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Traumas faciais impulsionam cirurgias funcionais e estéticas no nariz

Foto: crédito-Freepik

A cirurgia, frequentemente associada apenas à estética, desempenha papel essencial na reconstrução anatômica e na recuperação funcional do nariz. No entanto, dados do DataSUS mostram que o trauma facial está entre as ocorrências mais frequentes nos atendimentos de urgência no país, especialmente em vítimas de acidentes automobilísticos e motociclísticos, dados estes reforçados pelo Ministério da Saúde. Segundo o órgão, os acidentes de trânsito seguem como uma das principais causas de internação hospitalar por causas externas. Da mesma forma, no campo esportivo, atividades como futebol, artes marciais e basquete, estão entre as que mais registram traumas nasais, sobretudo entre adolescentes e adultos jovens.

De acordo com o otorrinolaringologista Dr. Eduardo Landini Lutaif Dolci, da Clínica Dolci Otorrinolaringologia e Cirurgia Estética Facial/São Paulo/SP, o impacto funcional desses traumas costuma ser subestimado. “O nariz não tem apenas função estética. Ele é responsável por filtrar, aquecer e umidificar o ar. Quando há fratura ou colapso estrutural, o paciente pode desenvolver obstrução nasal crônica, sinusites de repetição, ronco e até distúrbios do sono. A rinoplastia reparadora devolve não só a harmonia facial, mas principalmente a função respiratória”, explica.

Após um trauma, o tratamento imediato pode incluir a redução da fratura e a estabilização das estruturas nasais. No entanto, deformidades residuais são comuns e, em muitos casos, a avaliação cirúrgica torna-se necessária após a consolidação óssea, principalmente quando há desvio importante do septo, colapso da válvula nasal, assimetria estética significativa ou dificuldade respiratória persistente. “A cirurgia reparadora exige planejamento detalhado. Muitas vezes utilizamos enxertos de cartilagem do próprio paciente para reconstruir o suporte estrutural do nariz. É uma cirurgia de precisão, que exige conhecimento anatômico profundo e experiência em cirurgia funcional e estética”, afirma o médico que é também professor instrutor do Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo e membro titular de entidades nacionais da especialidade,

Na prática clínica, acrescenta, são frequentes os casos de jovens atletas que sofreram choque cabeça a cabeça durante partidas de futebol e passaram a apresentar obstrução nasal progressiva, além de pacientes vítimas de colisões automobilísticas que, mesmo após atendimento emergencial, mantêm deformidades visíveis e queixas respiratórias.

A Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial ressalta que a abordagem integrada entre função e estética é considerada padrão ouro no tratamento cirúrgico nasal. “O conceito atual não separa forma e função. A rinoplastia moderna precisa respeitar a fisiologia nasal. Não adianta ter um bom resultado estético se o paciente continua sem respirar bem”, reforça o especialista.

A indicação do procedimento reparador deve ser feita após exame físico detalhado e, quando necessário, exames de imagem como tomografia, afirma o médico, lembrando que o tempo ideal para a intervenção varia conforme o tipo de trauma e o estado clínico do paciente.

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