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Calor pode favorecer o aparecimento de pedras nos rins – como identificar os sinais

Por:  Dr. Antônio Corrêa Lopes Neto, membro da Diretoria Executiva da Sociedade Brasileira de Urologia/SP, especialista em Litíase Urinária e Endourologia e docente da Disciplina de Urologia do Centro Universitário FMABC.

Muitos já se depararam com alguma situação relacionada à litíase urinária, popularmente conhecida como “pedras nos rins”. É grande o risco de sérias complicações, o que exige cuidado adequado e o mais rápido possível. Hoje torna-se um problema de saúde pública. Estima-se que, atualmente, a doença atinja cerca de 10% a 15% da população mundial, e que 1,5 milhão de brasileiros convivam com algum tipo de disfunção renal.

A literatura médica demonstra que este número está em franca progressão, além disso, temos notado também aumento na incidência e novos casos. Por não ser uma doença com notificação compulsória, os números no Brasil carecem de documentação mais precisa. No entanto, em 2025, a Revista Frontiers in Urology demonstrou que, na América Latina, houve aumento na incidência de 155 casos/100 mil habitantes em 1990 para 296 casos/10 mil habitantes em 2021. O Brasil aparece como o país com maior incidência.

Estamos falando de uma doença recidivante em aproximadamente 50% dos casos, o que exige um tratamento mais dedicado para diminuir as recorrências.

A condição atinge predominantemente os homens, porém, o número de casos em mulheres tem aumentado nos últimos anos, provavelmente devido às mudanças comportamentais, como aumento da obesidade, alterações na dieta e estilo de vida similar aos homens.           

Durante o verão, o problema pode se agravar. É o que mostra o levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem, em São Paulo, revelando um aumento de até 30% nos atendimentos relacionados à condição neste período do ano, sem falar do impacto da temperatura e dos hábitos alimentares que acabam influenciando. Estes números podem ser ainda maiores em regiões mais quentes, já que o risco de desidratação torna a urina mais concentrada e mais suscetível ao acúmulo de cristais e elementos que formam as pedras dentro dos rins. Por este motivo, os meses de janeiro e fevereiro no Brasil merecem uma atenção especial.

Para reduzir o risco da formação de pedras, é necessária uma hidratação abundante que permita uma urina clara, redução no excesso de sal, bebida alcoólica e proteínas. O controle da obesidade também é uma medida fortemente recomendada. Quando as pedras se encontram dentro dos rins, o indivíduo geralmente não apresenta sintomas. Neste caso trata-se de um inimigo silencioso e sua detecção será em exames preventivos, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada. Se elas migram para os ureteres (canais que conduzem a urina dos rins para a bexiga) geralmente causam obstrução e a temida cólica renal, caracterizada por uma dor habitualmente muito forte, necessitando de atendimento hospitalar imediato para analgesia e tratamento. Infecções e sangramento na urina podem acompanhar esse quadro.

Outro cenário que agrava as repercussões dessa doença é que, em algumas situações, pode ocorrer perda de função renal, e em casos mais graves ou quando ocorre demora no tratamento.

Acesso aos tratamentos – Existem os minimamente invasivos por endourologia, que constam de técnicas com utilização de endoscópios, óticas, fibras e lasers, com excelentes resultados para remoção desses cálculos e preservação dos rins. Oferecem menos dor e melhor convalescença, permitindo rápido retorno às atividades habituais. No entanto, toda essa tecnologia encarece o tratamento desta doença, dificultando o acesso principalmente em serviços públicos. É muito grande o número de pacientes aguardando tratamento e, nem sempre, estas modalidades estão disponíveis.

Este é um grande desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS): administrar as grandes filas de pacientes que estão em ascensão, realizar o diagnóstico e tratamento precoce, minimizando complicações e, principalmente, a perda de função dos rins. A disponibilização de tratamentos minimamente invasivos é fundamental para menor tempo de internação e retorno mais precoce às atividades habituais.

Sem dúvida, o custo destes equipamentos é uma barreira a ser vencida. Somado a isso, o custo da tecnologia envolvida nos procedimentos aumenta o desafio. A união entre a classe política, entidades médicas e empresas envolvidas pode ser um caminho para reduzir estes números.

Quanto à população, a sugestão é que procure seu médico, investigue se você é portador de litíase urinária e faça o tratamento adequado para minimizar complicações e se livrar deste risco silencioso.

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