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Estilo de vida equilibrado é importante antes, durante e após o diagnóstico do câncer

Evidências científicas mostram que as taxas de recidiva diminuem em até 30% em pacientes que aderem a hábitos saudáveis

Foto: crédito-Freepik

O câncer é a segunda principal causa de mortes no mundo, ficando atrás apenas das doenças não transmissíveis – como as cardiovasculares -, e registrando cerca de 10 milhões de casos por ano. No entanto, um terço dessas ocorrências pode ser prevenidas. O Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, tem como objetivo conscientizar a população sobre os fatores de risco da doença, as formas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer – INCA, a incidência de câncer aumentou 20% nos últimos 10 anos. Entre 2023 e 2026, estima-se que surjam 704 mil novos casos da doença. Somente em 2023, foram registrados 483 mil novos casos, um crescimento de 13% em relação aos anos anteriores. Dados da OMS revelam que o câncer continua a ser um dos principais desafios para a saúde mundial. Nesse sentido, a população precisa cada vez mais ter a consciência do que pode fazer para reduzir o risco da doença.

Os tipos de câncer mais comuns, segundo o INCA, incluem os tumores de pele, mama, próstata, intestino e colo do útero, além dos tumores de cabeça e pescoço. A busca por diagnósticos, campanhas de prevenção e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais para a conscientização sobre a doença. Um estilo de vida saudável, com controle de peso, atividade física regular, alimentação equilibrada e o não uso de tabaco e álcool podem reduzir de forma robusta esse aumento, pois hábitos nocivos são responsáveis diretos ou indiretos por 40% dos tumores. Manter hábitos saudáveis é importante mesmo após o diagnóstico de um câncer. Evidências científicas mostram que as taxas de recidiva diminuem em até 30% em pacientes que aderem a hábitos saudáveis.

Segundo o Coordenador do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital Santa Marcelina/São Paulo/SP, Dr. Roberto Odebrecht Rocha, uma boa alimentação tem papel fundamental na redução dos riscos de desenvolver diversos tipos de cânceres. “Estudos mostram que dietas baseadas no consumo de açúcar, gorduras saturadas, gorduras trans e alimentos ultraprocessados contribuem para o aumento dos índices de câncer de várias formas”, ressalta. 

Consumo de carnes – Para a OMS, o consumo de carnes processadas, como salsicha, linguiça, presunto e bacon, aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de câncer de intestino. O consumo elevado de carne vermelha (suína, bovina e carneiro), também é considerado um fator de provável ação cancerígena.

Açúcar – É preciso atenção quanto ao consumo excessivo do açúcar. Essa prática pode resultar em ingestão de calorias além do necessário, o que leva ao aumento do peso e gordura corporal. De acordo com o American Institute for Cancer Research, é o excesso de gordura corporal que aumenta o risco de desenvolvimento do câncer, não apenas o açúcar como fator isolado. “Desta forma, recomenda-se a ingestão de uma dieta rica em alimentos nutritivos, como grãos integrais, vegetais, frutas, feijões e a substituição de bebidas açucaradas por aquelas de baixa ou nenhuma caloria”, explica o oncologista.

Sal – O excesso do sal está relacionado a maior incidência de câncer. A OMS recomenda que sejam consumidos no máximo cinco gramas de sal por dia. Sendo que 2g estejam presentes naturalmente nos alimentos e apenas 3g (duas colheres de chá rasas) sejam acrescentados no preparo das refeições em um dia. 

Até o momento, não há uma causa exata para o desenvolvimento do câncer. No entanto, fatores ambientais e genéticos, isolados ou combinados, podem aumentar o risco da doença.

“Não fumar, evitar bebidas alcoólicas, manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos, realizar exames de rotina e evitar a exposição excessiva ao sol são recomendações importantes que devemos incorporar ao nosso dia a dia.

O tratamento do câncer é multidisciplinar e a radioterapia é um dos principais tratamentos, sendo que cerca de 70% dos pacientes oncológicos recebem esse tipo de terapia em alguma fase do processo”, explica o Dr. Roberto Odebrecht.

Prevenção do câncer – Confira a seguir, exames que podem detectar sinais:

  • Câncer de colo uterino –

Exame de Papanicolau: a partir de 25 anos para quem está em atividade sexual. Deve ser feito até os 64 anos – em caso de resultados normais.

Vacina para HPV: para meninas de nove a 14 anos;

  • Câncer de mama – Exame padrão: mamografia. Possibilita a redução da mortalidade em até 40%, permitindo o diagnóstico precoce. Realizado a partir dos 50 a 74 anos, a cada dois anos. Porém, com a atualização do Ministério da Saúde, o exame já pode ser oferecido a partir dos 40 anos, a cada dois anos, dependendo da indicação médica;
  • Câncer de colorretal – A colonoscopia é o exame para prevenção e diagnóstico de câncer de cólon e reto. Ela permite o diagnóstico de lesões pré-malignas e neoplasias malignas. A redução do risco de mortalidade é em até 56% dos casos e incidência em cerca de 80%. É indicado para pessoas a partir de 50 anos, segundo o Ministério da Saúde, e aos 45 anos conforme a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). “Em casos de grupos de risco com história familiar presente de câncer colorretal, a recomendação é 10 anos antes da idade do diagnóstico de algum parente, principalmente de primeiro grau, ou realizado a partir de 35 anos de idade segundo a SBOC.
  • Câncer de Pulmão – O exame de rastreamento é a tomografia computadorizada de baixa dose, o que reduz o risco de mortalidade em cerca de 20%. Indicado para pessoas com 50 a 80 anos, com histórico de tabagismo igual ou superior a 20 maços.

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