóstico”

Quem nunca ficou constrangido ao perceber que estava com mau hálito? Situações como essa não precisam mais acontecer. Embora não seja considerado uma doença, o mau hálito é um indicativo de que seu organismo não está legal e deve, portanto, ser investigado. Para saber mais sobre esse assunto, veja a entrevista da Dra. Jacqueline Chaves Duarte, dentista especializada na Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Halitose, nome científico para o mau hálito. Ela é responsável pela Clínica Hálito Puro, localizada na capital mineira.

O que é mau hálito?

O mau hálito, ou halitose, é uma condição anormal do hálito que se torna desagradável, podendo ou não significar uma alteração patológica. Ele não é uma doença, mas pode ser um sinal de que alguma coisa não vai bem no organismo, seja do ponto de vista patológico – que requer tratamento, ou fisiológico – que requer apenas orientação. Entre as principais causas do mau hálito, podemos citar como principais as cáries profundas, doença periodontal, má higiene bucal, desvio de septo, sinusite, rinite, amigdalite, corpos estranhos nas fossas nasais, uso de medicamentos, regimes drásticos, longos intervalos em jejum, prisão de ventre, estresse, ansiedade, nervosismo, diabetes, alterações hepáticas, renais, intestinais e pulmonares. Entretanto, sua principal a causa é a diminuição na quantidade da saliva e formação de uma placa bacteriana esbranquiçada na parte posterior da língua – Saburra Lingual.

A saburra é formada por restos alimentares e bactérias que se alimentam de células descamadas, também presentes na saburra. Neste processo ocorre a liberação de compostos de cheiro desagradável (compostos sulfurados voláteis – CSV), produzindo mau hálito.

Mas por que isso acontece, ou seja, a diminuição da saliva?

Há muitas causas, entre elas, podemos citar o uso de medicamentos (calmantes, antidepressivos, anti-hipertensivos, diuréticos, laxantes, antialérgicos), ansiedade, estresse, radioterapia de cabeça e pescoço, desidratação, pessoas que falam muito (professores, palestrantes), Síndrome de Sjögren.

Como tratar a halitose?

O tratamento vai depender de cada caso e das causas identificadas pelo profissional especializado, durante a consulta para diagnóstico. Na maioria dos casos é feito um tratamento para aumentar a saliva, diminuir a descamação da boca e fazer o controle da saburra lingual. Normalmente, o tratamento é feito com medicamentos, produtos e orientações de higiene bucal, inclusive com o uso de limpadores de língua, dieta alimentar, redução do estresse e da ansiedade e muitas outras.

Qualquer dentista está preparado para tratar? Há alguma formação especial?

Na faculdade de Odontologia, assim como na faculdade de Medicina, ainda não existe a disciplina “Halitose”. Desta forma, a maioria absoluta dos médicos e dentistas não está preparado para tratar o mau hálito, mas há cursos de especialização para a formação adequada dos profissionais interessados no tratamento da halitose.

Enxaguantes bucais resolvem o problema ou intensificam?

Enxaguantes bucais com álcool pioram o problema da halitose, porque eles aumentam o ressecamento e a descamação da boca, predispondo a formação da saburra lingual. Já os enxaguantes bucais com Dióxido de Cloro ajudam a melhorar e a tratar o mau hálito porque eles são produtos oxidantes que levam oxigênio e inibem o crescimento das bactérias anaeróbias que causam o mau hálito.

Por que algumas pessoas têm mau hálito e outras não?

Frequentemente existem condições acentuadas que criam um meio ambiente favorável ao crescimento das bactérias anaeróbias que causam o mau hálito. Boca seca e ausência de saliva são condições frequentemente associadas a este problema. Boca seca é um efeito colateral comum de medicamentos como, anti-hipertensivos, calmantes, antidepressivos e outros. Outra causa comum do mau hálito parece ser o corrimento nasal posterior, associado a alergias, o qual fornece fonte de alimento para as indesejáveis bactérias no fundo da língua. O uso prolongado de antibióticos também pode afetar o balanço normal da microflora bucal. Pacientes submetidos a stress constante, assim como os pacientes que fazem uso de respiradores bucais também têm uma predisposição maior ao mau hálito. 

Estudos científicos têm mostrado que pessoas com hálito saudável têm altos níveis de bactérias orais benéficas Streptococcus salivarius vivendo em suas línguas. Estas bactérias orais quebram principalmente os carboidratos e não as proteínas, produzindo menos odor. Por outro lado, pessoas com mau hálito crônico, tipicamente, têm baixos níveis destas bactérias e suas línguas têm mais bactérias responsáveis pelo mau hálito.

As pesquisas também têm demonstrado que a perda destas bactérias orais benéficas, após o uso de antibióticos e/ou mal uso de agentes antimicrobianos comuns, pode permitir que bactérias patogênicas invadam a boca e o corpo humano, porque as bactérias boas são destruídas juntamente com bactérias ruins.

A pessoa percebe que tem mau hálito?

O portador do mau hálito não consegue perceber o seu próprio hálito e, normalmente, não sabe que tem halitose. Isto acontece devido à fadiga olfatória, ou seja, a pessoa acostuma com o próprio cheiro e não sente.

Alimentos também causam mau hálito?

Sim. Existem certos alimentos que, por serem ricos em gordura (salame, mortadela, presunto, carne gordurosa, manteiga, maionese, queijo amarelo), ricos em enxofre (ovo, repolho, couve, couve-flor, brócolis, alcachofra, couve de Bruxelas), ou de cheiro carregado (alho, cebola, picles, condimentos) podem provocar mau hálito.

Ter, então, uma boa dieta alivia o mal hálito?

Com certeza! Uma pessoa que tem uma dieta equilibrada, que come muitas frutas, verduras e pouca gordura tem maior chance de ter um bom hálito. Alimentos ácidos como laranja, limão, abacaxi, maçã, ajudam a estimular a salivação e manter o hálito bom.

Já que a pessoa não percebe o seu hálito, como ela pode descobrir se tem halitose ou não?

Geralmente, um parente ou uma pessoa amiga pode alertá-la ou, ela pode procurar um profissional especializado e medir o hálito com aparelhos próprios (Halimeter e Oral Chroma). 

A Associação Brasileira de Halitose (www.abha.org.br) possui um serviço de SOS MAU HÁLITO. Ao ser consultada, a entidade pode enviar uma carta ao portador do mau hálito, indicando profissionais especializados para tratamento.

Serviço:

Clínica Hálito Puro

Av. Contorno 4747, sala 412, Lifecenter, Funcionários, Belo Horizonte, MG.

Telefone: (31) 3227-9527 | WhatsApp: (31) 3227-9527 | www.halitopuro.com.br

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