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Dia Mundial do Câncer: pandemia não deve interromper tratamentos, consultas e exames

O coordenador médico da Unidade de Oncologia do Hospital Márcio Cunha, Luciano Viana: “a postergação de um exame oncológico pode ser fator decisivo entre a cura e o óbito”

Segunda principal causa de mortes no mundo, responsável por 9,6 milhões de óbitos, de acordo com a última estatística da OMS de 2018, o câncer é uma questão de saúde pública. Com a pandemia do novo coronavírus, a doença assume contornos ainda mais relevantes. A pandemia também tem comprometido a realização de exames e diagnósticos que podem salvar muitas pessoas de uma fatalidade decorrente de inúmeras doenças, entre elas o câncer. No entanto, a Unidade de Oncologia do Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, tem alertado para a continuidade dos tratamentos oncológicos e vem mantendo o serviço prestado a pacientes da região.

Somente em 2020, foram realizadas 32.434 consultas e 2.437 atendimentos da Medicina Nuclear no HMC. O número de atendimentos quimioterápicos foi de 26.198 sessões adulto, 1.054 sessões em unidade de Oncologia Pediátrica e na radioterapia foram 24.295 sessões. Ou seja, a unidade está aberta e atendendo a demanda das secretarias de saúde da área de abrangência do Hospital Márcio Cunha.

 “Desde o início da pandemia temos mantido o compromisso de monitorar nossos pacientes oncológicos porque sabemos da importância de dar continuidade ao tratamento. A postergação de um exame oncológico pode ser fator decisivo entre a cura e o óbito. A prevenção, informação e o acesso ao tratamento continuam sendo os principais aliados para se combater um câncer”, afirma o coordenador médico da Unidade de Oncologia do Hospital Márcio Cunha, Dr. Luciano Viana.  

Conforme alerta, “o receio da contaminação não deve ser motivo para atrasar diagnósticos, cirurgias, tratamentos e demais cuidados na rotina de quem tem câncer. A boa notícia é que a maioria dos tumores, se diagnosticados precocemente, possuem grande chance de cura. A doença não é uma sentença de morte. Atualmente os tratamentos estão cada vez mais avançados, permitindo uma melhor qualidade de vida dos pacientes”.

O cenário pandêmico reforça ainda mais a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, reafirma o médico, ao citar dados da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP). De acordo com a entidade, somente nos dois primeiros meses da pandemia, cerca de 50 mil pessoas deixaram de ser diagnosticadas com câncer no Brasil e outras milhares tiveram consultas ou tratamentos adiados ou cancelados.

Um artigo publicado pelo jornal inglês The Guardian alerta que a crise do coronavírus pode levar a 18 mil mortes adicionais devido ao câncer neste ano de 2021 no Reino Unido, devido ao atraso nos tratamentos e consultas. No Brasil, ainda não se tem dados sobre os efeitos da pandemia nos tratamentos oncológicos. No entanto, somente os números do Instituto Nacional do Câncer já apontavam que a expectativa era de 650 mil novos casos de câncer a cada ano do triênio 2020-2022.

Tratamentos inovadores – Mesmo em pandemia, os tratamentos do Centro de Pesquisa do Hospital Márcio Cunha, tiveram continuidade e têm ajudado muitos pacientes com tumores em estágio avançado a ter maior qualidade de vida e até uma remissão completa da doença.

Criado em 2017, o Centro de Pesquisa tem desenvolvido protocolos em cirurgias, radioterapias e novos medicamentos na área oncológica, entre outras especialidades médicas. Atualmente são 12 estudos clínicos em andamento, alguns em fase de recrutamento e outros com pacientes já tratados em acompanhamento.

“Os pacientes que participam passam por um tratamento com todo rigor da ciência, com monitorização nacional e internacional e checagem de dados. Para muitos é uma oportunidade única de tratar um câncer que, muitas vezes, já não tinha mais resultados com o tratamento disponível”.

É o caso do senhor Geraldo Gonçalves Paulo, de 66 anos. O encarregado de carpinteiro descobriu um tumor de cabeça e pescoço em estágio avançado da doença e já em fase de metástase. Com poucas chances de sucesso no tratamento convencional, Geraldo se encaixou nos critérios do protocolo para o mesmo tumor existente no Centro de Pesquisa e teve remissão completa da doença.

“Eu tinha muita dificuldade para falar porque minha língua estava tão inchada que não estava cabendo na minha boca. Sentia dores na boca, no esôfago e no estômago porque meu tumor já tinha avançado. Me chamaram para participar de um novo tratamento. Essa pesquisa salvou a minha vida. Fiquei dois anos tratando com esses medicamentos e oito meses depois já senti muita melhora. Hoje estou bem, sem dores, ganhei o peso que eu perdi. Me sinto abençoado, graças a Deus e à equipe médica”, conta.

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