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Doenças de pele: cuidado com os conteúdos oferecidos pelas redes sociais

Crédito-foto: Magnific

As doenças de pele afetam entre 4,7 e 4,9 bilhões de pessoas em todo o mundo e figuram entre as principais causas globais de incapacidade. O cenário levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a reconhecer, em 2025, as doenças dermatológicas como uma prioridade global de saúde pública, reforçando a necessidade de ampliar o acesso à informação, ao diagnóstico e ao tratamento. Apesar da dimensão do problema, muitos brasileiros ainda recorrem às redes sociais antes de buscar orientação médica para cuidar da pele.

Pesquisa Datafolha mostrou que 54% dos brasileiros procuram conteúdos sobre cuidados com a pele, produtos, procedimentos e profissionais. Entre eles, 19% recorrem às redes sociais e criadores de conteúdo, enquanto apenas 14% buscam orientação médica. Entre os jovens, o cenário preocupa ainda mais. De acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), 70% dos brasileiros de 16 a 24 anos que apresentam acne, principal motivo de queixas dermatológicas nessa faixa etária, nunca consultaram um dermatologista.

Quando se fala em cuidados com a pele, muita gente ainda pensa primeiro em procedimentos estéticos e rotina de skincare. Mas a pele, maior órgão do corpo humano, exerce funções essenciais para a proteção do organismo, controle da temperatura, defesa contra agentes externos e percepção sensorial. Uma pele saudável não é sinônimo de perfeição, mas de uma pele protegida, íntegra e com seus sinais de alerta reconhecidos precocemente.

Para a dermatologista Camila Mazza, em São Paulo/SP, ainda existe uma percepção equivocada de que o dermatologista é procurado apenas por motivos estéticos. “A pele é um órgão e merece ser cuidada como qualquer outro. Manchas, feridas que não cicatrizam, coceiras persistentes, descamação, pintas que mudam de tamanho, cor ou formato e lesões que sangram podem indicar doenças que precisam de avaliação médica. Cuidar da pele também é prevenir, diagnosticar cedo e tratar corretamente”, explica.

No consultório, a médica observa que esse comportamento tem se tornado cada vez mais frequente. “Hoje muitas pessoas começam um tratamento pela internet, misturam ativos, seguem tendências e só procuram um médico quando a pele já está sensibilizada ou apresenta complicações. Informação é importante, mas precisa vir de fontes confiáveis. Nem toda rotina serve para todos os tipos de pele”, alerta.

Além da estética, a pele também pode refletir alterações sistêmicas, doenças inflamatórias, infecções, alergias e até alguns tipos de câncer. Por isso, mudanças persistentes não devem ser ignoradas. “A pele conversa com o nosso organismo o tempo todo. Quanto mais cedo aprendemos a observar seus sinais e adotamos hábitos simples de prevenção, maiores são as chances de manter não apenas uma pele saudável, mas também uma melhor qualidade de vida”, destaca a médica, dando, a seguir, algumas dicas para manter uma pele saudável no dia a dia:

  • Use protetor solar diariamente, mesmo em dias nublados e durante o inverno;
  • Hidrate a pele regularmente com produtos adequados ao tipo de pele, especialmente após o banho;
  • Evite banhos muito quentes e demorados, que comprometem a barreira de proteção natural da pele;
  • Não copie rotinas de skincare das redes sociais. O que funciona para uma pessoa pode causar irritações, alergias ou agravar doenças dermatológicas em outra;
  • Observe sinais de alerta, como manchas que mudam de cor ou tamanho, feridas que não cicatrizam, coceiras persistentes, descamação ou lesões que sangram, e procure avaliação médica;
  • Mantenha hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, hidratação, sono de qualidade e controle do estresse, fatores que também influenciam diretamente na saúde da pele;
  • Evite a automedicação e o uso indiscriminado de ácidos ou produtos sem orientação profissional;
  • Consulte um dermatologista regularmente, principalmente em caso de histórico familiar de câncer de pele, doenças dermatológicas ou alterações persistentes.

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